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Capital

Após dois anos, obra na Ernesto Geisel ainda causa transtornos no Amambai

Intervenção em trecho de 600 metros tem previsão de conclusão para dezembro, segundo a Sisep

Por Duda Schindler e Bruna Melo | 30/10/2026 17:00

Há mais de dois anos as obras na pista da Avenida Ernesto Geisel interferem na rotina dos moradores do bairro Amambai, em Campo Grande. No trecho entre as ruas Abolição e Bom Sucesso, próximo ao Shopping Norte e Sul, a demora na conclusão dos serviços provoca reclamações sobre trânsito, infraestrutura e falta de informações sobre o andamento dos trabalhos.

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Obras na Avenida Ernesto Geisel, no bairro Amambai, em Campo Grande, se arrastam há mais de dois anos e provocam reclamações sobre trânsito, esgoto a céu aberto, calçadas danificadas e falta de informações. Moradores também apontam prejuízos ao comércio e insegurança. A intervenção, executada pela HF Engenharia em contrato de R$ 20,9 milhões, busca conter o córrego Anhanduí e prevenir alagamentos. A Sisep prevê concluir os serviços em dezembro.

Moradora da região há cerca de 15 anos, a aposentada Elys Regina Delmontes, de 54 anos, acompanha a intervenção desde o início e questiona o tempo necessário para executar os serviços. “Nós estamos há mais de dois anos com apenas 600 metros de um lado, uma margem do córrego Anhanduí. Apenas 600 metros, é inacreditável”, desabafa.

A obra foi planejada para conter as margens do córrego, evitar alagamentos e recuperar a estrutura da avenida. No entanto, segundo Elys, a execução prolongada trouxe outros problemas para quem vive na proximidade.

A moradora afirma que já acompanhou a passagem de aproximadamente três empreiteiras pelo local e cobra explicações sobre as interrupções e recursos destinados ao projeto.

Após dois anos, obra na Ernesto Geisel ainda causa transtornos no Amambai
Elys Regina Delmontes mora na região há cerca de 15 anos. (Foto: Duda Schindler)

“A população de Campo Grande precisa ter informação para poder cobrar. A gente não sabe o quanto efetivamente veio de recurso, em quantas etapas e por que já passaram três empreiteiras”, questionou.

Além da demora, Elys relata problemas na rede de esgoto, calçadas danificadas e estruturas de contenção que apresentam sinais de deterioração. Na Rua Ouro Verde, segundo ela, há pontos de esgoto a céu aberto. A moradora também questiona a ausência de corrimão em alguns trechos e a qualidade dos serviços executados.

Após dois anos, obra na Ernesto Geisel ainda causa transtornos no Amambai
Moradores relatam problema na rede de esgoto na Av. Ernesto Geisel. (Foto: Bruna Melo)

Trânsito e inseguranças - Os transtornos também atingem quem precisa circular pelo bairro. Com alterações no fluxo de veículos e utilização de ruas próximas como desvios, moradores relatam que as vias não comportam o aumento do movimento.

O morador Emerson Rodrigues de Souza, de 50 anos, também reclama das condições do trecho. Ele afirma que os desvios estão esburacando e que a demora da conclusão dos serviços prejudica comerciantes e moradores.

“Consegue perceber que o pessoal que tinham comércio nesse pedaço quebrou? Fechou tudo. São poucas famílias, mas são famílias de Campo Grande que sustentavam suas casas através do que ganhavam aqui”, afirmou.

Emerson também relata preocupação com a ocupação de espaços próximos à obra e sensação de insegurança na região. Para ele, a falta de conclusão dos serviços contribui para o abandono de áreas que poderiam ser urbanizadas.

Após dois anos, obra na Ernesto Geisel ainda causa transtornos no Amambai
Prazo inicial para finalização das obras era em janeiro de 2026. (Foto: Bruna Melo)

Previsão de conclusão - No início de outubro, o titular da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), André Brandão, informou ao Campo Grande News que a previsão para finalizar os serviços é dezembro deste ano. 

Na ocasião, ele explicou que, após concluir a pista no sentido bairro-centro, a Prefeitura pretende executar o recapeamento no lado oposto da avenida. Segundo o secretário, essa etapa deve ser mais rápida, porque não exige os mesmos trabalhos de contenção realizados anteriormente.

“Na outra lateral, será mais rápido, porque é só fresagem e aplicação do recapeamento. Já não tem mais intervenção no leito”, afirmou.

Brandão também informou que as pendências administrativas envolvendo a repactuação com a Caixa Econômica Federal e a reformulação do projeto foram resolvidas. Segundo ele, os entraves restantes são técnicos e estão relacionados à ampliação da massa asfáltica.

A obra é executada pela HF Engenharia e Construção e integra um contrato de R$ 20,9 milhões, financiado pelo Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento), da Caixa.

O prazo inicial para conclusão dessa etapa era fevereiro de 2026. Em julho de 2025, durante visita ao canteiro, a Prefeitura informou que 65% do cronograma havia sido executado.

O Campo Grande News contatou a Sisep para esclarecer sobre o estágio atual das obras e quais etapas ainda precisam ser executadas para a finalização dos trabalhos. O espaço segue aberto para manifestações.