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Capital

Coronéis são escolhidos para julgar oficiais presos por ajudar Máfia do Cigarro

Eles foram presos no dia 15 de maio durante operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado)

Por Geisy Garnes | 29/06/2020 18:39
Equipes do Gaeco cumpriram mandados de prisão no dia 15 de maio (Foto: Arquivo)
Equipes do Gaeco cumpriram mandados de prisão no dia 15 de maio (Foto: Arquivo)

A justiça militar sorteou nesta segunda-feira (29) os nomes dos coronéis que julgarão os seis oficiais da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul acusados de fazerem parte da "Máfia do Cigarro". Eles foram presos no dia 15 de maio durante operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) e são réus por crimes de organização criminosa e corrupção passiva.

O sorteio do Conselho Especial foi realizado na presença do juiz Alexandre Antunes da Silva, da representante do Ministério Público Militar Tathiana Correa Pereira da Silva Façanha e dos advogados de todos os réus. Por conta das medidas de prevenção a disseminação do coronavírus, os oficiais acompanharam a audiência do Presídio Militar Estadual, por videoconferência.

Desde o dia 8 deste mês os seis são réus na Auditoria Militar. Os denunciados são o coronel Kleber Haddad Lane, ex-titular da Superintendência de Assistência Socioeducativa, o tenente-coronel Carlos da Silva, antes comandante da PM em Dourados, o tenente-coronel Jidevaldo de Souza Lima, que chefiava a 4ª Seção do Estado-Maior, o tenente-coronel Josafá Pereira Dominoni, preso quando estava no comando da 5ª Companhia da PM de Campo Grande, o tenente-coronel Wesley Freire de Araújo, ex-comandante da PM em Naviraí, e o major Luiz Cesar de Souza Herculano, que era comandante em Coxim.

Conforme a peça processual de 176 páginas, produzida pelo Gaeco e pela 24ª Promotoria do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, os oficiais de alta patente recebiam valores entre R$ 10 mil e R$ 150 mil para permitir a passagem de cargas de cigarro contrabandeado do Paraguai.

Após as prisões, os comandos foram trocados e todos os oficiais envolvidos afastados das funções.

Onde começou - Essa acusação é resultado da operação Avalanche, derivada Oiketicus, deflagrada em maio de 2018.  Na época, foram presos 20 policiais militares.

A investigação também compartilha dados da Nepsis, desenvolvida pela Polícia Federal e que, na fase mais recente, fez buscas envolvendo policiais civis suspeitos de integrar o esquema criminoso. Eles também foram afastados das funções.

Além da condenação pelos crimes, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) pede a perda da função pública dos envolvidos.

Para a promotoria, a conduta dos oficiais foi da mais alta gravidade, além de “ferir frontalmente o decoro da classe, o pundonor e o sentimento de dever, de maneira que se torna incompatível com a atividade policial militar”.

Na decisão em que recebe a denúncia, o magistrado determina a abertura do “Conselho Especial de Justilça”, responsável pelo julgamento. O conselho é integrado pelo magistrado e por quatro oficiais, com mais tempo de carreira do que o denunciado.