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Capital

Depois da mãe ser dada como morta pelo SUS, filho descobre o próprio "óbito"

Situação pode ser decorrente de falha em sistema do Ministério da Saúde que deixou dados de usuários expostos

Por Lucia Morel | 14/05/2021 17:23
Mãe e filho procuraram atendimento em posto do bairro José Abrão e descobriram que estão "mortos". (Foto: Reprodução Google Maps)
Mãe e filho procuraram atendimento em posto do bairro José Abrão e descobriram que estão "mortos". (Foto: Reprodução Google Maps)

Não bastasse a mãe ter sido vítima de golpe e aparecer como morta para os atendimentos do SUS (Sistema Único de Saúde), o filho dela de 16 anos, agora passa pela mesma situação. Há cerca de duas semanas, ele recebeu um vídeo em que seu óbito é registrado em sistema.

A mãe dele, Rozangela Marquiza Gomes da Silva denunciou a situação pela qual passou ao Campo Grande News em 5 de abril e ontem, foi a vez do filho dela descobrir que também está com cadastro do SUS inativo por aparecer como morto. Ela procurou agendar consulta para ele no posto de saúde do bairro José Abrão, mas não pôde porque constava o óbito.

“Se eu precisasse de médico hoje não poderia e minha mãe nem conseguiu marcar consulta”, lamentou Inácio.

No entanto, o que mais o assusta é o fato de um número desconhecido, que ele julga ser fake, ter lhe enviado o vídeo postado na plataforma Youtube em que aparece o registro de óbito dele feito em algum sistema por hacker.

“No dia que recebi não dei bola, nem vi o vídeo inteiro. Falava em luto e nem olhei direito. Mas ontem lembrei dele, depois de saber que eu também constava como morto pro SUS. Fiz a busca e achei no meu histórico o vídeo”, comentou o adolescente.

Ele se diz assustado. “Como conseguiram meu telefone?”, questiona.

Em alerta, o adolescente afirma que teme que os familiares passem pelo mesmo e assim como ele e sua mãe, tenham atendimentos de saúde negados por haver óbito inexistente registrado. Teme também ser vítima de algum golpe maior, mas não sabe dizer o que seria. “A gente fica com medo. É algo muito estranho”, diz.



Briga judicial - O caso da mãe dele está na Justiça e também foi denunciado à Polícia Federal. O advogado dela, Deosdete de Oliveira Marquiza informou que foi concedida liminar para que a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) modifique o cadastro dela e retorne ao original. Atualmente ela consegue usar os serviços com registro civil de Rozangela Zago Marquiza.

O advogado acredita que mãe e filho tiveram os dados alterados depois que em 2019, em erro de plataforma do Ministério da Saúde, dados de milhões de usuários do SUS ficaram expostos publicamente.

Procurada, a Secretaria de Saúde informou que não pode cumprir a determinação judicial por via municipal, porque depende do aval do Ministério da Saúde. Mesmo assim, o caminho correto é que o profissional que inseriu o dado do óbito no sistema, que seria um médico de Três Lagoas, envie o pedido de alteração ao Ministério.

No entanto, dois dias depois de fazer essa alteração no cadastro de Rozangela, a direção da clínica em que ele trabalhava comunicou que ele havia falecido, o que também pode ser um equívoco.

A pasta informou ainda que “pelo fato do caso estar judicializado, não há como detalhar mais coisas” e que pelo caso ser grave, caberá investigação das autoridades competentes. A denúncia feita por Rozangela à Polícia Federal corre em segredo.

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