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Capital

Campo Grande registrou um furto de veículo a cada quatro horas neste ano

Por Rafael Ribeiro | 22/12/2016 17:54
Entorno da Santa Casa é um dos pontos considerados críticos pela polícia (Foto: Divulgação/Santa Casa)
Entorno da Santa Casa é um dos pontos considerados críticos pela polícia (Foto: Divulgação/Santa Casa)
Delegado Alberto Rossi diz que polícia consegue recuperar até 70% dos veículos tomados de seus donos (Foto: Arquivo)
Delegado Alberto Rossi diz que polícia consegue recuperar até 70% dos veículos tomados de seus donos (Foto: Arquivo)

Com uma frota de aproximadamente 545 mil veículos, Campo Grande viu, neste ano, o furto de automóveis virar um dos crimes mais constantes entre os bandidos.

Dados obtidos pelo Campo Grande News através da Lei de Acesso à Informação mostram que a Polícia Civil registrou 1.890 casos de furtos de veículos ao todo na cidade até o fim de novembro. Ou seja, a cada quatro horas, um carro é levado de seu dono, na média.

O trabalho de investigação policial apontou que três locais concentram a maioria das ocorrências: o estacionamento da UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul), o entorno da Santa Casa e as principais vias de comércio popular da região central e seus acessos.

“São locais com um fluxo muito grande de veículos e onde os bandidos sabem que as pessoas vão demorar, duas, três horas para voltar, o que facilita a ação”, disse o delegado Alberto Vieira Rossi, titular da Defurv (Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos).

O grande número de pessoas que também circulam a pé por esses locais fazem com que os bandidos dêem preferência para veículos populares e antigos, geralmente de 1998 a 2003, para não chamar a atenção durante o crime. “São veículos sem grandes sistemas de segurança, que abrem e acionam o motor apenas com uma simples micha (artefato feito por bandidos para violar a entrada da chave), sem forçar e chamar a atenção”, disse o delegado.


A preferência por carros velhos atendem também o método de atuação dos bandidos. Diferente de quadrilhas especializadas, que caçam caminhonetes para revenda no Paraguai, em casos considerados pontuais, em Campo Grande os veículos populares atendem duas demandas imediatas, a dos desmanches e comércio ilegal de peças e o do tráfico de drogas.

Segundo Rossi, justamente por causa desses mercados ilegais, até 70% dos veículos furtados na cidade acabam encontrados. Porém desmanchados. “É um tipo de crime específico. O autor tira estepe, bateria, som, banco, tapetes e vende para juntar dinheiro, comprar drogas”, completou o delegado.

“O objetivo é sempre o de conseguir dinheiro rápido. Por isso o carro em si não interessa. Só o que tem dentro. Esses veículos acabam abandonados ou os bandidos são presos por chamarem a atenção da Polícia Militar pela forma de dirigir”, disse Rossi.


Incidência – Para o delegado, é necessário que a população aumente a atenção neste final de ano. Com uma maior circulação de pessoas nos centros comerciais, menos os furtadores ficam inibidos em agir.

“A população tem que tomar cuidados básicos. Dê preferência pelo estacionamento particular, estacione em frente a comércios, locais onde inevitavelmente alguém vai notar algo estranho, com câmeras de segurança, algo que inevitavelmente inibe os bandidos”, apontou Rossi.

Apesar da ausência de dados mais concentrados sobre a atuação criminosa, o delegado confirma que os furtos de veículo são maiores no final de semana. "É a busca pelo dinheiro fácil, para sair, comprar drogas", explicou.

Desconfiança - Apesar dos dados passados por Rossi, quem já sofreu tendo seu veículo levado por bandidos acredita que o número posa ser muito maior. O músico Felipe Cordeiro, 33 anos, morador da Vila Piratininga, já teve um Palio verde furtado e optou por não registrar a ocorrência.

"Não ia adiantar de nada. Não tinha seguro e todos sabem que não há interesse em prender os responsáveis. Conheço muita gente que foi vítima também. Esse número é muito maior", disse Cordeiro.

O delegado ressaltou que a subnotificação do crime não ajuda a polícia. "Só podemos trabalhar com os dados oficiais que temos na mão", disse Rossi.

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