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Capital

Ao vivo com delegado do DF, morador de MS diz que concurso tem "cartas marcadas"

Depois da repercussão, a Adepol (Associação dos Delegados de Polícia do Estado) publicou nota de repúdio

Por Geisy Garnes | 26/10/2021 17:59



Transmissão ao vivo sobre o concurso para Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, pouco depois da publicação do edital, na manhã desta terça-feira (26), acabou em acusações de “cartas marcadas” para o cargo de delegado. O comentário foi feito por um homem que se apresentou como morador de Dourados e “amigo de um delegado aposentado do Estado”.

Depois da repercussão, a Adepol (Associação dos Delegados de Polícia do Estado) publicou nota de repúdio a situação. A live era feita pelo delegado de polícia do Distrito Federal, Lúcio Valente, em seu perfil no Instagram “Vou ser Delegado”.

Professor de cursos preparatórios para concurso, ele dedica o perfil a dicas sobre provas de todo o País. Nesta manhã, iniciou a transmissão aos mais de 183 mil seguidores com a leitura do recém-divulgado edital de Mato Grosso do Sul. Por mais de 20 minutos fala sobre a prova, o conteúdo que será cobrado, o quantitativo de acertos necessários e das vagas.

Ao fim da live, o delegado começa a ler comentários dos seguidores e entre eles encontra o do sul-mato-grossense. Ainda por texto, o morador de Dourados afirma que não haverá mudança na data da prova e logo em seguida entra no “ao vivo”, afirmando que “clicou errado”. Ainda assim, interage com o professor e conta que pretende fazer o concurso.

Conforme fala, o homem que se identifica como Cleber explica que a notícia do edital “corre” há mais de um mês e que ele sabe disso graças a um “delegado aposentado” de Mato Grosso do Sul que é “muito amigo do pessoal interno da Adepol”.

Cleber afirma ainda que não esperava tão pouco tempo entre a divulgação do edital e a prova, mas que a intenção dos organizadores eram empossar os novos delegados o mais rápido possível, antes das eleições de 2022. É depois disso que ele acusa o concurso de ter “cartas marcadas”. “Em off, tem muita vaga já casada. Infelizmente, tem”.

Depois de confirmar a situação ao delegado mais uma vez, o homem lembra que está em uma transmissão do Instagram. “Não vai ficar gravado isso?”. “Vai pô, é ao vivo”, responde o delegado. Lúcio Valente ainda comenta que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul terá que ficar atento à denúncia e o douradense concorda antes de deixar a live.

Novamente sozinho, o delegado reforça que não acredita na acusação e que, hoje, os mecanismos de fiscalização são eficientes. “Então é isso pessoal, essas dúvidas sempre existem, a gente tem que ficar a atendo, vocês são fiscais disso, eu particularmente não acredito nisso não, de 'carta marcada', eu não acredito”.

O vídeo logo chegou ao conhecimento da Adepol-MS, que nesta tarde, emitiu nota de repúdio ao depoimento, já que foi citada e sequer participa da organização do concurso. Além de definir as acusações como descabidas a associação afirma que “adotará as providências para esclarecer e responsabilizar o uso indevido do nome da instituição no episódio”.

A prova objetiva, primeira fase do concurso para delegado, será realizada no dia 4 de dezembro. O concurso visa preencher 30 vagas para o cargo em Mato Grosso do Sul.

O Governo do Estado também abriu hoje as inscrições para entrar na disputa por outras 206 vagas da Polícia Civil - 42 oportunidades para perito papiloscopista, 36 para agente de polícia científica, 75 para perito criminal, 53 para perito médico-legista. O prazo para os candidatos tem início às 10h e vai até as 23h59 do dia 18 de novembro.

Confira a nota na íntegra:

A ADEPOL-MS vem a público repudiar qualquer uso ou implicação do nome da entidade em suposta ilegalidade de certame para provimentos de cargos de carreiras policiais.

Em uma live realizada pelo Delegado de Polícia do Distrito Federal, Lúcio Valente, um cidadão que pediu para participar fez acusações descabidas acerca da lisura do processo seletivo para o cargo de Delegado de Polícia em Mato Grosso do Sul, inclusive, citando a instituição ADEPOL-MS.
Importante esclarecer que a entidade não participa de nenhuma das fases de seleção, as quais são de responsabilidade das secretarias de Estado competentes. A ADEPOL-MS confia na lisura e correção dos órgãos públicos envolvidos no concurso, inclusive para reprimir qualquer tipo de ilicitude.

Por fim, a ADEPOL-MS adotará as providências cabíveis para esclarecer e responsabilizar o uso indevido do nome da instituição no episódio.

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