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Política

Tereza aposta em mulheres contra caciques para chegar ao comando do Senado

Senadora reforça discurso por mais mulheres nos espaços de poder enquanto enfrenta resistência de lideranças

Por Jhefferson Gamarra | 30/10/2026 15:29
Tereza aposta em mulheres contra caciques para chegar ao comando do Senado
Senadora Tereza Cristina pensativa durante sessão no Senado (Foto: Ton Molina/Agência Senado)

A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP) tenta fortalecer a bancada feminina do Congresso Nacional como trunfo para viabilizar sua candidatura à Presidência do Senado Federal, em fevereiro de 2027. Em meio à resistência de caciques partidários e ao apoio declarado da Federação União Progressista à reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a parlamentar voltou a defender, nesta sexta-feira (30), a ampliação da presença de mulheres nos espaços de decisão política.

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A senadora Tereza Cristina (PP-MS) busca fortalecer a bancada feminina para viabilizar sua candidatura à Presidência do Senado em fevereiro de 2027. Ela defendeu mais mulheres em cargos de liderança, apesar de a Federação União Progressista ter anunciado apoio à reeleição de Davi Alcolumbre. A senadora lembra que o voto é secreto e aposta no diálogo com as 12 novas parlamentares. O PL, com 29 senadores, é outro obstáculo.

Em vídeo publicado em colaboração com o perfil da Bancada Feminina no Congresso, Tereza destacou a importância da representatividade das mulheres no Parlamento e defendeu que elas ocupem também posições de liderança na Câmara dos Deputados e no Senado. A manifestação ocorre em um momento de articulação pela sucessão de Alcolumbre, na qual a senadora busca apoio entre as parlamentares para tentar se tornar a primeira mulher a presidir a Casa.

“Mulheres preparadas precisam estar onde o Brasil é debatido, decidido e transformado. Quando uma mulher ocupa um espaço de decisão, não é apenas uma conquista individual. É um avanço para todas nós. Por isso, é tão importante fortalecer a bancada feminina no Congresso”, afirmou.

A senadora também argumentou que a participação feminina contribui para ampliar o debate e aproximar as políticas públicas da realidade das famílias brasileiras. “Também precisamos ampliar a participação feminina nas posições de liderança, tanto na Câmara quanto aqui no Senado. E essa presença deve estar em todas as instituições que tomam decisões importantes para o país”, acrescentou.

A publicação foi compartilhada pela Bancada Feminina, que reforçou a necessidade de ampliar a representatividade das mulheres no Parlamento, no Judiciário e nas demais instituições. O grupo afirmou que continuará trabalhando para fortalecer o debate sobre a participação feminina nos espaços de poder.

Disputa com obstáculos - O discurso de Tereza ocorre em meio a um cenário desfavorável dentro das articulações partidárias. Na terça-feira (27), a Federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil, anunciou apoio à recondução de Alcolumbre ao comando do Senado. A decisão contrariou os planos da própria senadora, filiada ao Progressistas, que já havia manifestado publicamente o desejo de disputar a Presidência da Casa.

Em resposta, Tereza ressaltou que a eleição será definida apenas em fevereiro, por meio do voto secreto dos 81 senadores. A parlamentar argumentou que os integrantes da próxima legislatura terão liberdade para decidir e que a posição anunciada pelas direções partidárias não encerra a discussão sobre a sucessão.

A senadora também destacou a importância de ouvir os colegas e receber os novos integrantes da Casa, especialmente as 12 mulheres que passarão a integrar a bancada feminina. Na ocasião, afirmou que pretende manter o diálogo como principal instrumento de articulação política.

A estratégia ganha relevância diante da resistência do PL, que deverá ter a maior bancada do Senado, com 29 parlamentares. O partido tem interesse em disputar a Presidência da Casa e dificilmente abriria mão do posto sem uma negociação que assegure vantagens políticas.

Além de Alcolumbre, apontado como favorito e apoiado pelo Palácio do Planalto, outro nome que aparece nas articulações é o do senador Rogério Marinho (PL-RN), que conta com a simpatia do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nos bastidores, Tereza e Marinho já teriam conversado sobre a possibilidade de um apoiar o outro para evitar uma divisão de forças contra Alcolumbre. Em outubro, o senador eleito por Mato Grosso do Sul Reinaldo Azambuja (PL) relatou ao Campo Grande News que os dois haviam concordado em não disputar a eleição um contra o outro.

Aposta na representatividade - A composição projetada do Senado para 2027 terá 19 mulheres entre os 81 parlamentares, o equivalente a 23,5% das cadeiras. O número representa um crescimento da participação feminina na Casa, que contará com 12 novas senadoras eleitas em 2026 e outras sete que já exercem mandato até 2031.

Entre as eleitas neste ano estão Bia Kicis (PL-DF), Carol de Toni (PL-SC), Gracinha Caiado (União-GO), Luizianne Lins (Rede-CE), Mara Rocha (Republicanos-AC), Marília Arraes (PDT-PE), Marília Campos (PT-MG), Marina JHC (PSDB-AL), Michelle Bolsonaro (PL-DF), Rayssa Furlan (Podemos-AP), Samanda de Lula (PT-RN) e Teresa Surita (MDB-RR).

Elas se juntarão a Ana Paula Lobato (PSB-MA), Cheila Moreira (PT-AM), Damares Alves (Republicanos-DF), Professora Dorinha Seabra (União-TO), Jussara Lima (PSD-PI), Teresa Leitão (PT-PE) e à própria Tereza Cristina (PP-MS), que têm mandatos de 2023 a 2031.

Com isso, as mulheres ocuparão 19 das 81 cadeiras, enquanto os homens serão 62, correspondendo a 76,5% da composição. Embora ainda representem menos de um quarto do Senado, as 19 parlamentares formam um grupo que Tereza pode tentar mobilizar em torno da candidatura inédita de uma mulher à Presidência da Casa.

Tereza aposta em mulheres contra caciques para chegar ao comando do Senado

Na avaliação do analista político Daniel Miranda, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o tamanho da bancada do PL e o perfil pragmático da federação da qual Tereza faz parte dificultam sua candidatura. O deputado federal Geraldo Resende (União Brasil), por sua vez, também avalia que Alcolumbre chega à disputa em posição mais favorável.

Apesar dos obstáculos, Tereza mantém o discurso de que a decisão cabe individualmente a cada senador. A senadora aposta na articulação feminina, no diálogo com os novos integrantes da Casa e na possibilidade de construir uma composição que ultrapasse as divisões partidárias para tentar alcançar um feito inédito na história do Senado.