ACOMPANHE-NOS    
SETEMBRO, SEGUNDA  27    CAMPO GRANDE 22º

Capital

Além da buraqueira nas ruas, espaços públicos estão sem manutenção

Por Adriano Fernandes | 31/12/2016 17:25
Amontoado de lixo recepciona quem chega na Praça das Águas, em pleno bairro nobre da Capital.(Foto: Adriano Fernandes)
Amontoado de lixo recepciona quem chega na Praça das Águas, em pleno bairro nobre da Capital.(Foto: Adriano Fernandes)

Se pelas ruas a grande quantidade de buracos é um dos problemas mais graves atualmente em Campo Grande, diante de reparos que são feitos a passos lentos, em alguns espaços públicos e praças da cidade o abandono é da mesma proporção dos amontoados de lixo ou do mato alto.

No Parque dos Novos Estados, região norte de Campo Grande, por exemplo, é grande o número de vazios urbanos que foram os próprios moradores que deram a alcunha de “praças”, mesmo sem um nome oficial junto à prefeitura, bancos, iluminação pública, área de esporte ou lazer para crianças.

Mas a falta de manutenção também representa um risco aos moradores, como conta o estudante Márcio Pessoa, de 50 anos. “Há 20 dias minha esposa e sobrinha foram surpreendidas por ladrões armados e que levaram a bolsa delas, bem aqui. A cinquenta metros de casa”, aponta para as árvores da praça que fica ao lado de um colégio particular, na rua Guarapuã, no bairro.

De acordo com o morador, pelo fato do bairro ter um grande número de praças a poda de grama é frequente, a não ser durante o período de chuvas. Mas ele ainda cobra melhorias. “Ainda falta a poda das árvores desse espaço porque senão ele pode continuar sendo vulnerável a assaltos.Também não há iluminação suficiente, a não ser ali na frente do ponto de ônibus que também fica entre as árvores”, completa.

A área aberta da rua Guarapuã não tem um nome, assim como boa parte dos outros endereços vistos como praças, na cidade, mas que não tem estrutura para tal. “A gente usa como referência a escola, tem outra praça vizinha que chamamos de praça da Coruja, mas oficialmente elas não tem um nome”, conta.

Ponto de ônibus fica em meio ás árvores de praça no Parque dos Novos Estados. (Foto: Adriano Fernandes)
Ponto de ônibus fica em meio ás árvores de praça no Parque dos Novos Estados. (Foto: Adriano Fernandes)
Na Mata do Jacinto alambrados de praças estão sem manutenção há meses. (Foto: Adriano Fernandes)
Na Mata do Jacinto alambrados de praças estão sem manutenção há meses. (Foto: Adriano Fernandes)

Entre as ruas Etelvina do Nascimento e Travessa Guilhermina de Menezes, no Conjunto Residencial Mata do Jacinto, outra centro de lazer padece ao esquecimento e pela precariedade da estrutura. As pistas de corrida foram tomadas pela areia levada pela água da chuva.

Os postes que sustentam parte alambrados estão caídos e as telas e redes dos alambrados, também estão rompidas.“Os refletores também só funcionam de uma lado”, afirma o motorista Carlos Rosa, de 54 anos.

Ainda segundo o morador, mesmo diante do visível abandono do local o campo, é ponto de encontro para jogadores pelo menos três vezes por semana. “O capim até é roçado com frequência, mas não tem banheiro, área coberta ou uma melhor iluminação em um local que é frequentemente utilizado por moradores”, cobra.

No Tiradentes crianças cobram área de lazer em praça onde até academia ao ar livre foi depredada.(Foto: Adriano Fernandes)
No Tiradentes crianças cobram área de lazer em praça onde até academia ao ar livre foi depredada.(Foto: Adriano Fernandes)

Lazer A precariedade ou até mesmo ausência de parquinhos em praças da cidade é uma exigência de moradores e que é frequentemente retratado em matérias do Campo Grande News. No bairro Tiradentes o quadrilátero formado pela Avenida Coronel Ulisses de Lima, forma outro espaço em que até a academia ao ar livre foi depredada.

“Mas a gente sente falta de uma opção para gente brincar, um campo de futebol, parquinho”, comenta o pequeno Claudio Henrique Silva Santos, de apenas 13 anos. O pedido é reforçado pelas coleguinhas Daiane Garcia, de 14, e Ana Paula de Souza, de 15, enquanto brincam nos equipamentos usados durante o exercício de idosos.

“Agora, durante as férias a gente passa o tempo aqui, mas é ruim porque pela manhã, por exemplo, aqui é usado por idosos. A gente não tem onde brincar e já teve vezes em que eu mesma juntei o lixo que se acumulou por aqui”, conta Cláudia.

No local, alguns dos equipamentos foram quebrados por vândalos e outros nem sequer estão mais presos ao chão, representando um risco para os usuários. 

Pelas ruas – O abandono que resulta em mato alto, não é exclusividade de praças e espaços públicos, mas também nas ruas de bairros e até na região central de Campo Grande.

Na rua do Oásis, o mato tomou conta de calçada. (Foto: Adriano Fernandes)
Na rua do Oásis, o mato tomou conta de calçada. (Foto: Adriano Fernandes)
Passagem por calçada entre a Ceará e Ricardo Brandão. (Foto: Adriano Fernandes)
Passagem por calçada entre a Ceará e Ricardo Brandão. (Foto: Adriano Fernandes)

Andar pela calçada da rua do Oásis, na Vila Rica, é simplesmente impossível. O mato que tomou conta de um terreno baldio em determinado trecho, avançou também sobre a calçada.

Pela Ricardo Brandão, mesmo pouco antes da Câmara Municipal de Campo Grande, o descaso é evidente. Quem trafega a pé, divide espaço com o mato alto por dois lados da calçada. Próximo dali, quem passa por uma das entradas da Praça das Águas, em frente ao Shopping Campo Grande é recepcionado por um amontoado de lixo e galhos apodrecidos.

O local que é ponto de usuários, até um jovem foi esfaqueado, em setembro deste ano. Na rotatória entre as ruas Joaquim Murtinho com Eduardo Elias Zahran, até mesmo um poço de visita esta aberto. A reportagem encaminhou o fato a Águas Guariroba.

Poço de visita aberto em rotatória em frente ao colégio Hércules Maymone. (Foto: Adriano Fernandes)
Poço de visita aberto em rotatória em frente ao colégio Hércules Maymone. (Foto: Adriano Fernandes)

Limpeza – A limpeza dos espaços públicos na Capital, assim como a coleta de lixo, eram de responsabilidade da empresa CG Solurb, consórcio que dentre outros serviços fazia o corte do capim e mato em espaços públicos.

No entanto, a prefeitura do município anunciou na quarta-feira (28) a anulação do contrato com a concessionária, devido a identificação de fraudes na licitação. A empresa, no entanto, garante que manterá seus serviços, por considerar sem efeito a decisão do Executivo municipal.

Em entrevista coletiva, o prefeito Alcides Bernal e o procurador-geral, Denir Nantes, disseram que houve um superfaturamento de cerca de R$ 120 milhões no contrato e também em 37% nos serviço de rua, como capinagem, varreção, roçada e pintura.

Solicitações de limpeza e capinagem em praças e áreas públicas também podem acionar diretamente os serviços a Seintrha (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação) pelos telefones 3314-3675 e 3314-3676.

Nos siga no Google Notícias
Regras de comentário