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Capital

Comércio quer mudar decreto que endurece regras para imóveis históricos

Associação quer mudanças no projeto que impõe multas altas para quem destruir imóveis tombados

Por Judson Marinho | 29/01/2026 14:47
Comércio quer mudar decreto que endurece regras para imóveis históricos
Edifício José Abrão (Antigo Hotel Americano) identificado pela prefeitura como patrimônio cultural (Foto: Divulgação / Planurb)

A ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande) apresentou uma série de críticas à minuta de decreto da Prefeitura de Campo Grande, elaborada pela Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano), que define novas regras para a preservação do patrimônio cultural no município.

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A Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) manifestou discordância em relação à minuta de decreto da Prefeitura que regulamenta a preservação do patrimônio cultural no município. A entidade aponta que as restrições propostas podem impactar negativamente investimentos e expansão urbana. Entre os pontos criticados estão as multas de até 200% do valor do imóvel em caso de demolição, a metragem excessiva para zonas de amortecimento e as limitações para publicidade. A ACICG defende que os incentivos previstos são insuficientes diante dos custos extras impostos aos proprietários de imóveis tombados e solicita readequação do conteúdo.

Em documento encaminhado ao órgão de planejamento urbano, a entidade analisou o texto ponto a ponto e propôs mudanças para reduzir impactos sobre investimentos, comércio e a expansão da cidade.

A minuta foi apresentada em reunião pública na noite de quarta-feira (21). O texto estabelece regras para intervenções em imóveis tombados e em seus entornos, cria limites para publicidade e endurece penalidades. As multas podem chegar a 200% do valor do imóvel em caso de demolição e a 150% do valor total edificado quando houver risco de ruína.

Ao tratar das áreas de entorno e das ZEICs (zonas especiais de interesse cultural), a ACICG afirma que a metragem prevista para a chamada zona de amortecimento é excessiva. Segundo a entidade, a regra atinge imóveis que não têm valor histórico individual e impõe restrições de altura, volumetria, cores e tipos de revestimento.

No documento enviado à Planurb, a associação argumenta que essas exigências “impedem o crescimento da cidade e do comércio futuro” e criam situações de difícil reversão administrativa e jurídica.

Ao Campo Grande News, o conselheiro da ACICG no CMDU (Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano), Jean Francescon, afirmou que os efeitos da proposta não se limitam aos bens tombados.

“Mesmo quando o imóvel não é o bem tombado, o simples fato de estar localizado no entorno faz com que qualquer intervenção passe a ser rigidamente controlada. Isso desestimula investimentos, encarece reformas e dificulta a modernização necessária para manter o comércio competitivo”, disse.

Segundo ele, processos administrativos longos e custosos tendem a afastar empreendedores dessas regiões. Francescon também alerta para impactos na mobilidade urbana, quando áreas como canteiros e vias passam a ser protegidas e podem gerar entraves futuros ao tráfego.

Outro ponto criticado é a regulamentação da comunicação visual. A minuta define distâncias mínimas, tamanho máximo, altura e tipos de anúncios permitidos, de acordo com a categoria do patrimônio e a zona urbana.

No documento técnico, a entidade pede “ponderação e possível readequação do conteúdo” e sustenta que o município pode extrapolar sua competência ao legislar sobre determinados aspectos da publicidade.

Comércio quer mudar decreto que endurece regras para imóveis históricos
Reunião pública da Planurb onde foi apresentado partes da minuta do decreto sobre patrimônio cultural (Foto: Juliano Almeida)

Multas e incentivos fiscais

A proposta de decreto endurece as penalidades para quem descumprir as regras de preservação. Além das multas que podem chegar a 200% do valor do imóvel, também estão previstas sanções financeiras ao profissional técnico responsável pela obra.

A ACICG considera os valores elevados e desproporcionais e defende que a primeira notificação tenha caráter educativo. “Vivemos um período de desafios econômicos. Não parece razoável impor à iniciativa privada um ônus excessivo, ainda mais quando o próprio município enfrenta dificuldades para manter seus imóveis históricos”, afirmou o conselheiro.

A associação também avalia que os incentivos previstos na minuta são insuficientes diante dos custos extras enfrentados por proprietários de imóveis tombados e de entorno, que precisam cumprir exigências técnicas e trâmites administrativos mais rigorosos.

“Esses ônus devem ser mitigados por políticas públicas adequadas, sob pena de se inviabilizar a preservação do patrimônio cultural e desestimular a atividade econômica nessas áreas”, disse Francescon.

Debate continua

A minuta do decreto ainda não está em vigor e segue em discussão pública. A Planurb informou que todas as contribuições serão analisadas pela equipe técnica e pelo CMDU.

Após a análise pelas câmaras técnicas do conselho, o município deve publicar o regulamento, seja por decreto ou por meio de projeto de lei encaminhado à Câmara Municipal.