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Capital

Após bate-boca em júri, réu pega 14 anos de prisão por assassinato de colega

Defesa de motoentregador vai pedir anulação do julgamento

Por Adriano Fernandes e Geyse Garnes | 24/09/2021 14:59
Bruno Cézar de Carvalho de Oliveira durante o julgamento desta sexta-feira (24). (Foto: Paulo Francis) 
Bruno Cézar de Carvalho de Oliveira durante o julgamento desta sexta-feira (24). (Foto: Paulo Francis)

O julgamento marcado por confusão com direito a bate-boca entre acusação e defesa, além a evacuação do plenário, terminou com o motoentregador Bruno Cézar de Carvalho de Oliveira, de 25 anos, sendo condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato de Emerson Salles Silva, de 33 anos, e por porte ilegal de arma de fogo. O crime aconteceu em agosto do ano passado em uma lanchonete, na Avenida Mato Grosso, em Campo Grande.

Onze anos da pena equivalem ao crime de homicídio privilegiado (quando o acusado age sob violenta emoção), qualificado por recurso que dificultou a defesa da vítima. A tese de homicídio privilegiado foi sustentada pelo próprio advogado do réu, Alex Viana de Melo, que alegava que o cliente agiu movido pela raiva após sofrer meses de agressões verbais e até físicas por parte da vítima.

Pelo porte de arma, o conselho de jurados da 2ª Vara do Tribunal do Júri também considerou Bruno culpado e ele ganhou mais 2 anos e 4 meses e 15 dias-multa de pena, totalizando 14 anos de prisão em regime fechado, conforme cálculo feito pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos.

Anulação - Após se envolver em confusão e troca de ataques com o promotor Douglas Oldegardo Cavalheiro dos Santos o advogado de Bruno, Alex Viana de Melo, informou que vai pedir anulação do julgamento por acreditar que a briga "influenciou no resultado do julgamento".

O promotor e o advogado do réu bateram boca momentos antes do fim do júri. Para sustentar a tese de que o cliente é um "sobrevivente" e que as circunstâncias da vida o levaram a ter uma arma para se defender, o advogado passou a tocar no nome do promotor e também do juiz.

Douglas se irritou e chegou a dizer que Alex Viana era “advogado do PCC” e a chamá-lo de "canalha". O juiz Aluízio Pereira dos Santos pediu reforços da Polícia Miltar e mandou retirar os presentes do plenário.

Aluízio disse ainda que vai comunicar o ocorrido ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e a OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul). “Vocês vão ter que dar explicação à chefia de vocês, eles que vão avaliar se isso é correto ou não. Muito desagradável, muito chato”.

O crime - O crime aconteceu na noite do dia 13 de agosto do ano passado, em frente à lanchonete onde os dois trabalhavam, na Avenida Mato Grosso, região central de Campo Grande. Conforme a denúncia, no dia anterior ao crime, Bruno não foi trabalhar na lanchonete e deixou Emerson irritando por ter ficado sobrecarregado. Os dois discutiram por mensagens de WhatsApp.

No dia 13, Bruno perguntou para outro colega se a vítima já estava na lanchonete. Quando recebeu “não” como resposta, avisou: “É bom que ele não apareça aqui hoje”. Logo que Emerson chegou para trabalhar, os dois começaram a discutir novamente.

Os dois passaram a trocar socos, mas foram separados por outros funcionários. Foi então que Bruno pegou novamente a arma e atirou três vezes em direção a Emerson.

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