Feira na Casa de Cultura prova que veganismo não é só salada
Encontro teve clima retrô, salgados, doces, brechó, música e pratos sem ingredientes de origem animal
Com hot dog, saltenha de jaca, biscoitos e até queijo vegetal, a primeira edição da feira vegana realizada na noite desta sexta-feira (29), na Casa de Cultura, mandou o recado de que veganismo está longe de ser um “bicho de sete cabeças” e também não é só salada. Em clima nostálgico, o evento teve temática anos 90 para aproximar o público da gastronomia sem ingredientes de origem animal.
A feira reuniu sete expositores entre gastronomia, moda, brechó, artesanato e economia criativa. Enquanto músicas da década embalavam o encontro, visitantes circulavam por pontos de comidas veganas, peças artesanais e itens com estética retrô, em um ambiente cheio de referências afetivas.
Uma das organizadoras, Creuza do Amaral, explica que a proposta foi justamente usar a nostalgia para quebrar preconceitos sobre o veganismo.
“O objetivo principal da feira é trazer essa aproximação entre o público geral e a gastronomia vegana. A gente buscou uma temática bem afetiva, que são os anos 90, para as pessoas conhecerem a gastronomia de forma mais aberta”, comenta.
Segundo ela, a ideia não é convencer ninguém a mudar de alimentação da noite para o dia, mas mostrar possibilidades. “É possível viver com qualidade, curtir com qualidade e refletir um pouquinho sobre a nossa forma de consumo”, pontua.
No cardápio, teve cachorro-quente vegano, esfiha de soja, doces, cookies, pão italiano, bebidas e até saltenha de jaca, criada para valorizar ingredientes regionais dentro da proposta vegana.
Chef de cozinha especializada em comida vegana desde 2012, Camila Santana destaca que o evento também funciona como uma vitrine para mostrar que existe mercado e variedade em Campo Grande.
“Eu trabalho com comida vegana há muitos anos e ainda é um público pequeno. Então, eventos assim ajudam as pessoas a conhecerem e perceberem que dá para comer bem, com sabor e criatividade”, afirma.
Camila é uma das responsáveis pelo projeto “Rainhas da Jaca”, que ensina mulheres a transformar a fruta em diferentes produtos alimentícios. “A jaca dá para virar queijo, farinha, leite. A ideia é mostrar que muitas vezes a comida está no quintal da pessoa e ela nem imagina o potencial”, explica.
Ela acredita que o cenário vegano na Capital ainda é pequeno se comparado a outros estados, mas vê crescimento no interesse do público. “Com esses eventos, as pessoas ganham consciência alimentar e percebem que existem opções aqui em Campo Grande”, diz.
Quem também participou da feira foi o restaurante vegano administrado por Guilherme Neto, que levou salgados como cachorro-quente assado, esfiha de soja e bauru feito com presunto e queijo vegetal.
“Tem poucos eventos veganos na cidade, então a gente participa de todos. É importante marcar presença e mostrar que tem muita coisa gostosa para comer”, afirma.
A cozinheira Samantha Lacerda, que também trabalha no restaurante, conta que muita gente procura o espaço mesmo sem ser vegana. “As pessoas querem experimentar coisas novas. Tem muito preconceito ainda, então uma feira assim ajuda a unir quem é vegano e quem não é”, comenta.
Ela mesma produz o queijo vegetal servido nos pratos, feito à base de batata inglesa. “A gente tenta trazer memória afetiva. Não fica igual ao queijo tradicional, mas lembra o sabor e isso acolhe quem sente falta desses alimentos”, explica.
Angélica Vanessa da Silva levou para a feira biscoitos veganos de coco com gengibre, maçã com canela e café com chocolate. Professora de yoga, ela vê a alimentação vegetariana como parte de uma filosofia de vida.
“Depois que parei de comer carne, senti melhora na digestão, no sono e na disposição. O veganismo vai além da comida, envolve sustentabilidade, cuidado com os animais e reflexão sobre consumo”, afirma.
Para ela, eventos como o desta sexta representam uma conquista em uma cidade tradicionalmente ligada à carne e à agropecuária. “É uma vitória podermos fazer esse tipo de encontro em Campo Grande. As pessoas estão percebendo que dá para ter uma alimentação leve, nutritiva e saborosa”, avalia.
A proposta da feira é continuar. Segundo as organizadoras, novas edições devem ocorrer mensalmente, sempre misturando cultura pop, nostalgia e gastronomia vegana para atrair curiosos e apaixonados pelo estilo de vida.
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