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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

08/07/2016 18:13

Enquanto 10 mil crianças esperam na fila, Capital tem 18 creches inacabadas

Prédio projetado com 180 vagas na Vila Nasser, por exemplo, é esconderijo para usuários de drogas

Anahi Zurutuza
Vândalos picharam paredes do que seriam salas de aula (Foto: Marina Pacheco)Vândalos picharam paredes do que seriam salas de aula (Foto: Marina Pacheco)

Enquanto 10,2 mil crianças aguardam uma vaga em uma creche municipal, 18 obras de Ceinfs (Centros de Educação Infantil) em Campo Grande estão paradas ou seguem em ritmo lento, algumas delas desde 2011. Há prédios que em vez de abrigarem meninos e meninas para os pais trabalharem, servem de esconderijo para usuários de drogas e criminosos.

Todas as unidades, quando concluídas, garantirão mais 3,2 mil vagas para Capital, suprindo ao menos um terço da demanda. O problema é que, de acordo com a Semed (Secretaria Municipal de Educação), somente nove, com o total de 1.620 vagas, têm previsão para serem terminadas neste ano.

Daniela Batista Shuartz, 25, diz que ver a construção de uma creche parada na frente da casa da cunhada só aumenta a agonia da espera por uma vaga. “Eu queria volta a trabalhar, mas não posso. Há um ano eu tento uma vaga para a minha filha, mas não consigo”, afirma a dona de casa, que antes de ter a Bianca, de 1 ano e 6 meses, era funcionária de uma cozinha industrial.

O marido dela, que trabalha como pedreiro, é quem mantém a casa por enquanto. “Já fui até no Conselho Tutelar. Não sei mais a quem recorrer”.

Mato cresce no entorno da obra (Foto: Marina Pacheco)Mato cresce no entorno da obra (Foto: Marina Pacheco)

O Ceinf em questão fica na esquina das ruas Lindoia e Dona Julia Serra, na Vil Marli – região norte de Campo Grande. A obra foi abandonada há cinco anos, segundo Emerson Ferreira, dono de uma marcenaria localizada em frente ao prédio. “Virou a casa da bandidagem isso aí. Já encontraram até peça de moto desmanchada lá dentro. De vez em quando, limpam o terreno, mas já teve mês que o mato chegou na altura do muro”.

Karla Karolina, 17, mãe do Kauê Riquelme, de 7 meses, também tenta uma vaga nas unidades da Vila Marli e da comunidade Tia Eva, na região do Jardim Seminário – também na zona norte da Capital. Ela quer voltar a trabalhar no salão de beleza da mãe ou conseguir um emprego com carteira assinada, porque o salário de servente do marido, Willian, 20, quase não dá para os três. “Eu preciso trabalhar, mas dizem que é difícil conseguir vaga mesmo”.

Karla Karolina quer voltar a trabalhar, mas tem de esperar por vaga (Foto: Marina Pacheco)Karla Karolina quer voltar a trabalhar, mas tem de esperar por vaga (Foto: Marina Pacheco)

Justiça – O desespero faz com que pais apelem para a Justiça para encontrar uma vaga. Nesta sexta-feira (8), a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul atendeu 300 famílias em um mutirão para desafogar centenas de pedidos por vagas em escolas e creches na Capital, uma demanda que em apenas um mês cresceu 109%.

O aumento é contínuo. Em abril foram 105 famílias atendidas e no primeiro mutirão, de março, 68, uma disparada na procura por intervenção da Defensoria para processar a prefeitura a obrigá-la a matricular crianças em Ceinfs.

Prazos – Além da creche da Vila Nasser, as obras paradas de unidades do Jardim Jerusalém, Bosque Santa Mônica, Panamá, Nelson Trad, Aquários 2, Oscar Salazar, Nova Lima e Vida Nova, não têm nem previsão de serem retomadas.

De acordo com a Semed, a empresa responsável desistiu dos contratos com o município e abandonou as construções. A prefeitura precisa agora de autorização do governo federal, uma vez que as obras são custeadas pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), para licitar a conclusão dos trabalhos.

Já as obras dos Ceinfs do Jardim Noroeste, Jardim Centenário, Vespasiano Martins, Jardim Inápolis, Vila Popular, Zé Pereira, Jardim Anache, Tijuca II, Oliveira III devem ficar prontas ainda neste ano, estima a secretaria.

Os trabalhos também foram paralisados, segundo a Semed, para a revisão dos projetos e contratos. Por conta do tempo de paralisação, empreiteiras querem mais dinheiro para concluir os trabalhos.
Para amenizar o deficit, a Semed ainda pretender readequar espaços já existentes nas creches para atender mais crianças, além de construir salas modulares.




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