Haitianos falam em coração dividido, mas vibram com gol anulado do Brasil
Comunidade acompanha partida na Capela Espírito Santo e celebra encontro entre as seleções
O gol anulado de Raphinha aos 11 minutos do primeiro tempo provocou comemoração na Capela Divino Espírito Santo, em Campo Grande, onde cerca de 50 haitianos acompanham a partida entre Brasil e Haiti pela Copa do Mundo de 2026 na noite desta sexta-feira (19). Apesar da torcida pelo país de origem, muitos não esconderam a admiração pela Seleção Brasileira e definiram o duelo como um momento de "coração dividido".
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Cerca de 50 haitianos acompanharam a partida entre Brasil e Haiti pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2026 na Capela Divino Espírito Santo, em Campo Grande, com o coração dividido entre os dois países. O professor Junel Llora destacou a ligação histórica do Haiti com a seleção brasileira, enquanto a Pastoral dos Migrantes organizou o encontro para promover integração, coincidindo com o Dia Nacional da Imigração.
Professor e intérprete, Junel Llora, de 38 anos, afirma que o encontro entre as duas seleções tem valor histórico para os haitianos. Segundo ele, o Brasil faz parte da cultura esportiva do Haiti há décadas.
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"Nosso povo nasceu para ser torcedor da seleção brasileira. O Brasil sempre participou das Copas do Mundo. Para o Haiti, esta é apenas a segunda participação depois de 52 anos. É um momento único para nós", afirmou.
Enquanto acompanhava a partida ao lado de brasileiros e compatriotas, Junel alternava a torcida entre os dois lados. O gol marcado por Raphinha, anulado por impedimento, gerou reação imediata entre os presentes, que vibraram com a jogada antes da confirmação da irregularidade.
Para ele, a paixão haitiana pela camisa amarela atravessa gerações. "Estamos no país do rei Pelé. Ronaldinho, Ronaldo e tantos outros marcaram a nossa história. É uma coisa incrível", resumiu.
A ligação dos haitianos com a Seleção Brasileira também aparece nos hábitos criados em dias de jogo. Segundo Junel, no Haiti as partidas do Brasil costumam mobilizar bairros inteiros.
"Na véspera do jogo já tem passeata, motocicletas e comemorações. Horas antes da partida, as pessoas colocam telões nas ruas e chamam os vizinhos para assistir juntos. É uma celebração coletiva", contou.
A reunião desta sexta-feira foi organizada pela Pastoral dos Migrantes. Integrante do serviço pastoral, Niura Montavão explica que a atividade buscou promover integração entre brasileiros e estrangeiros que vivem em Campo Grande.
Ela lembra que a relação de carinho dos haitianos pelo Brasil se fortaleceu após o terremoto que atingiu o Haiti em 2010.
"O Haiti tem um sentimento de gratidão pelo Brasil desde aquele período. Eles sempre foram fãs do futebol brasileiro. Basta ver as imagens da Copa de 2002. Parece que quem venceu o Mundial foi o Haiti, tamanha a festa que fizeram", disse.
Segundo Niura, o encontro coincidiu com as comemorações do Dia Nacional da Imigração e transformou a partida em uma oportunidade de confraternização.
"Eles se sentem felizes por competir com o Brasil. Existe a disputa porque precisa existir dentro de campo, mas há também um sentimento de irmandade", afirmou.




