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Casa onde foi achado arsenal "dos Name" é comprada por R$ 472 mil

Imóvel que serviu de estopim para a operação Omertá foi comprado por empresário de SP a 51% abaixo do valor da avaliação

Por Adriano Fernandes | 27/11/2020 23:17
Imóvel no Jardim Monte Líbano, onde foi apreendido o arsenal que serviu de fio da meada para a operação Omertá. (Foto: Marcos Maluf)
Imóvel no Jardim Monte Líbano, onde foi apreendido o arsenal que serviu de fio da meada para a operação Omertá. (Foto: Marcos Maluf)

A residência onde foi apreendido um verdadeiro arsenal de guerra que pertencia ao grupo de extermínio chefiado pelos empresários Jamil Name e o filho “Jamilzinho" foi arrematada em leilão por R$ 472 mil nesta sexta-feira (27).  O novo dono do imóvel que fica na Rua Jose Luiz Pereira, no Jardim Monte Líbano é um empresário de São Paulo que pediu para não ter a identidade divulgada.

Ele confirmou ao Campo Grande News que já sabia de todo o histórico do endereço e adiantou que não pretende se mudar para o local.

“Comprei porque quero ganhar dinheiro”, brincou ao dizer que pretende revender a residência pelo seu valor de mercado.

O imóvel está avaliado em R$ 820 mil, ou seja, custou 51% abaixo do valor da avaliação. A residência tem 3 dormitórios, dois banheiros, churrasqueira, piscina, 432.00 M² de área de terreno e 339.91 M² de área construída. O endereço pertencia ao empresário José Carlos de Oliveira, que inclusive tentou o adiamento do leilão na justiça em março deste ano.

Vista interna do imóvel no Jardim Monte Líbano. (Foto: Marcos Maluf)
Vista interna do imóvel no Jardim Monte Líbano. (Foto: Marcos Maluf)

Na ação, consta que José Carlos deu o imóvel como garantia de um empréstimo de R$ 209.990,00 que foi financiado em 120 parcelas com o banco Santander. Deste total, José Carlos teria quitado 75 parcelas, mas então caiu na inadimplência e por conta do atraso no pagamento teve o imóvel tomado pelo banco.

Ele ainda tentou renegociar o pagamento das parcelas vencidas, mas a instituição recusou e promoveu a execução extrajudicial por leilão.  José Carlos ainda requereu a concessão de tutela de urgência para determinar a suspensão do leilão, alegando que a divida com o banco correspondia a apenas 10% do valor do imóvel, contudo, o pedido foi negado.

Página do site que realizou o leilão virtual do imóvel. (Foto: Reprodução)
Página do site que realizou o leilão virtual do imóvel. (Foto: Reprodução)

Dívidas - Em outubro de 2019, dois meses depois do Garras (Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros) encontrar o arsenal no endereço, José Carlos disse a polícia que teve a casa do Monte Líbano “tomada” pela família "Name" após viver três anos sob ameaça do grupo. O motivo, segundo o próprio José Carlos, seriam as dívidas de empréstimos que ele teria com a família que chegaram a R$ 3 milhões.

Na investigação, o local da apreensão do arsenal é tratado como paiol, por abrigar armamento que incluía fuzis. Durante a apuração, vizinhos também confirmaram ao Garras que o então proprietário devia dinheiro para a família Name e que em meados de 2017 foi retirado à força de casa, “sob ameaça de morte”.

José Carlos de Oliveira antigo dono do imóvel no Jardim Monte Líbano. (Foto: Henrique Kawaminami)
José Carlos de Oliveira antigo dono do imóvel no Jardim Monte Líbano. (Foto: Henrique Kawaminami)

Na sequência, José Carlos teria sido obrigado a simular contrato de compra e venda do imóvel para saldar dívida com Jamil Name. O contrato está anexado ao processo. A apreensão do arsenal resultou na prisão do então guarda municipal Marcelo Rios. Em seguida, depoimentos de testemunhas citaram que Rios era segurança da família "Name".

Atualmente, José Carlos também move ação contra Jamil Name e o filho em que pede ressarcimento de R$ 2,6 milhões e a nulidade do contrato da venda do imóvel no Jardim Monte Líbano. Ao todo, é solicitada a devolução de bens avaliados em R$ 2,2 milhões. Além de indenização por dano moral a partir de R$ 250 mil. Juntos, o valor supera R$ 5 milhões.

Arsenal – Na casa, foram apreendidas dois fuzis modelo AK 47 calibre 76, quatro fuzis calibre 556, uma espingarda calibre 12, uma espingarda calibre 22, 17 pistolas, um revólver calibre 357 e várias munições (15 calibre 762, 392 calibre 762/39 – de AK 47 – 152 calibre 556, 115 calibre 12, 539 munições calibre 9 mm, 37 calibre .40 e 12 calibre 45).

Todas as armas estavam em municiadas e prontas para uso. Além disso, foram encontrados silenciadores, lunetas, e bloqueadores de sinal eletromagnético. O aparelho, conforme investigações, tem a capacidade de bloquear o sinal das tornozeleiras eletrônicas.

Omertá - Realizada em 27 de setembro de 2019, a Omertà prendeu os empresários Jamil Name e Jamil Name Filho, apontados como líderes de organização criminosa atuante em grupo de extermínio e milícia armada.

Arsenal apreendido na residência que era usada como "paiol" pelo grupo de extermínio. (Foto: Clayton Neves)
Arsenal apreendido na residência que era usada como "paiol" pelo grupo de extermínio. (Foto: Clayton Neves)


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