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Capital

“Aqui, o frio dói”, dizem moradores do Nova Lima, a região mais gelada da cidade

Como a região é mais alta do que o restante da cidade, o bairro acaba ficando exposto aos ventos gelados

Por Viviane Oliveira e Bruna Marques | 12/06/2022 10:23
Moradores agasalhados em feira do Bairro Nova Lima na manhã deste domingo. (Foto: Kísie Ainoã)
Moradores agasalhados em feira do Bairro Nova Lima na manhã deste domingo. (Foto: Kísie Ainoã)

“Aqui, o frio chega dói”. A cozinheira Maria Alves Ramos Rodrigues, 69 anos, hoje penou para levantar da cama, no bairro onde mora há 36 anos: o Nova Lima, localizado na saída para Cuiabá, em Campo Grande, em área alta da cidade e, por isso, mais exposta aos ventos gelados deste domingo. Se a temperatura chegou a 5,8ºC, com sensação de zero, imagine lá.

Segundo o meteorologista da Uniderp, Natálio Abrahão, o bairro realmente sofre com as temperaturas mais baixas do que o resto da cidade. A explicação está na geografia do bairro. Como a região é mais alta do que o restante da cidade, o bairro acaba ficando exposto a ventos mais intensos. Outros fatores que influenciam são: vegetação alta ou espaços com grandes áreas desmatadas. A situação contribui também para as temperaturas mais quentes no verão.

Maria Alves disse que por lá todo mundo reclama das temperaturas baixas no período do inverno. Com uma rotina de sair todo dia às 5h30 da manhã para ir trabalhar, Maria enfrenta o frio com muitos casacos. “Pra mim, a pior parte é levantar cedo e ter que enfrentar o banho para sair. Quando eu saio, ainda está serenando e muito frio”, contou.

Maria disse que o frio no Nova Lima dói. (Foto: Kísie Ainoã)
Maria disse que o frio no Nova Lima dói. (Foto: Kísie Ainoã)

A cozinheira acredita que a região também é a mais gelada por causa dos córregos e das matas. “Deve ser por isso, sempre morei aqui e sempre foi frio. Mesmo dentro de casa, tem que usar bastante cobertor. Fico imaginando quem vive em situação de rua aqui na região”, destacou.

Para a doméstica Júlia Bento da Silva, de 43 anos, o bairro é mais arborizado. “Antes, eu morava nas Moreninhas e aqui é bem mais frio que lá. Esse ano parece que o frio está dobrado. Só dentro de casa para aguentar, com muito cobertor e com pijamas de manga comprida. Eu não gosto de frio. Pra mim, é superproblema, eu fico doente direto. A imunidade baixa e eu acabo ficando gripada. Não precisava desse frio todo. Hoje de manhã, estava marcando 4ºC. Você está doido?”, brincou.

O bairro é tão gelado que o funcionário público Arley Matos, de 58 anos, prefere ir de ônibus trabalhar a ir de moto no frio. “A região norte sempre foi muita fria. O frio da manhã é o pior. Tenho motocicleta, mas não dá para encarar o vento. Dentro de casa, tem que ficar bem agasalhado. Eu evito até ficar fora de casa. Ainda bem que a gente tem casaco para enfrentar o inverno. Aqui, quando é calo,r é calor, quando é frio, é bem frio”, disse. Mesmo assim, Arley dá graças a Deus por morar no Centro-Oeste. “Aqui é melhor que no Sul do Brasil. Pensa no frio que eles estão lá?”, garantiu.

Nos dias mais frios, Arley prefere ir para o trabalho de ônibus a ter que enfrentar o vento de motocicleta. (Foto: Kísie Ainoã)
Nos dias mais frios, Arley prefere ir para o trabalho de ônibus a ter que enfrentar o vento de motocicleta. (Foto: Kísie Ainoã)

A feirante Auresia Guedes dos Santos, de 57 anos, levantou 6 horas para montar a barraca de frutas e quando o sol deu as caras, aproveitou para se esquentar mesmo vestida com três casacos, cachecol, calça e botas. “A gente levantou às 5h da manhã, tomou café e veio pra cá. Eu sou muito friorenta, qualquer ventinho fico tremendo. Não gosto de frio. Era de Coxim e lá é bem quente. Não há necessidade de um frio assim, mas é coisa da natureza. O que Deus manda, a gente aceita”, disse.

Na Capital, os termômetros marcaram 5,8ºC com sensação térmica de 0ºC, entre as 6h e 7h da manhã deste domingo.

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