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Capital

Delegado-geral mantém mistério e não define quem vai investigar jogo do bicho

“Estamos fazendo uma análise e em breve vamos entregar isso para vocês”, diz Gurgel

Por Aline dos Santos | 24/10/2023 11:00
Caso foi descoberto há oito dias, mas Roberto Gurgel ainda não definiu delegacia. (Foto: Henrique Kawaminami)
Caso foi descoberto há oito dias, mas Roberto Gurgel ainda não definiu delegacia. (Foto: Henrique Kawaminami)

Oito dias depois de o Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) flagrar depósito com 700 máquinas destinadas à coleta de apostas do jogo do bicho, a Polícia Civil ainda faz mistério sobre quem vai investigar o caso, que ganha contornos mais rumorosos pela presença de dois policiais militares, sendo um lotado no gabinete do deputado estadual Roberto Razuk Filho (PL), o Neno Razuk.

Desde à tarde do último dia 16, quando o flagrante foi registrado no Bairro Monte Castelo, em Campo Grande, o delegado-geral da Polícia Civil, Roberto Gurgel de Oliveira Filho, já voltou de vigem aos Estados Unidos, mas, até agora, nada de anunciar a delegacia responsável pela investigação.

“A gente está fazendo uma análise jurídica e técnica do assunto. Em breve a gente vai definir e informar para a população”, afirmou Gurgel, nesta terça-feira (dia 24), durante evento na Acadepol (Academia da Polícia Civil).

A reportagem questionou sobre a demora em definir o responsável pela investigação, o delegado-geral justificou que é preciso uma análise técnica. “A gente faz uma análise técnica. Eu não posso entregar para uma delegacia que não tem atribuição. Para saber qual eu preciso tomar pé da situação. Esse procedimento chegou para mim na sexta-feira, eu despachei com a assessoria jurídica. Estamos fazendo uma análise e em breve vamos entregar isso para vocês”, disse Gurgel.

Sobre a paralisia das decisões durante a viagem oficial, o delegado-geral disse que foi preferível aguardar o seu retorno. “Existem algumas atribuições administrativas que a minha substituta faz. Mas, existem algumas outras coisas que é preferível a chegada do delegado-geral”.

A ação mais expressiva da polícia contra o jogo do bicho foi realizada na operação Omertá, por meio do Garras, que fez o atual flagrante, e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), braço do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

À época, em setembro de 2020, a ação destacou que o jogo do bicho é uma contravenção penal que financia organizações criminosas.

"Não necessariamente porque não foi distribuído que não está investigando", diz Videira. (Foto: Henrique Kawaminami)
"Não necessariamente porque não foi distribuído que não está investigando", diz Videira. (Foto: Henrique Kawaminami)

Também presente ao evento na Acadepol, o titular da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), Antonio Carlos Videira, ameniza a situação.

“Está se investigando. Não necessariamente porque não foi distribuído que não está investigando. Os órgãos de inteligência acompanham as ações do Garras desde o início. O delegado Fabio Peró entregou sexta-feira, dentro do prazo, o relatório. O delegado Gurgel, que estava em uma agenda no exterior se reuniu na sexta-feira com o diretor de inteligência. Compilaram todos os dados que foram coletados, além dos produzidos pelo Garras. E o Gurgel trabalhou ontem, trabalha hoje para ver se consegue até o final do dia fechar o despacho, distribuindo esse compêndio de informações para a delegacia ou departamento que vai apurar”, afirmou Videira.

Os mais cotados para ficar com a investigação são o Garras e Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado).

Flagrante – Na tarde de 16 de outubro, policiais do Garras investigavam detalhes de outro crime quando a delegacia  recebeu denúncia de roubo, cuja placa do carro usado pelos supostos criminosos foi anotada. A equipe que estava no Monte Castelo visualizou o veículo em frente a uma casa na Rua Gramado e passou a monitorar o local.

Foi quando um motociclista deixou a residência e os investigadores em viatura descaracterizada decidiram segui-lo. Sem conseguir abordar o homem de moto, a equipe voltou para o endereço onde o carro de assaltantes havia sido deixado.

Casa onde máquinas foram encontradas no Bairro Monte Castelo. (Foto: Henrique Kawaminami)
Casa onde máquinas foram encontradas no Bairro Monte Castelo. (Foto: Henrique Kawaminami)

O veículo já não estava mais no local, mas com a chegada de reforços, os policiais tocaram a campainha do imóvel. Um homem atendeu, disse que estava ali para “jogar baralho” e quando os investigadores entraram, havia outras pessoas no local, além das máquinas utilizadas para a coleta de apostas da loteria ilegal. As máquinas são pequenas, como a de pagamento de cartão, e emitem um comprovante.

Na “turma do baralho”, estavam dois policiais militares aposentados, o major Gilberto Luiz dos Santos, que também é funcionário da Assembleia Legislativa, e o sargento Manoel José Ribeiro. “Major G. Santos”, como é conhecido o oficial da PM, está lotado desde 2019 no gabinete do deputado estadual Neno Razuk.

Além dos PMs, outras sete pessoas foram conduzidas para a sede do Garras, onde deram depoimento e foram liberados. Todos negam ligação com esquema de exploração do jogo de azar.

A casa no Monte Castelo é de empresário sul-mato-grossense que aluga o imóvel desde janeiro e diz ter sido pego de surpresa com ação do Garras, pois não fazia ideia que o inquilino fazia parte de grupo que lucra com o jogo do bicho.

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