ACOMPANHE-NOS    
SETEMBRO, TERÇA  28    CAMPO GRANDE 21º

Capital

Conduta de policiais em morte de empresário será investigada pela PM

Ministério Público Estadual vê indícios de irregularidades no atendimento da ocorrência em que empresário foi morto a tiros

Por Rafael Ribeiro | 07/01/2017 10:46
Moon passou todo o atendimento da ocorrência sem ser algemas, mesmo confessando (Foto: Simão Nogueira)
Moon passou todo o atendimento da ocorrência sem ser algemas, mesmo confessando (Foto: Simão Nogueira)

A Corregedoria da Polícia Militar instaurou inquérito para apurar a conduta dos PMs que atenderam a ocorrência da morte do empresário Adriano Correia do Nascimento, 33 anos, a tiros pelo policial rodoviário federal, Ricardo Hyun Su Moon, 47, após suposta briga de trânsito ocorrida no último dia 31 de dezembro, na avenida Ernesto Geisel.

A investigação da postura dos policiais foi na verdade um pedido feito na última quarta-feira (4) pelo Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público Estadual. Há suspeita de que pelo menos dois crimes, prevaricação e favorecimento pessoal, teriam supostamente sido cometidos pelos PMs que foram ao local do crime.

No pedido, o grupo de promotores dava prazo de dez dias para que a Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública) iniciasse sua investigação interna dos fatos.


Para justificar seu pedido, o MPE alega que o caso teve circunstâncias especialmente graves e cita fatos que não podem ser “desprezados”.


“É que, há forte indícios de que o requerido, por si só e também com o auxílio de outrem inovou artificiosamente o estado de coisa e pessoa, a fim de induzir os órgãos de segurança a erro, bem como obteve tratamento privilegiado pelo Poder Público”.


Segundo o MPE, um exemplo disto é que, apesar do registro informar que Ricardo foi conduzido pela PM, ele compareceu à delegacia de forma espontânea, onde recebeu a voz de prisão em flagrante. Antes, circulou sem ser incomodado pelo local do crime e xchegou a discutir com uma das vítimas sobreviventes.


Também é destacado que o crime foi às 5h40 e o depoimento do policial foi encerrado às 12h55. Para a promotoria, “indício de que houve atuação irregular” em favor de Ricardo.


Outro fato é de que nos vídeos e fotos, o policial aparece de camiseta listrada e a calça da farda. Mas na delegacia, trajava a farda completa, portanto teria tido tempo para trocar de roupas. Ainda segundo o MPE, o preso deu versões fantasiosas.


Apesar de confirmar a abertura do inquérito, a Polícia Militar do Mato Grosso do Sul disse que não se pronunciará sobre o fato até a conclusão do inquérito do caso pela Polícia Civil.


Moon está preso na carceragem do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) desde a última quinta-feira, após a Justiça voltar atrás e aceitar o pedido de prisão preventiva do PRF. No dia do fato, apesar de ser indiciado em flagrante por homicídio, o acusado ganhou o direito a liberdade provisória.


Na última sexta-feira (6), o renomado advogado Renê Siufi confirmou que assumiu a defesa de Moon, mas que estudará todo o inquérito do caso antes de se pronunciar oficialmente sobre as medidas que irá tomar.


Crime - Ricardo Hyun Su Moon conduzia sua Mitsubishi Pajero prata naquela manhã em sentido à rodoviária, onde embarcaria para Corumbá (a 419km de Campo Grande), seu posto de trabalho na PRF. Após uma suposta briga de trânsito, ele atirou sete vezes contra a Hilux branca do empresário.


Nascimento, dono de dois restaurantes japoneses na cidade, morreu na hora, perdeu o controle do veículo e bateu em um poste. Um jovem de 17 anos que o acompanha foi baleado nas pernas. Outro acompanhante no veículo, um supervisor comercial, de 48, quebrou o braço esquerdo e sofreu escoriações com a batida. Ambos foram socorridos conscientes e já receberam alta médica.

O policial foi indiciado em flagrante ao comparecer na delegacia com um advogado e representante da PRF.

Em seu depoimento, Moon disse que agiu em legítima defesa. Afirmou que as vítimas não o obedeceram mesmo após ele se identificar como policial, que tentaram lhe atropelar ao fugir dele e que viu um objeto escuro que poderia ser uma arma na mão de uma das vítimas.


A Polícia Civil de Campo Grande investiga o caso como homicídio em inquérito. Ouve testemunhas e as duas vítimas sobreviventes, além de rastrear autores das filmagens e ligações para a Polícia Militar. Uma reconstituição do fato deverá acontecer em até duas semanas. O prazo para conclusão da apuração é de 30 dias.

Nos siga no Google Notícias
Regras de comentário