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Campo Grande, Terça-feira, 22 de Outubro de 2019

28/09/2019 13:25

De líderes a pistoleiros: investigação traz 4 núcleos em grupo de extermínio

As buscas em 21 endereços levaram à apreensão de documentos, computadores e R$ 160 mil em dinheiro

Aline dos Santos
Operação Omertà foi à residencial no Jardim São Bento  para prender Jamil Name. (Foto: Henrique Kawaminami)Operação Omertà foi à residencial no Jardim São Bento para prender Jamil Name. (Foto: Henrique Kawaminami)

A decisão judicial sobre a operação Omertà, realizada ontem em Campo Grande contra grupo de extermínio, detalha organograma com quatro núcleos, sendo dois enxutos: líderes e executores, que totalizam quatro pessoas; e dois com 19 pessoas atuantes na gerência e apoio.

No topo, aparece o núcleo dos líderes, onde foram inseridos os empresários Jamil Name, 80 anos, e Jamil Name Filho. Conforme as investigações, os líderes são responsáveis por definir as missões dos demais integrantes da organização e custeio de todas as atividades do grupo, fornecendo material necessário às execuções, como armas, munições, veículos, imóveis, dinheiro e, inclusive, proteção.

De líderes a pistoleiros: investigação traz 4 núcleos em grupo de extermínio

O núcleo da gerência tem quatro nomes. Neste rol entra Marcelo Rios, o primeiro a ser preso. Então guarda municipal, ele foi flagrado em 19 de maio, um domingo, com arsenal de guerra em Campo Grande. Na sequência, relato de companheiras à Policia Civil informou que ele trabalhava na segurança do empresário Jamil Name. A casa onde foi feito o flagrante, no Jardim Monte Líbano, pertence ao empresário, conforme contrato de compra e venda citado na decisão.

“Que havia percebido que Marcelo Rios estava muito nervoso e agitado tanto antes, como depois dos homicídios de Ilson Martins Figueiredo, Marcel Costa Hernandes Colombo, Orlando da Silva Fernandes e Matheus Coutinho Xavier, todos ocorridos nesta urbe e determinados pela organização criminosa liderada pela Família Name”, diz a investigação, citando o depoimento da esposa de Marcelo.

Apontado como responsável pela contratação de pistoleiros, Rios teria ficado desesperado com a execução de Matheus, em 9 de abril. O universitário foi morto por engano, sendo o alvo o seu pai, o policial militar Paulo Roberto Teixeira Xavier.

“Esclareceu que Marcelo Rios ficou extremamente receoso com o erro cometido e ficou desesperado depois do crime, chegando a dizer que temia por sua vida”, diz o depoimento da esposa. Rios também seria responsável por guardar o armamento, elaborar a escala dos seguranças da família e selecionar os guardas municipais que passariam a trabalhar para o grupo.

No núcleo três, o de apoio, são relacionadas 15 pessoas, incluindo advogado, guardas municipais, policial federal e policiais civis. O grupo era responsável pela logística, segurança e suporte da organização criminosa.

O núcleo quatro era o da execução, com somente dois integrantes: Juanil Miranda Lima e José Moreira Freires. Conforme a apuração, eles eram responsáveis em praticar os homicídios, mediante paga ou promessa de recompensa.

Freires foi condenado pela morte do delegado aposentado Paulo Magalhães, mas recorria em liberdade, sendo monitorado por tornozeleira eletrônica. Dados da Agepen mostram que, dias antes da execução do universitário, ele esteve no local do crime, no Jardim Bela Vista.

A morte por engano foi no fim da tarde de 9 de abril. Juanil e José não foram mais vistos desde 23 de abril, quando um técnico em informática disse à polícia que foi contratado pela dupla para monitorar Paulo Xavier. Juanil ainda tinha 26 fotografias da execução de Ilson Martins Figueiredo, chefe de segurança na Assembleia Legislativa, armazenado em nuvem (Google Drive).

Ormetà - A decisão ordenando as 23 prisões, sendo 13 preventiva e 10 temporárias (prazo de 30 dias), é do juiz Marcelo Ivo de Oliveira, da 7ª Vara Criminal de Competência Especial. O magistrado autorizou as prisões e 21 mandados de busca e apreensão na última quarta-feira (dia 25). Todas as ordens eram em Campo Grande, mas o policial federal Everaldo Monteiro de Assis acabou preso em Bonito, por equipe da PF (Polícia Federal).

Relacionado no núcleo de apoio, ele é suspeito de usar sua função para ter acesso a informações sigilosas (em banco de dados de uso restrito) e municiar a organização com informações sigilosas.

A operação foi realizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), força-tarefa da Polícia Civil que investiga execuções na Capital, Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestros) Batalhão de Choque e Bope. Omertà é um código de honra da máfia italiana, que faz voto de silêncio.

As buscas em 21 endereços levaram à apreensão de documentos, computadores e R$ 160 mil em dinheiro. Também foram recolhidos pelas equipes cheques em nome de terceiros, armas dos calibres 38, 22 e 12, munições, aparelhos celulares, inclusive os conhecidos como “bombinhas”, que são descartados após o uso.

 

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