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Capital

Após chefe ser afastado, delegacia aumenta em 74% número de presos

Só o número de prisões em flagrante, representa um aumento de 1.600%, se comparado ao ano anterior

Por Adriano Fernandes e Marta Ferreira | 17/12/2020 22:40
Local onde foi achado em novembro, o corpo de chargista, um dos casos investigados pela DEH. (Foto: Arquivo Campo Grande News)
Local onde foi achado em novembro, o corpo de chargista, um dos casos investigados pela DEH. (Foto: Arquivo Campo Grande News)

Após a saída do delegado Márcio Shiro Obara do comando da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios), em Campo Grande, a delegacia aumentou em 74% o número de prisões.  Entre mandados cumpridos e flagrantes, foram 75, enquanto em 2019, no mesmo período, foram 26.

No ano passado, quando foi deflagrada a Operação Omertà, a delegacia passou por um vai e vêm na titularidade, até que em novembro houve a efetivação da troca e manutenção de Carlos Delano na chefia. Ele também integra a força-tarefa responsável pelo trabalho de investigação da Omertà.

Em abril de 2019, durante as investigações da execução por engano de Matheus Coutinho Xavier, a unidade teve duas trocas de titulares. No dia 3, o Diário Oficial do Estado trouxe a designação do delegado Carlos Delano, para comandar a delegacia.

Na mesma data, Obara assumiu a 3ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, no Carandá Bosque. Na sequência, a Polícia Civil colocou Obara novamente para comandar a DEH, enquanto Delano foi para a função de assessor especializado na Corregedoria da Polícia Civil.

Em novembro de 2019, depois que a Operação Omertà citou Obara como suspeito de dar cobertura às ações de milícia armada alvo das apurações, Delano voltou para DEH.

Este ano, em junho, Obara  foi preso na 3ª fase da operação acusado de esconder provas na apuração do assassinato do policial militar Ilson Martins de Figueiredo, uma das vítimas do grupo de extermínio chefiada pelo empresário Jamil Name. Ele ficou 50 dias na cadeia e saiu com uso de tornozeleira eletrônica.

Números - Nesse intervalo de um ano, segundo balanço divulgado pela DEH, somadas as prisões em flagrante e cumprimentos de mandados, a delegacia já encarcerou 75 pessoas, em 2020, enquanto no ano passado foram 26 presos.

Só o número de prisões em flagrante teve aumento de 1,600%, se comparado ao ano anterior.  Enquanto no mesmo período em 2019, uma pessoa foi presa pela especializada, este ano foram 17.

O acréscimo na quantidade de mandados de prisão cumpridos foi de 132%, de 25 para 58.

Em relação à conclusão de investigações, foram 40 este ano, 38% a mais que no intervalo de tempo anterior, quando haviam sido 29.

O resultado, segundo o delegado Carlos Delano, atual titular da DEH, é o reflexo da capacitação dos agentes, aliado a novos métodos de investigação. Em várias apurações, por exemplo, o rastreamento do celular e da vida "virtual" dos investigados levou a provas contra eles.

Atribuímos o aumento de produtividade ao esforço em manter o pessoal capacitado e apto a utilizar novos métodos de investigação, notadamente envolvendo tecnologia, para alcançar melhores resultados”, comenta.

Delegado Carlos Delano dá entrevista durante as ações que levaram a prisão o serial keller Cleber de Souza Carvalho. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
Delegado Carlos Delano dá entrevista durante as ações que levaram a prisão o serial keller Cleber de Souza Carvalho. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Serial killer - Entre as investigações de maior repercussão esclarecidas pela delegacia, em 2020, está a prisão do serial killer Cleber de Souza Carvalho, o "Pedreiro Assassino", que confessou sete mortes de homens a pauladas e está sendo processado pelos crimes.

Outro caso concluído foi homicídio do funileiro Adimilson Estácio, de 44 anos, que foi assassinado em abril por dois homens que trabalhavam para ele na oficina mecânica da vítima, no Bairro Pioneiros, em Campo Grande. Os criminosos, Jorge de Oliveira, de 32 anos, e Alex Oliveira, foram presos e revelaram que acertaram uma pancada na cabeça da vítima e depois o asfixiaram.

O trabalho de investigação da delegacia também indicou Rômulo Rodrigues Dias, de 34 anos, como o responsável pela morte da esposa Graziela Pinheiro Rubiano, de 36 anos, que sumiu sem deixar vestígios também em abril deste ano.

O inquérito apontou que “Grazi” foi morta e esquartejada pelo marido, com quem vivia no Bairro Jóquei Club, em Campo Grande.

O feminicídio de outra "Grazi", Maria Graziele Dias, de 21 anos foi investigado pela Homicídios e levou à prisão do ex-marido dela, Lucas Pergentino, 26 anos, que é réu pelo crime.

Também está entre os casos da unidade policial de 2020 o brutal assassinato de Carla Magalhães, aos 25 anos, pelo vizinho, Marcos André Vilalba de Carvalho, 21 anos, que está preso e é alvo de ação criminal por feminicídio, ocultação de cadáver e estupro.

No mês passado, a delegacia investigou o sumiço do cartunista Marcos Antônio Borges, de 54 anos, que foi assassinato pela massoteurapeuta Clarice Silvestre de Azevedo, de 44 anos. Presa, ela confessou ter esquartejado o corpo da vítima, colocado em três malas e incendiado, com a juda do filho de 21 anos.

A DEH investiga casos que começam com desaparecimentos de pessoas. Para denunciar um caso, as pessoas podem utilizar-se do número de Watsapp 99238-4923.


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