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Capital

Defesa reclama de “demonização” de guardas acusados de milícia na Omertà

"Nenhuma prova existe em relação à participação desses quatro guardas em qualquer evento ilícito", diz advogado

Por Aline dos Santos | 18/10/2019 15:47
Márcio Almeida atua na defesa de quatro guardas municipais presos operação Omertà.
Márcio Almeida atua na defesa de quatro guardas municipais presos operação Omertà.

Na defesa de quatro guardas municipais presos na operação Omertà, o advogado Márcio Almeida afirma que há “demonização” dos acusados e um pré-julgamento.

“De forma geral, a imprensa se dedicou muito mais a cumprir a operação pelo viés da acusação e não deu a mesma abertura para a defesa. Está havendo um pré-julgamento em relação a cada um dos acusados. Falo em especial sobre os guardas municipais. Nenhuma prova existe em relação à participação desses quatro guardas em qualquer evento ilícito, somente ilações por parte do Gaeco. Estamos demonizando todos os acusados neste momento”, afirma.

Os guardas municipais Alcinei Arantes da Silva, Eronado Vieira da Silva, Igor Cunha de Souza e Rafael Carmo Peixoto foram presos em 27 de setembro na operação que investiga grupo de extermínio e milícia armada.

De acordo com a Omertà, os empresários Jamil Name e Jamil Name Filho lideram a organização criminosa. Sendo os guardas apontados como integrantes do núcleo de apoio. Com a operação, os quatro servidores foram afastados da Guarda Municipal de Campo Grande por 60 dias.

Segundo o advogado, apenas Eronaldo tinha porte funcional e treinamento para uso de arma. Conforme Márcio Almeida, as atividades dos guardas não estavam relacionadas à segurança, como sinaliza a operação, mas serviços gerais na casa dos Names.

“As fotografias mostram o Peixoto lavando varanda. A imagem que eles tem do Cunha é chegando ao domicílio. As ligações telefônicas são todas de pedidos de serviços de casa, como buscar coisa em mercado, medicamentos, transporte de funcionários. Atividades comezinhas do dia a dia de uma família daquele padrão social”.

A defesa informa que os guardas podem trabalhar em atividades lícitas fora do horário de expediente como servidor público. Em geral, a escala é de 24 horas de trabalho e 72 horas de descanso. Ainda de acordo com o advogado, os presos não portavam armas, divergindo da acusação de fazer segurança para os empresários.

Guardas estão presos desde 27 de setembro.
Guardas estão presos desde 27 de setembro.

Explicações - Sobre o contato de Peixoto com a esposa de Marcelo Rios, então guarda municipal que foi preso em 19 de maio com arsenal de guerra, a defesa pontua que não foi uma tentativa de calar a testemunha, mas tentativa de quitar um débito, decorrente da transação comercial de uma motocicleta.

“O Marcelo estava preso, ele não sabia como pagar e queria saber como fazia a entrega do dinheiro para ela. São situações que a defesa não tem oportunidade de apresentar para a sociedade”, diz o advogado.

Noutro episódio da investigação, em que a cobertura de Jamil Name Filho registrou uma “operação limpeza” horas depois da prisão de Marcelo Rios, o advogado reproduz a explicação de Alcinei.

“Ele me disse que o senhor Jamil Name Filho tinha costume de usar bebida alcoólica sem permissão do pai. Os meninos que trabalhavam como motorista tinham que comprar bebida e esconder. O Alcinei conta que estiveram no apartamento para retirar bebidas”, afirma.

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) denunciou os guardas por crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa.

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