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Centro de Belas Artes virou obra que "só Deus sabe" data de conclusão

Por Bruno Chaves | 17/11/2013 08:53
Obra em complexo de 11 mil m² foi lançada em 2011 e não tem data para ser entregue (Foto: Cleber Gellio)
Obra em complexo de 11 mil m² foi lançada em 2011 e não tem data para ser entregue (Foto: Cleber Gellio)

Considerado um elefante branco por muitos, o gigante complexo de 11 mil metros quadrados do Centro Municipal de Belas Artes de Campo Grande afunda no esquecimento há pelo menos dois anos e não há previsão para ser concluído.

Localizada no cruzamento da Avenida Ernesto Geisel com a Rua Plutão, a obra lançada em 2011, depois de anos parada e a tentativa de se erguer um novo Terminal Rodoviário na área, anda a ritmo lento, com apenas quatro funcionários.

Inicialmente, a previsão de entrega do centro que aumentará o leque de opções culturais do campo-grandense  era o segundo semestre de 2012. No entanto, com as “confusões contratuais”, a construção não tem dada para ser concluída.

“A obra está em um ritmo que a Prefeitura de Campo Grande determina. Eles atrasam pagamentos, demoram na adequação de planilhas e projetos e, desse jeito, só Deus sabe quando ficará pronta”, disse um dos engenheiros responsáveis pelo local, Gilson de Oliveira, da empresa Mark Construções.

Em plena tarde de segunda-feira (11), apenas quatro trabalhadores atuavam no local – um mestre de obras, um pedreiro, um servente e um gesseiro.

Questionado sobre a agilidade da obra nas mãos de quatro funcionários, o engenheiro confessa que a construção do Centro de Belas Artes não terminará “nunca”.

Aos poucos, obra é "tocada" por apenas quatro trabalhadores (Foto: Cleber Gellio)
Aos poucos, obra é "tocada" por apenas quatro trabalhadores (Foto: Cleber Gellio)
Pequena parte do complexo já está em fase de acabamento (Foto: Cleber Gellio)
Pequena parte do complexo já está em fase de acabamento (Foto: Cleber Gellio)

Segundo Gilson, documentos elaborados pela empresa, que pede readequação do projeto, foram encaminhados para a Seintrha (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação).

“Estamos aguardando a resposta”, afirma emendando que não consegue falar com o secretário municipal de Obras, Semy Ferraz, e que os recados deixados com a pessoa de “Raquel” não são respondidos.

Procurado pelo Campo Grande News, o secretário municipal de Obras disse que o projeto inicial “foi mal feito”, já que conta com diversos erros. “São problemas técnicos de medição”, avaliou.

Dessa maneira, Semy justifica o porquê do atraso de pagamentos informado pela construtora. Ele avalia que está “segurando” as verbas e que avalia licitar novamente uma empresa para continuar a obra. “Mas já pagamos o que estava na medida”, garantiu.

Ao reforçar a situação do Centro de Belas Artes, o secretário afirmou que o complexo sofre com problemas até de mudança de destinação de projetos. “Muitos serviços extras, que não estavam previstos, foram realizados”.

“Tudo isso foi mudado e o contrato está difícil de ser fechado. Não temos previsão de conclusão”, lamentou.

Espaço cultural ficou só na promessa, acredita diarista (Foto: Cleber Gellio)
Espaço cultural ficou só na promessa, acredita diarista (Foto: Cleber Gellio)

Recursos – O Centro Municipal de Belas Artes é erguido, a passos lentos, no prédio inacabado que abrigaria o Terminal Rodoviário de Campo Grande. Parte dos recursos é proveniente do Governo Federal, por meio do Ministério do Turismo.

A primeira etapa de obras contou com R$ 6.449.750,08. A segunda teve investimento de R$ 3.188.752,83. Todo o projeto tem investimento total de R$ 28,8 milhões.

Para a diarista Eunir Eifler, 45 anos, moradora do bairro Cabreúva, mesma região onde é construído o complexo cultural, o abandono da obra torna o Centro Municipal de Belas Artes um elefante branco.

“Acho descaso com a gente. Quando começou foi uma grande promessa, mas ficou por isso mesmo. É uma pena, seria um lugar legal para a gente se divertir, mas é um elefante branco”, disse.

De acordo com a diarista, além de estar descuidada, a construção sofre até com o vandalismo. “Estão depredando o lugar. Está cheio de pichação”, afirma.

Ela também garante que, do início do ano até hoje, poucos funcionários da prefeitura aparecem no lugar para verificar a obra.

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