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Capital

Na pandemia, tem vizinho contra e a favor de evento com 700 na Base Aérea

Treinamento reunindo esquadrões aéreos de todas as forças militares está programado para acontecer de 17 de agosto a 4 de setembro

Por Anahi Zurutuza e Aletheya Alves | 11/08/2020 14:57
Avições no pátio da Base Aérea de Campo Grande, que recebe a partir do dia 17, cerca de 700 militares (Foto: Marcos Maluf)
Avições no pátio da Base Aérea de Campo Grande, que recebe a partir do dia 17, cerca de 700 militares (Foto: Marcos Maluf)

Dentre os vizinhos da Base Aérea de Campo Grande, há quem se preocupe e os que não veem qualquer problema com evento programado para acontecer a partir do dia 17 de agosto e que trará 700 militares para a Capital.

Contra as orientações que vêm sendo repetidas dia a dia pelas autoridades de saúde, para que sejam suspensos eventos com aglomeração de pessoas durante a pandemia de covid-19, treinamento reunindo esquadrões aéreos de todas as forças militares está programado para acontecer na cidade até o dia 4 de setembro. Segundo FAB (Força Aérea Brasileira), todos os militares serão testados dois dias antes de chegarem para a 3º edição Exop Tápio (Exercício Operacional Tápio).

A secretária, Fabiana Maziero Luppi, de 47 anos, mora há 26 no Jardim Imá, próximo à Base Aérea. Ela teme que a chegada de tantas pessoas na cidade possa provocar aumento no número de casos do novo coronavírus. “Acho uma loucura né? Penso que não é o momento. Já vi outros treinamentos, mas o problema dessa vez é o momento, vem muita gente e eles não vão ficar presos ali, vão querer conhecer a cidade. Aí que está o problema maior, já é muita gente entre eles, passeando piora a situação”.

Cristiane acha que evento poderia ser adiado (Foto: Marcos Maluf)
Cristiane acha que evento poderia ser adiado (Foto: Marcos Maluf)

Moradora do Imá há seis meses, a diarista Cristiane Lopes Rodrigues, 41 anos, ficaria feliz em ter a experiência de ver a movimentação das aeronaves em treinamento, desde que não fosse agora, em plena pandemia. “Ficamos com medo, estamos nos cuidando e agora não faz sentido. É muita gente de fora no mesmo lugar”.

Karina Marques, de 45 anos, se preocupa, mas não vê problema se medidas de segurança forem tomadas. “É necessário que tomem cuidado porque são muitas pessoas. Aqui em casa temos minha mãe, que é grupo de risco, e estamos nos cuidando. É só cada um fazer sua parte”.

Edineia achar que "Brasil não pode parar" (Foto: Marcos Maluf)
Edineia achar que "Brasil não pode parar" (Foto: Marcos Maluf)

Já a comerciante Edineia Azavedo, 44 anos, é totalmente a favor da atividade, mesmo que provoque aglomeração. Ela acredita que medidas preventivas serão tomadas. “Tem que vir treinar mesmo, o Brasil não pode parar. Tenho conhecidos da Base Aérea e eles se cuidam bastante, são bem rigorosos. A gente precisa seguir a vida”.

Impasse – Ontem, o Campo Grande News recebeu queixas de dentro do quartel e de moradores vizinhos à Base Aérea, informando que existe o temor de contágio pela covid-19. Uma das pessoas informou que o risco é iminente e inclusive há militares positivos para o novo coronavírus dentro do Esquadrão Pelicano, especializado em salvamento, depois de retorno em missão no Rio de Janeiro.

Consultada, a Secretaria Estadual de Saúde informou que desaconselha ações do tipo, mas disse que é o município quem tem a missão de fiscalizar a realização de eventos. A SES acrescentou que irá auxiliar a FAB no que for solicitado e fornecerá os insumos que forem necessários, inclusive para testagem.

A resposta da Prefeitura de Campo Grande, via Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública), foi de que ainda esta semana haverá conversa com autoridade militar sobre o evento. Ainda segundo informado, a FAB garantiu que tomará todas as medidas de proteção dos participantes do evento. Isso porque decreto em vigor veta a realização de eventos com aglomeração e cada caso é analisado após a apresentação de protocolo de biossegurança.

A FAB diz que seguirá normas sanitárias para não ter de cancelar o evento, como o uso de equipamentos de proteção, distanciamento social, testagem em massa e montagem de esquema para isolar e tratar eventuais casos positivos.