Após 2 mortes e pressão nas UPAs, Capital promete força-tarefa para rever Saúde
Grupo terá 90 dias para elaborar relatório sobre sistema, criticado pela demora e falhas no atendimento
A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) criou um grupo de trabalho para estudar mudanças na RAS (Rede de Assistência à Saúde) de Campo Grande. A equipe terá prazo de 90 dias para apresentar um relatório conclusivo com diagnóstico, diretrizes e propostas para reorganização da rede municipal de saúde
RESUMO
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A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande criou um grupo de trabalho para estudar mudanças na Rede de Assistência à Saúde do SUS municipal. O grupo, formado por representantes de diversos setores, tem 90 dias para apresentar diagnóstico e propostas de reorganização dos serviços. O objetivo é melhorar a eficiência, ampliar o acesso e integrar o atendimento entre postos, UPAs, hospitais e centros especializados.
A medida foi publicada em resolução nesta segunda-feira (11), no Diogrande (Diário Oficial). O sistema de saúde em Campo Grande é alvo de constantes reclamações dos usuários, por conta da demora no atendimento ou falta de profissionais. No dia 29 de abril, a morte de Hannah Julia, de 8 anos, evidenciou ainda mais a situação, depois que ela passou por quatro unidades de saúde. Foi o segundo caso do tipo no ano. O primeiro ocorreu em 7 de abril, com a morte do menino João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos.
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A RAS funciona como o “mapa” que organiza o atendimento dentro do SUS. É ela que conecta postos de saúde, UPAs, centros especializados, hospitais, exames e serviços de encaminhamento para tentar evitar um sistema fragmentado.
Segundo o texto, o objetivo do grupo será analisar a estrutura atual da rede pública e propor medidas para reorganizar os serviços oferecidos à população. A justificativa da Sesau é a necessidade de melhorar a eficiência, ampliar o acesso e garantir mais integração no atendimento.
O grupo será formado por representantes titulares e suplentes de diversos setores da secretaria.
O GT terá prazo de 90 dias. A participação será considerada serviço público relevante, sem pagamento adicional aos integrantes.
Neste ano, o Campo Grande News mostrou casos de pacientes esperando horas por atendimento nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) Leblon, Universitária e Moreninhas, além de relatos de falta de médicos na UPA Coronel Antonino, onde usuários afirmaram aguardar mais de quatro horas mesmo em situações consideradas prioritárias.
Crise - No mês passado, duas crianças morreram após idas reiteradas às unidades de saúde de Campo Grande.
Em 7 de abril, o menino João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, morreu após passar por diferentes unidades de saúde da Capital ao longo de vários dias. A família relata que ele procurou atendimento após uma queda que machucou o joelho, mas acabou liberado sucessivas vezes mesmo com dores fortes e piora no quadro. O caso passou pelas UPAs Tiradentes e Universitário, além da Santa Casa, e é investigado pela Polícia Civil após registro de boletim de ocorrência por homicídio culposo.
No dia 29, a menina Hannah Julia, de 8 anos, morreu após passar quatro vezes por unidades de saúde da Capital, incluindo três atendimentos na UPA Leblon. A família questiona a assistência prestada e aponta falhas no atendimento.
A menina foi levada ao Centro Regional de Saúde em 24 de abril por estar com sintomas respiratórios e febre alta. Os primeiros exames apontaram um quadro viral.
Ela deu entrada na UPA no dia 27, após uma piora. A glicemia foi aferida e estava em 151 mg/dL, de acordo com o que Sara ouviu de uma médica. "Ela disse que era normal, mas estranhei", afirma.
No CRS e na UPA, a paciente recebeu dipirona e soro fisiológico. Os pais foram orientados a levar a criança para casa três vezes. Só teriam que retornar caso ela se sentisse mal novamente. Com vômitos constantes e inchaço ao redor dos olhos, ela esteve na UPA Leblon duas vezes no dia 28.
Na última ida, já estava pálida, com dores em todo o corpo, inclusive na nuca, e não conseguia andar. Outro sintoma era calafrio. Um raio-x e mais outros novos exames seriam feitos, mas a mãe pediu que a medicação fosse dada antes devido ao estado da menina.
O atestado de óbito que a família recebeu diz que houve uma parada cardiorrespiratória com choque por motivo a esclarecer.
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Esse caso foi sugerido por leitor que enviou mensagem pelo canal Direto das Ruas.



