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Capital

Após ser chamado de burro e macaco, funcionário denuncia instrutor à polícia

O caso aconteceu por volta das 4h desta sexta-feira (28), no Burger King, localizado na Avenida Afonso Pena, região central

Por Viviane Oliveira | 28/02/2020 09:46
Fachada do Burger King localizado na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande (Foto: Marcos Maluf)
Fachada do Burger King localizado na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande (Foto: Marcos Maluf)

Funcionário de uma rede de restaurante fast food há mais de 2 anos registrou boletim de ocorrência após ser chamado pelo instrutor de burro e macaco. O caso aconteceu por volta das 4h desta sexta-feira (28), no Burger King, localizado na Avenida Afonso Pena, região central de Campo Grande. O caso foi registrado como injúria racial na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro. De janeiro até agora, foram registrados 24 crimes desta natureza na Capital.

Conforme boletim de ocorrência, o rapaz de 24 anos contou que atendia no balcão quando seu instrutor de 23 anos passou a reclamar do seu serviço dizendo que o funcionário não sabia fazer nada o chamando na sequência de burro e macaco. Ofendida, a vítima acredita que sofreu discriminação por causa da sua raça negra. O jovem afirmou ainda durante a confecção da ocorrência que deseja prosseguir com o andamento da ação contra o autor.

Procurado, o instrutor admitiu que chamou a vítima de macaco, mas negou que tenha o chamado de burro. Ele contou que a confusão começou depois que pediu para a vítima fazer mais carnes. Porém, o funcionário passou a fazer mais do que havia sido solicitado, situação que resultou nos xingamentos. “Eu sou preto também. Não quis discriminar nem ofender ninguém. Foi da boca para fora. Nós somos colegas e não imaginava que ele iria ficar tão sentido”, lamentou.

O autor também afirmou que já foi chamado pela vítima por apelidos pejorativo e não ligou. A reportagem tentou falar com a assessoria de imprensa do Burger King, mas não conseguiu contato. De acordo com dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), no ano passado foram registrados 124 crimes de injúria, um caso a mais em relação a 2018.

Segundo publicação no CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a injúria refere-se à ofensa da honra de alguém, valendo-se de elementos da raça, cor, etnia, religião ou origem. Em geral, os crimes de injúria estão associados ao uso de palavras depreciativas referentes à raça ou cor, com intenção de ofender. A pena para esse tipo de crime varia de detenção de um a seis meses ou multa.