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Capital

Bairro supera passado de "bang-bang" e vive tranquilidade após regularização

Área ocupada em 2017 ganhou infraestrutura e hoje moradores vivem menos no "Deus nos acuda"

Por Geniffer Valeriano | 05/04/2026 13:36
Bairro supera passado de "bang-bang" e vive tranquilidade após regularização
Ruas continuam sem asfalto, mas hoje possuem rede de esgoto e recebem coleta de lixo (Foto: Juliano Almeida)

“Quando cheguei aqui era um Deus nos acuda”, relembra Sebastiana Ferreira, de 65 anos, uma das primeiras moradoras do Novo Samambaia. O bairro nasceu da ocupação do Samambaia Country Club, no Jardim Los Angeles, em 2017. Atualmente, a antiga invasão já foi regularizada, recebeu água tratada, rede de esgoto e energia elétrica, deixando para trás os cenários de “bang-bang”.

RESUMO

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O antigo Samambaia Country Club, em Campo Grande, transformou-se no bairro Novo Samambaia após uma ocupação iniciada em 2017. A área, que viveu o auge nos anos 90, passou por um processo de regularização fundiária finalizado pela Prefeitura em 2022. Atualmente, os moradores contam com infraestrutura de energia elétrica, água tratada, rede de esgoto e coleta de lixo. A comunidade relata uma redução significativa na violência e melhorias na qualidade de vida urbana desde a ocupação.

Hoje, quem passa pela Avenida dos Cafezais, quase na esquina com a Rua Engenheiro Paulo Frontin, vê apenas o muro que restou do espaço. A área está à venda e ainda abriga duas casas, além de bancos e cadeiras que são os únicos resquícios da época de ouro do clube.

O fim dos anos 1980 e a década de 1990 marcaram o auge do local. Em 2000, o fundador morreu vítima de infarto, dando início a um processo que levou ao fechamento do clube. Até 2005, os filhos ainda administraram o espaço, mas decidiram entrar com o inventário. Durante o funcionamento, o clube chegou a registrar aproximadamente 5 mil sócios.

Bairro supera passado de "bang-bang" e vive tranquilidade após regularização
Bairro supera passado de "bang-bang" e vive tranquilidade após regularização
Fachada do Samambaia Cuntry Club resiste após invasão da área (Foto: Juliano Almeida/Reprodução Google Street View)

A ocupação começou em 2017 de forma organizada e contou, inclusive, com uma associação. A área foi dividida em terrenos de 10 por 20 metros para cada família.

Sebastiana chegou pouco depois dessa divisão. “Quem invadiu vendeu para mim o lote e eu construí minha casa. Tem gente que comprou agora, mas, quando começou, todos começaram do zero”, conta. Ela lembra que, na época, o clube já apresentava sinais de abandono.

Até a regularização, a moradora viveu com ligações clandestinas de energia e uso de água de poço. “Foi difícil e ainda não é fácil. [...] Quando a gente precisa, vai fazendo. É que nem ninho de pombo: constrói uma peça hoje, outra amanhã e consegue”, relata.

Bairro supera passado de "bang-bang" e vive tranquilidade após regularização
Sebastiana chegou a ocupação pouco após a divisão dos lotes ser realizada (Foto: Juliano Almeida)

Hoje, a casa dela passou de dois para quatro cômodos. Na varanda, uma parreira e um pé de graviola recebem as visitas. No quintal, flores ajudam a compor a decoração. A calçada ainda tem poucas plantas, mas deve ganhar mais em breve.

Com o passar dos anos, mudanças passaram a ser percebidas por quem vive na região há mais de nove anos, principalmente a redução da violência. “Antigamente era mais na bala, mas a vizinhança já mudou bastante e hoje tem muitos idosos morando aqui. É bem tranquilo. Os ‘bang-bang’, os filmes de faroeste, acabaram faz tempo”, afirma.

A comerciante Ana Claudia Ferreira, de 49 anos, conta que foram os filhos que participaram da ocupação. Hoje, eles têm casas no local e, em um dos terrenos, ela mantém uma marmitaria e salgadaria.

Bairro supera passado de "bang-bang" e vive tranquilidade após regularização
Padrões de energia são conquistas celebradas por quem viveu com "gatos" por anos (Foto: Juliano Almeida)

Mesmo assim, acompanhou de perto o processo de regularização. “Aqui sempre foram casas de alvenaria, nunca foi barraco. Foi bem organizado. Em pouco mais de um ano veio a energia elétrica e, em 2024, o esgoto”, diz.

A regularização fundiária começou em 2022, após uma ação de reintegração de posse tramitar no Judiciário. Em outubro de 2021, as moradias foram seladas depois que a Emha (Agência Municipal de Habitação) realizou o cadastro social das famílias.

A Prefeitura formalizou acordo com os proprietários da área para desapropriação, desafetação e demarcação dos lotes, instrumento legal que garante segurança jurídica às famílias e a inserção do bairro na malha urbana da Capital. Mesmo quatro anos depois, as marcações ainda permanecem nos muros das residências.

Bairro supera passado de "bang-bang" e vive tranquilidade após regularização
Em terreno do filho, Ana montou uma marmitaria e salgadaria após regularização (Foto: Juliano Almeida)

O processo também foi acompanhado por moradores de bairros vizinhos. Na divisa com o Macaúbas, José Ferreira, de 73 anos, lembra da época em que o clube ainda funcionava.

“Aqui eram poucas casas, era tudo mato. O clube ainda existia, depois veio a invasão. Eu ajudei a pegar terrenos para meus filhos. Quando cheguei, ainda funcionou por dois anos, e eles chegaram a frequentar”, recorda.

Ao olhar para o passado, ele diz que não há comparação. “Quando surgiu aqui, essa rua virava um buraco danado. Hoje estamos no céu. Já foi pior, muito pior. Não tinha jeito de a polícia entrar aqui, era só buraco”, completa.

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