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Campo Grande, Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019

01/07/2019 15:04

Com lago seco, frequentadores se surpreendem com quantidade de terra

Visitantes se assustam com quantidade de terra retirada do fundo do lago do Parque das Nações Indígenas

Ronie Cruz
Espelho d'água dá lugar para terra após lago secar no Parque das Nações Indígenas (Foto: Marina Pacheco)Espelho d'água dá lugar para terra após lago secar no Parque das Nações Indígenas (Foto: Marina Pacheco)

 

 

O lago principal do Parque das Nações Indígenas amanheceu praticamente seco nesta segunda-feira (1º) e as máquinas que trabalham na obra de desassoreamento aproveitam para retirar a terra que causou espanto e indignação de frequentadores. Quem visita o local nas poucas entradas que continuam abertas se surpreende com o cenário impensável em outros dias.

Luciano Corrêa dos Santos, 33, coletor de resíduos, por exemplo, disse que faz corrida diariamente no parque, mas nunca tinha visto o fundo do lago. “Chama a atenção. Não imaginava que tinha tanta terra. É de surpreender”, disse.

O motorista Moisés Vale dos Santos, 36, aproveitou as férias e levou os dois filhos de 10 e 12 anos para dar um passeio no parque e também ficou surpreso com o cenário. Ele nem acreditou quando viu uma reportagem sobre o lago assoreado.

“Moro aqui faz 20 anos e nunca vi o lago assim. É mais fundo do que eu imaginava. Se cheio de lama já é fundo imagina se não tivesse. Isso aí é resultado da cidade que não cuida e vai destruindo. Está bem feio, mas é pra melhor né”, disse.

Duas retroescavadeiras, 11 caminhões caçamba e uma patrola foram vistas pela reportagem trabalhando nas obras do lago nesta segunda-feira (1º). As obras estão sob a responsabilidade da Sisep (Secretaria de Serviços Públicos e Infraestrutura). O esvaziamento do segundo lago começou no dia 17 de junho. 

Apesar de a principal atração do parque estar provisoriamente afetada, a gerente comercial Jhovana Almeida Mendonça, 20 anos, e a irmã reuniram mais três amigas e saíram de ônibus da Chácara das Mansões só para fazer piquenique no Parque das Nações Indígenas. Elas moram a 33 quilômetros do local.

“É a segunda vez que a gente vem fazer piquenique. A primeira vez tava sujo, mas com água. Eu lembro até de algumas cruzes colocadas em protesto como se o lago estivesse morrendo. Fiquei abalada com aquilo. É triste mas se Deus quiser vai ficar cheio de novo”, disse Jhovana.

Obras - De acordo com a superintendência de serviços da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), esta fase das obras vai utilizar seis escavadeiras hidráulicas e 30 caminhões basculantes. As obras devem durar de 3 a 4 meses.

Peixes - Ao todo, foram retiradas 13 espécies de peixes, a maior parte de lambaris. O gerente de Recursos Pesqueiros do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), Vander Fabrício de Jesus, estima em 10 mil a quantidade retirada do local. O maior foi um pacu de 12 quilos e 80 centímetros de comprimento, que faria qualquer adepto da pesquisa feliz.

Como o lago menor já foi desassoreado, o cardume foi solto nele. A operação evita, assim, a cena de peixes morrendo, como já ocorreu durante os serviços. Ela começou na quinta-feira passada e acabou nesta quarta-feira.

Os serviços foram iniciados pela Prefeitura, para acabar com os bancos de areia nos dois lagos, que provocaram indignação de frequentadores do espaço de lazer.

Além dos peixes, houve achados indesejados: lixo deixado pelos frequentadores do parque. Pneus, plásticos, garrafas e até aparelho celular foram achados.

Após o fim das obras, os animais serão devolvidos ao lago maior. As obras de desassoreamento têm previsão de retirar 140 mil metros cúbicos de sedimentos do lago. O custo é estimado em 5 milhões, para devolver ao Parque das Nações um dos seus principais cartões postais, tão presente nas fotos de pôr-do-sol.

 

 

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