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Campo Grande, Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

26/08/2018 15:20

Com 6 décadas, Mercadão passou de feira ao status de passeio imperdível

Projeto paulista inspirou estrutura inaugurada em setembro de 1958

Kleber Clajus
Com 6 décadas, Mercadão passou de feira ao status de passeio imperdível
Eliza Eiko ainda hoje cuida de banca com verduras e tem no Mercadão sua diversão (Foto: Kleber Clajus)Eliza Eiko ainda hoje cuida de banca com verduras e tem no Mercadão sua diversão (Foto: Kleber Clajus)

Com o regador nas mãos Eliza Eiko Fukuchi, 73 anos, molha as verduras dispostas na banca do Mercado Municipal Antônio Valente, o Mercadão, em Campo Grande. Hoje há pouca oferta do produto que motivou a construção da estrutura coberta nos idos de 1958, mas que ao longo de seis décadas tornou-se parte da paisagem, história e uma indicação obrigatória aos visitantes que buscam algo representativo da terra. 

Eliza conta que os campo-grandenses compravam tudo em uma feira livre, localizada entre as ruas 7 de setembro e 15 de novembro. Ela vinha com o pai e pegou gosto pelo negócio que na infância dividia espaço com os estudos. "Naquela época só vendia a produção da gente e contratava um menino para descarregar as mercadorias", contou, revelando que agora a filha cuida de uma banca de flores e ela tem no Mercadão sua particular diversão.

Há registro fotográfico, no Arca (Arquivo Histórico de Campo Grande), de carroças que no local comercializavam carnes, verduras, legumes e outros itens desde 1930. O tradicional ponto de encontro levou o prefeito Marcílio de Oliveira, com o arquiteto e engenheiro Hélio Baís Martins, a buscar em cidades paulistas estruturas para abrigar comerciantes e clientes.

Intervenções no Largo da Feira, a partir de abril de 1958, tornaram pavimentado o terreno para abrigar a estrutura, coberta por telhas de cimento amianto, de 24 por 80 metros. Nos jornais da época a obra era tida como vanguardista e idêntica ao mercado de São José do Rio Preto. As bancas eram móveis no centro e fixas nas laterais, caso das casas de carnes.

Pelo menos 20 mil pessoas participaram da inauguração do espaço, depois de seis meses de obras, que teve de baile a comício político, com o sucessor do prefeito à época, Wilson Barbosa Martins, e seu vice Luiz Alexandre de Oliveira. Ambos, posteriormente, eleitos.

Hiroshi Utinoi viu o mix de produtos ampliar-se para também atender a turistas que vem visitar a Capital (Foto: Saul Schramm)Hiroshi Utinoi viu o mix de produtos ampliar-se para também atender a turistas que vem visitar a Capital (Foto: Saul Schramm)
Maria Aparecida e Paulo Nakasato se conheceram e casaram graças a convivência de anos no Mercadão (Foto: Saul Schramm)Maria Aparecida e Paulo Nakasato se conheceram e casaram graças a convivência de anos no Mercadão (Foto: Saul Schramm)

Maria Aparecida e Paulo Nakasato, de 69 e 75 anos, se conheceram há mais de quarenta anos no Mercadão. Ela trabalhava em padaria, enquanto ele ajudava seus pais em banca que hoje comercializa doces. O local virou a segunda casa do casal que relembra a época do trem que passava em frente e mesmo do ponto de charretes próximo da 7 de setembro.

Hiroshi Utinoi, 84 anos, relatou que a venda de verduras era popular em uma cidade sem supermercados que, depois, levaram os comerciantes a mudar seu mix de produtos para ampliar a presença de farinhas, ervas medicinais, queijos, peixes e carnes. A experiência das compras também passou a ter caráter turístico, ainda que a simpatia faça a diferença para manter os antigos fregueses e conquistar até mesmo "os chatos".

Revitalização - Um incêndio resultou na primeira reforma do Mercadão em agosto de 1966. Na ocasião, moradores e até o prefeito Mendes Canale acordaram assustados às 2h30 com as chamas que consumiam a área administrativa e dos boxes dispostos no local. A situação foi controlada mediante a união de esforços do Corpo de Bombeiros da Base Aérea, Polícia Militar e do Exército, enquanto o prejuízo somou CR$ 100 milhões de cruzeiros (R$ 36,4 mil).

O espaço passou por pelo menos outras quatro revitalizações, sendo as mais recentes entre 2012 e 2015 quando o piso foi readequado, adotadas telhas termoacústicas, reformadas as partes elétrica, hidráulica, banheiros, cercado o estacionamento e readequado o trânsito no entorno. Tais intervenções também foram estendidas ao espaço utilizado pela feira indígena.

Vanda de Albuquerque relembrou que revitalizações tornaram feira mais segura (Foto: Kleber Clajus)Vanda de Albuquerque relembrou que revitalizações tornaram feira mais segura (Foto: Kleber Clajus)

Vanda de Albuquerque, presidente da feira anexa ao mercadão, chegou ao local com sua mãe e tia há mais de 20 anos. Em sua análise, mudanças na estrutura trouxeram mais segurança aos mais de 94 feirantes que comercializam frutas, maxixe, palmito, quiabo, feijão, dentre outros.

A presença indígena, inclusive, é complementar ao trabalho no mercado municipal e antes esses grupos vinham de aldeias em Miranda. Havia, no passado, venda porta a porta até que a prefeitura estabeleceu um espaço adequado para eles.



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