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Capital

“Entrou falando”, diz tia de criança que morreu em UPA após 5 paradas cardíacas

A menina de 3 anos morreu na madrugada de ontem (14), na UPA Coronel Antonino

Por Viviane Oliveira e Mirian Machado | 14/01/2022 12:48
Amigos e familiares durante velório de Pietra nesta manhã. (Foto: Henrique Kawaminami)
Amigos e familiares durante velório de Pietra nesta manhã. (Foto: Henrique Kawaminami)

A família de menina de 3 anos, que morreu na madrugada de ontem (13), na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Coronel Antonino, quer entender como uma criança, sem nenhum problema de saúde, dá entrada numa unidade com dor na barriga e, logo depois, morre após sofrer cinco paradas cardíacas.

“Ela entrou falando”, disse a tia, Maria, de 36 anos, irmã do pai da criança, durante o velório na manhã desta sexta-feira. Os pais não tiveram condições de falar com a reportagem. A menina era filha única do casal.

Ela contou que na manhã de quarta-feira (12), a mãe levou a criança para a unidade de saúde, porque ela não estava querendo comer. “Lá, tomou soro e foi liberada. Quando foi na madrugada de quinta-feira (13), passou a reclamar de dor na barriga e não queria mamar".

Foi quando a mãe voltou com a filha para o posto de saúde. A tia disse que houve demora no atendimento, cerca de 1 hora. Quando a criança foi atendida, a mãe informou que ela era alérgica à azitromicina (antibiótico usado no tratamento de várias infecções bacterianas).

A menina, então, foi levada para uma sala e voltou a tomar soro, foram feitos exames de raio X, de urina e de fezes. Enquanto isso, a mãe não saiu de perto da criança, que segundo a tia, estava falando normalmente. “Ela pedia água, pedia para a mãe não a deixar sozinha”.

De repente, a criança começou a passar mal e espumar pela boca. “Os médicos foram chamados e imediatamente pediram para a mãe sair da sala. Ainda tentaram reanimá-la, mas ela morreu depois de cinco paradas cardíacas. A família ainda não sabe o que causou a morte, porque no laudo foi informado que a criança morreu após parada cardíaca, mas a família quer saber o que causou as paradas cardiorrespiratórias.

Conforme Maria, depois que o óbito foi constatado e avisaram a família, o corpo da criança ficou exposto numa sala por mais de 2 horas até ser levado dali. “Ela era uma criança saudável, comia de tudo e não tinha histórico de doença. A tia ainda afirmou que em casa a criança não teve vômito, nem diarreia. "A gente não sabe o que realmente aconteceu, se deram algum remédio forte para ela, o que houve", lamentou a tia.

Em nota, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) disse que a criança teve duas passagens pela unidade. Na quarta-feira, ela chegou com relato de dor abdominal, febre, foi atendida e permaneceu em observação. Porém, retornou na madrugada de quinta-feira, já bastante debilitada, relatando vômitos frequentes. “Ela teve uma piora no quadro clínico e rapidamente evoluiu para óbito. Tentaram reanimá-la por 40 minutos, mas sem sucesso”, segundo a nota.

Ainda conforme nota, a Sesau deverá abrir um procedimento interno para apurar as circunstâncias que ocorreram os atendimentos e se coloca à disposição da família para eventuais esclarecimentos”. O caso foi registrado como morte a esclarecer e segue sob investigação da Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente). A menina será sepultada nesta tarde, no Cemitério Jardim da Paz.

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