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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

24/07/2011 18:57

Calçada de hospital é "casa" para 4 andarilhos e cachorrros há mais de 2 anos

Paula Vitorino

Moradores clamam por socorro e visita de autoridades. Querem ajuda para ter emprego e casa

Cachorros são companhia de quatro andarilhos. (Foto: João Garrigó)Cachorros são companhia de quatro andarilhos. (Foto: João Garrigó)

Há cerca de 2 anos e meio, segundo os próprios moradores, a calçada da Santa Casa de Campo Grande, na rua 13 de Maio, se tornou a “casa” de quatro andarilhos. Organizado ao longo de tantos meses, a moradia a céu aberto já conta com cozinha, quarto, sala e até canil. Mas, claro, tudo é improvisado e faltam paredes, teto e o mínimo de estrutura necessária para um lar digno.

O Campo Grande News já havia mostrado a situação de abandono em pleno centro da Capital há cerca de 1 ano, mas a situação precária continua a mesma e é impossível passar despercebida a quem percorre a região.

A grade do estacionamento do hospital virou um varal. Um casal de cachorros e seus vários filhotinhos são a companhia fiel dos moradores e, pelo menos eles, tem casa de verdade. Segundo os moradores, as duas casinhas de cachorro foram doadas por uma veterinária e os bichos ainda contam com roupinhas e coleiras.

No acampamento vivem uma mulher de 25 anos e três homens, de 27, 32 e 51 anos. Eles sobrevivem de doações e a ajuda de “amigos”, como chamam os voluntários. Alguns objetos e instrumentos doados ajudam a amenizar a vida sem teto, mas não diminuem os riscos de quem vive na rua, exposto a sol e chuva.

Neste domingo, por volta das 11h, a reportagem encontrou a mulher “arrumando a casa”, enquanto os rapazes preparavam o almoço. No cardápio, feijão e pelanca de carne. “Para dar um gostinho no feijão”, explicam.

Um dos cozinheiros, um rapaz de 27 anos, frisa que “só passa fome quem quer”. Eles mostram as doações de marmitas e alimentos. Uma mulher, que seria uma das doadoras, foi até o local, mas não quis se identificar e saiu rapidamente dizendo que ia comprar frutas.

Moradores improvisam para viver na rua. Almoço é preparado na cozinha improvisada. (Foto: Simão Nogueira)Moradores improvisam para viver na rua. Almoço é preparado na cozinha improvisada. (Foto: Simão Nogueira)
Em julho de 2010, a reportagem registrou o acampamento na calçada da Santa Casa ainda em início. Não existia fogão, cabana e os cachorros não tinham casa.  Em julho de 2010, a reportagem registrou o acampamento na calçada da Santa Casa ainda em início. Não existia fogão, cabana e os cachorros não tinham casa.

Vida na rua - Em comum entre os moradores está o vício. Todos se dizem adeptos da “pinguinha”, sendo que dois admitem também usar drogas.

Sobre como foram parar na rua, eles dizem que cada um tem uma história diferente. Apenas o rapaz de 27 anos diz que tem família em Campo Grande, o restante conta ter vindo de outros estados.

A mulher conta que um relacionamento amoroso e brigas em família a levaram para a rua. “Sabe aquela história, por um amor acabei fazendo muitas coisas e hoje estou aqui, sozinha”, diz.

Os companheiros contam que se conheceram nas ruas de Campo Grande e juntos decidiram estabelecer sua moradia na calçada da Santa Casa. “Deus nos trouxe para cá e aqui ficamos”, definem.

Segundo eles, às vezes alguns “vacilões” aparecem querendo se acomodar no acampamento e aí eles precisam colocar ordem. Mas entre os quatro é difícil ter brigas. “Brigar não adianta, temos que conviver mesmo, nos ajudar”, diz a mulher.

Quatro vivem no acampamento e tem histórias distintas. (Foto: João Garrigó)Quatro vivem no acampamento e tem histórias distintas. (Foto: João Garrigó)

Socorro - A jovem não culpa a bebida pelos rumos que sua vida tomou, mas diz que tudo que precisam é de uma oportunidade.

“Vem um monte de gente aqui querendo se aproveitar de nós, mas pede para alguém dar um emprego, uma casa pra ver se nós não vamos. É claro que saio daqui. Mas se for pra me dar uma passagem pra ir pra outra cidade e continuar na rua, fico aqui então”, diz.

Eles ressaltam que o problema não está só ali e que não adianta “jogá-los” em outro lugar para esconder a realidade.

Os moradores pedem socorro às autoridades e querem a visita de representantes da Secretaria de Políticas e Ações Sociais e Cidadania do município, cuja titular é a primeira-dama, Maria Antonieta Trad.

“Se vierem aqui escutar nossa vida, nossa dificuldades, aí Deus vai iluminar pra gente saber o que pedir, o que fazer”, resume a moradora.

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Pena que eles se recusaram a castrar (gratuitamente) os animais apesar de nossa insistência com o intuito de ajudá-los.

É difícil ajudá-los eternamente com ração, casinhas, cobertores, roupinhas, coleiras, etc, etc... se eles não aceitarem fazer o controle reprodutivo desses animais via castração.

Abrigo dos Bichos
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Abrigo dos Bichos em 08/11/2011 03:12:34
Pessoas duplamente esquecidas. Uma vez pela sociedade, com raríssimas exceções - e infelizmente não tenho ultimamente me incluído nestas exceções. Outra vez esquecidos por eles mesmos, pois muitos já não se lembram mais da sua própria essência.
 
DIANA ROCHA SANTOS em 25/07/2011 08:20:14
Na verdade essas pobres pessoas são os chamados sem-teto e desempregados.A assistencia social da prefeitura nada faz e também não há nenhum interesse em resolver o problema.Não basta dar sopão ou cesta basica,ou mesmo leva-lo para o albergue, as autoridades competentes devem ficha-los, qualificar e arrumar empregos a eles e assim dar um tempo para que saiam do local e tenham vida propria.
 
samuel gomes-campo grande-ms em 24/07/2011 05:23:15
Depois que a pessoa se dá por derrota, dificilmente se erguerá. Por outro lado, a ajuda sempre é um ato benévolo, porém, ajudar não é facilitar a manutenção de uma situação.
 
Ezio José em 24/07/2011 03:14:24
Excelente essa matéria, mostra com muita clareza a realidade vivenciada, pelos moradores daquele espaço.
Passo sempre pela 13 de maio(exatamente ao lado do referida calçada). O que sempre chamou minha atenção, foram justamente aqueles animais, que são amados e muito bem zelados pelos seu proprietários, mesmo sendo moradores de rua, fazem pelos seus bichinhos de estimação o que muita gente de classe média ou alta não fazem.Princi-
palmente, no que se refere ao afeto.
Nota-se que aqueles andarilhos, realmente necessitam de uma oportunidade de trabalho e consequentemente de uma moradia. Espero que essa reportagem sensibilize as autoridades, que por sua vez, façam alguma coisa por esses moradores.
 
neyde de oliveira em 24/07/2011 02:02:53
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