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Capital

Em vias movimentadas pelo comércio, policiamento especial sumiu

Estado diz que 400 policiais estariam envolvidos na operação de fim de ano; Comerciantes fizeram grupo em aplicativo para conversarem

Por Yarima Mecchi, Julia Kaifanny, Leonardo Rocha, Aline do Santos | 20/12/2016 16:23
Ruas do Centro estão sem policiamento. (Foto: Yarima Mecchi)
Ruas do Centro estão sem policiamento. (Foto: Yarima Mecchi)

A polícia sumiu das principais ruas do comércio neste fim de ano. Os lojistas, acostumados em ver equipe da PM reforçada em dezembro, reclamam que em alguns locais nem rondas de carro a Polícia Militar tem feito.

A equipe do Campo Grande News percorreu algumas das principais ruas e avenidas do Centro, além das Avenidas Julio de Castilhos - região Oeste -, Marques de Pombal - região Leste -, Bandeirantes - região Sul - Coronel Antonino e a rua Jerônimo de Albuquerque - ambas na região Norte. 

Região Oeste - Na Avenida Júlio de Castilhos, uma das principais vias de acesso da região Oeste para o Centro, e também de comércio na região, a cabeleireira Marilene Freitas, de 49 anos, diz que o problema ocorre o ano todo. "Eem julho, eu estava saindo do salão às 18h e quando cheguei ali no cruzamento com a rua Yokoama um homem me abordou. Ele me encostou na parede, encostou a faca em mim e mandou passar o dinheiro. Perdi os R$ 500 que tinha ganhado no dia", destacou.

Sem PMs até no mês de compras turbinadas, ela relatou que os comerciantes fizeram um grupo no aplicativo Whatsapp para informarem quando há algo suspeito e que também ligam no comércio para avisar. "Assim fazemos a nossa segurança. Polícia não passou aqui ainda neste fim de ano, até agora não vi ninguém", reclamou.

Sul - Na Avenida Bandeirantes, onde também há vários comércios e agências bancárias, a reclamação continua sobre o 'sumiço' da polícia. A caixa de um restaurante, Eduarda Jara, de 17 anos, disse que o local já foi furtado três vezes e que ainda não viu reforço policial no fim do ano. "Eles já entraram pelo forro do telhado, janela e pelos fundos. Mesmo assim, não vi viatura passando aqui", garantiu.

A avenida conta ainda com um batalhão da Polícia Militar e mesmo assim os comerciantes são furtados e roubados.

Com uma sapataria há 12 anos na avenida, o empresário Roberto Almeida, de 45 anos, lamenta a mudança no patrulhamento. "Hoje é muito difícil ver viatura. Antes era mais seguro. Nessa época a avenida recebia o policiamento a pé", lembrou. Ele também já teve o comércio furtado.

Funcionário de loja na Rua Maracaju disse que polícia passa apenas de carro. (Foto: Fernando Antunes)
Funcionário de loja na Rua Maracaju disse que polícia passa apenas de carro. (Foto: Fernando Antunes)

Leste - Quem tem comércio no bairro Tiradentes também notou a falta dos policiais na avenida Marquês de Pombal, a mais movimentada do bairro. O empresário João Américo, de 38 anos, abriu um comércio há um ano e oito meses, ele destaca que em 2015 os policiais ficavam andando pela rua na calçada, o que não ocorre agora. "Sempre tinha dois policiais que andavam de um lado e do outro da avenida. Eu nunca fui assaltado, mas coloquei câmera de segurança", declarou.

Mas os vizinhos não tiveram tanta sorte. Os ladrões atacaram até uma igreja. Com a falta de segurança os comerciantes também criaram um grupo no Whatsapp para trocar informações. "Como eu tenho câmera eles vem aqui para ver imagens e até levam para a polícia".

A região é conhecida por ter muitas bocas de fumo e usuários de droga. Enquanto a equipe de reportagem estava no local, a PM e o Choque foram acionados e chegaram ao local conhecido como "beco", em busca de suspeitos de roubo. Dois homens foram presos

Norte - Os comerciantes do bairro Coronel Antonino e do Nova Lima também reclamam da situação. Há 30 anos como uma loja Avenida Coronel Antonino, José Reinaldo Primo, de 66 anos, disse que era comum aumentarem o policiamento na rua, mas que há três anos os policiais fazem a ronda apenas de carro e neste ano ainda não viu nem isso. "Nos últimos anos passam bastante de carro, mas não param, não andam na rua", ressaltou.

No bairro Nova Lima, os comerciantes da Rua Jerônimo de Albuquerque destacam que tem um posto policial na rua, mas que raramente os PM's estão na fazendo ronda. "A gente vê eles passando para ir pro posto, mas aqui na rua mesmo eles não andam. Nesse fim de ano não mudou nada", disse a caixa, Flávia Moreira, de 24 anos, que trabalhar há 6 no local.

Polícia estava presente em cruzamento das avenidas Calógeras e Afonso Pena. (Foto: Yarima Mecchi)
Polícia estava presente em cruzamento das avenidas Calógeras e Afonso Pena. (Foto: Yarima Mecchi)

Centro - Apenas no cruzamento das ruas 14 de Júlio e Barão do Rio Branco haviam guardas municipais na manhã de hoje, sem a Polícia Militar. Porém, viaturas estavam nos cruzamentos da Afonso Pena com a 13 de Maio e Rua 14 de Julho.

No quadrilátero que envolve as ruas Maracaju, 13 de Maio, Barão do Rio Branco e 14 de julho, não haviam policiais militares andando ou parados nas esquinas, como tradicionalmente ocorria. Apenas algumas viaturas faziam a ronda nas ruas mais movimentadas.

O funcionário de uma loja na rua Maracaju com a 13 de Maio, Diego Gomes, de 24 anos, disse que trabalha no local há 2 anos e que este é o primeiro em que os policiais não ficam andando pela calçada. "Eles só passam de carro", destacou.

Secretário José Carlos Barbosa no evento de entrega de viaturas na manhã de hoje. (Foto: Alcides Neto)
Secretário José Carlos Barbosa no evento de entrega de viaturas na manhã de hoje. (Foto: Alcides Neto)

Estado - O secretário de Justiça e Segurança Pública do Estado, José Carlos Barbosa, disse durante o evento de entrega de viaturas na Praça Ary Coelho na manhã de hoje, que 400 policiais estariam envolvidos na operação de fim de ano.

"Se existem reclamações ou falta de policiais nas ruas principais do Centro vou conversar com o comando da Polícia Metropolitana, para que verifiquem a situação", afirmou.

Ele disse ainda que os policiais estão realizando operações nos bairros e há uma distribuição do efetivo de maneira para que todas as regiões sejam atendidas. "Existe uma distribuição do efetivo, pois também havia a reclamação que usava policiais na área central e se esqueciam dos bairros, por isto existe esta distribuição", finalizou.

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