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Capital

Após 3 dias, polícia vai à reserva ambiental investigar morte de capoeirista

Raul Bartzik foi encontrado embaixo de uma ponte da reserva do Cras, ao lado do Parque das Nações Indígenas

Por Geisy Garnes e Cristiano Arruda | 06/10/2021 14:42
Corpo de Raul foi encontrado na área de reversa do CRAS. (Foto: Marcos Maluf)
Corpo de Raul foi encontrado na área de reversa do CRAS. (Foto: Marcos Maluf)

Equipes da 3ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande investigam a morte do capoeirista Raul Bartzik, de 18 anos. O corpo dele foi encontrado no domingo, dia 2, embaixo de uma ponte da reserva ambiental do Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), ao lado do Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande. Nesta manhã, policiais foram ao local em busca de provas que ajudem a entender o que de fato aconteceu com o jovem.

O corpo de Raul foi encontrado no por volta das 11h de domingo. Desde então, a principal suspeita é de que ele tenha tirado a própria vida. Na polícia, porém, o caso é tratado como morte a esclarecer.

Os motivos que levaram o capoeirista ao ato extremo começaram a ser divulgados pelos amigos e família nas redes sociais. Segundo os depoimentos, Raul revelou, no ano passado, ter sido vítima de abusos sexuais por parte da pessoa que deveria o instruir: o professor de capoeira com quem teve aula por vários anos.

Cansado de conviver com a dor, o rapaz se uniu a outras supostas vítimas do mesmo mestre em busca de justiça. A falta de resposta ao clamor para que o acusado fosse punido, levou o jovem a ser um dos coordenadores de protesto contra o instrutor.

Delegado Ricardo Meirelles, responsável pela investigação. (Foto: Marcos Maluf)
Delegado Ricardo Meirelles, responsável pela investigação. (Foto: Marcos Maluf)

Nesta manhã (6), equipe da 3ª Delegacia de Polícia Civil voltou ao Parque das Nações para uma nova perícia no local em que o corpo de Raul foi encontrado. Segundo o delegado Ricardo Meirelles Bernardinelli, a área em que o rapaz estava é privada e de acesso proibido. Até o momento, no entanto, os indícios apontam que ele de fato chegou sozinho lá.

Ao lado do corpo, a polícia encontrou um fio e outros objetos que não foram divulgados. A própria causa da morte, conforme o delegado, ainda é apurada. Ao Campo Grande News, o responsável pelo inquérito explicou ainda que a ligação da morte com as denúncias de estupro também são investigadas.

Parentes de Raul ainda devem prestar depoimento na delegacia. “Vou ouvir os familiares para tentar entender o que de fato aconteceu, tentar entender o que levou a morte desse menino, se realmente foi suicídio ou alguém tirou a vida dele”, afirmou Meirelles.

Conforme apurado pela reportagem, há denúncia formal de Raul contra o mestre de capoeira por importunação sexual, em 2020. Além disso, outras vítimas procuraram a polícia. Em processo resultado de uma das acusações, ele foi condenado a 9 anos e quatro meses de reclusão. Apesar da sentença, o professor ganhou o direito de recorrer em liberdade.

O nome do mestre de capoeira não foi divulgado, porque ele é tratado como suspeito nos casos ainda em investigação e o processo que resultou em condenação, ainda não concluído, tramitou em sigilo.

(Matéria editada às 12h46 de 07 de outubro para correção de informação)

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