Morto no 60º confronto do ano tinha histórico de tortura e tráfico
PM apreende 2 armas nesta sexta-feira (19); caso segue em apuração

Morto no 60º caso de intervenção policial registrado em Mato Grosso do Sul em 2026, Jhony Wesley Faria da Silva, o "Torto", de 32 anos, estava em liberdade condicional e possuía antecedentes por tortura qualificada, tráfico de drogas, roubo e uso de documento falso.
RESUMO
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As informações constam em boletim de ocorrência obtido pela reportagem após o confronto registrado na tarde desta sexta-feira (19), em Três Lagoas, a 327 quilômetros de Campo Grande, horas depois da tentativa de homicídio que deixou um frentista de 20 anos ferido a tiros na cidade.
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Segundo o documento, equipes da Força Tática realizavam diligências após receber informações de inteligência que apontavam a utilização de um clube no Bairro Carandá por pessoas supostamente envolvidas em homicídios e ataques a tiros relacionados à disputa entre facções criminosas.
Durante o monitoramento, os policiais viram um homem saindo do imóvel com uma sacola nas mãos e um volume aparente na cintura. Ao perceber a aproximação da viatura, ele tentou fechar o portão e dispensou a sacola. Em seguida, correu para o interior do estabelecimento.
O boletim relata que os militares deram ordem de parada, mas o suspeito não obedeceu. Conforme a versão registrada pelos policiais, Jhony sacou um revólver calibre 38 e apontou a arma em direção à equipe. Dois policiais efetuaram disparos.
O homem ainda apresentava sinais vitais quando foi socorrido pelos próprios militares e levado ao Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, mas morreu durante atendimento médico.
A identificação ocorreu após consultas aos sistemas de segurança pública. Os registros apontaram que Jhony cumpria livramento condicional e possuía passagens por crimes como tortura qualificada, tráfico de drogas, roubo e uso de documento falso.
Durante a ocorrência, os policiais apreenderam dois revólveres calibre 38 e 49 munições. De acordo com o boletim, uma das armas estava na cintura do suspeito. A segunda foi encontrada dentro da sacola que ele carregava. Também foi apreendida uma motocicleta.
Outro detalhe que chamou a atenção dos investigadores envolve o imóvel onde ocorreu a abordagem. A proprietária informou que o espaço havia sido alugado por uma pessoa que ela não conseguiu identificar. Segundo o relato, uma das exigências do locatário foi o desligamento do sistema de videomonitoramento durante o período de utilização do clube.
Histórico - O nome de Jhony também aparece em processo criminal que tramitou na Justiça de Três Lagoas. Em denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, ele e outras cinco pessoas foram acusados de tortura mediante sequestro.
Conforme a acusação, o grupo invadiu um apartamento no Residencial Tucano em abril de 2017, retirou a vítima à força do imóvel e a levou para uma casa no Bairro Vila Verde.
No local, segundo a denúncia, os acusados agrediram o homem com pedaços de madeira, cabo de rastelo e outros objetos durante aproximadamente uma hora para que ele confessasse ter incendiado um colchão.
Como o homem negou participação no fato, os denunciados o levaram para uma região de cascalheira, onde ele teria sido ameaçado com arma de fogo, amarrado e novamente espancado. Depois, o grupo libertou o homem, que conseguiu pedir ajuda e acionar a polícia.
A vítima apresentava diversas lesões pelo corpo e sangramento no nariz quando recebeu atendimento.
Investigação - Até o momento, não há confirmação oficial de que Jhony tenha participado da tentativa de homicídio registrada durante a madrugada desta sexta contra um frentista de 20 anos no Bairro Nova Três Lagoas.
Na ocasião, dois homens em uma motocicleta e usando capacetes fecharam a vítima quando ela chegava à casa de um amigo. O jovem correu e pulou muros para escapar dos atiradores, mas foi atingido por três disparos, dois no tórax e um no braço. Ele permanece internado no Hospital Nossa Senhora Auxiliadora.
A Polícia Civil investiga os dois casos.

