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Campo Grande, Quinta-feira, 18 de Abril de 2019

15/02/2019 12:49

Antes do asfalto, o avesso da 14 de Julho a 4 metros de profundidade

Doze quadras serão revitalizadas, num total de 1.400 metros e recursos do Banco Interamericano

Aline dos Santos
Subterrâneo da 14 de Julho passa por obras para abrigar novas tubulações e transformadores de energia. (Foto: Kisie Ainoã)Subterrâneo da 14 de Julho passa por obras para abrigar novas tubulações e transformadores de energia. (Foto: Kisie Ainoã)

Com seus 107 anos, por onde já foi caminho de desfiles cívicos, procissões e Carnaval, a Rua 14 de Julho, que passa pela profunda transformação com as obras do Reviva Centro, agora tem sua história escrita pelo avesso.

Diariamente, na sala técnica da Engepar, todas as intervenções são descritas num diário de obra, que são transportadas para desenhos que reproduzem o memorial subterrâneo da via. Nesta etapa do Reviva Centro, a 14 de Julho é executada da superfície para baixo.

Os profundos buracos que resultam em muita lama e sensação de caos são abertos para dar nova forma ao subterrâneo. O trabalho começa com a troca de tubulação de esgoto, que, no caso, corresponde a parte mais antiga do sistema de esgotamento sanitário.

Segundo Carlos Clementino Moreira Filho, sócio-proprietário da Engepar Engenharia e Participações Ltda, empreiteira que executa a obra, a rede foi transferida do meio da via para debaixo das calçadas.

Na sequência, é preciso ir mais fundo, atingindo até 4,5 metros de profundidade para passar a nova tubulação de drenagem que tem até 1m20 de diâmetro em certos pontos. Depois, é feita a tubulação para incêndio, com água na vazão adequada para atender os hidrantes. Na parte elétrica, onde a fiação subterrânea vai substituir os postes, são colocados os transformadores, protegidos por uma estrutura de concreto.

Vencida essa etapa, é preciso abrir espaço para as telefônicas, cada uma com seu duto específico. Além de comportar também a tubulação do gás natural, cabos de comunicação com os bancos e fibra óptica.

Nesta etapa do Reviva Centro, a 14 de Julho é executada da superfície para baixo. (Foto: Kisie Ainoã)Nesta etapa do Reviva Centro, a 14 de Julho é executada da superfície para baixo. (Foto: Kisie Ainoã)
Reviva Centro terá obras até fevereiro de n2020 (Foto: Kisie Ainoã)Reviva Centro terá obras até fevereiro de n2020 (Foto: Kisie Ainoã)

Para fazer todas essas intervenções, é preciso abrir e reabrir os buracos para aterrar, o que provoca as críticas de intervenções sucessivas no mesmo trecho, numa análise de que dinheiro público estaria sendo, literalmente, “enterrado”.

“Quando o lojista, a população reclama de alguma coisa, não conseguem avaliar o que está sendo feito ali embaixo. Você aterra onde precisa e escava de novo para colocar outra tubulação”, afirma Carlos.

Na 14 de Julho, as condições do solo são monitoradas por um laboratório terceirizado que confere a umidade da terra para garantir a qualidade da compactação do terreno.

Depois, vem o pavimento. De acordo com Carlos, foi colocada metade da espessura do asfalto para liberar a circulação de veículos, mas quando a obra for finalizada, toda a extensão vai ser revestida com a carga integral, entregando o pavimento novo.

O contrato de revitalização da 14 de Julho vai até 20 fevereiro do próximo ano. A obra é custeada com empréstimo de US$ 56 milhões do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). São 300 empregos diretos e, além de empreiteira de Campo Grande, mobiliza fornecedores de Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

“A Engepar atua com obras de pavimento, saneamento, edificações. Isso nos dava segurança para fazer a obra. A dificuldade é administrar a relação com o lojista, expectativa no comércio no fim de ano, a interferência das outras concessionárias”, afirma Carlos.

Cara nova - Ao todo, são 12 quadras, com total de 1.400 metros. Após o pavimento, começam as intervenções de paisagismo, com árvores do Cerrado, instalação de bancos para espaços de convivência. Tratada como um shopping a céu aberto, a rua vai priorizar o pedestre.

A obra do Reviva Centro tem fiscalização da prefeitura de Campo Grande; da Consulgal, empresa portuguesa de serviços de consultoria de engenharia e gestão de empreendimentos; auditoria do TCE (Tribunal de Contas do Estado); e vistoria mensal do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Imagem  mostra trecho da 14 de Julho a partir de 20 de fevereiro de 2020. Imagem mostra trecho da 14 de Julho a partir de 20 de fevereiro de 2020.


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