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Capital

Esposas e mães compartilham expectativa e saudade em visita aos presos

Para familiares, a data é importante, apesar das restrições e do limite de horário

Por Lucia Morel e Bruna Marques | 01/08/2021 09:29
Mulher aguardando horário de visita no IPCG. (Foto: Marcos Maluf)
Mulher aguardando horário de visita no IPCG. (Foto: Marcos Maluf)

As visitas aos presos de Mato Grosso do Sul recomeçaram neste domingo e apesar de não terem atraído muitos familiares, quem foi, afirma que a data é importante e que apesar das restrições e do limite de horário, é melhor que ficar ainda mais tempo sem vê-los. Os encontros estavam suspensos há um ano e quatro meses, como medida de biossegurança contra pandemia.

No IPCG (Instituto Penal de Campo Grande), cerca de 10 mulheres entre esposas e mães aguardavam esta manhã para poderem ver, das 9h às 11h, seus esposos e filhos. Uma delas, administradora de 25 anos, veio do bairro Zé Pereira para ver o marido, de 29, com quem tem uma filha de dois anos.

Juntos há cinco anos, ele está preso há quatro e a saudade é grande. A última vez que se viram pessoalmente foi no início da pandemia, no ano passado. Depois disso, só por vídeoconferência. "Nem vou poder dar um abraço", comentou, lembrando que a visita será pessoal, mas à distância.

Mulheres na porta do IPCG, aguardando autorização para entrada (Foto: Marcos Maluf)
Mulheres na porta do IPCG, aguardando autorização para entrada (Foto: Marcos Maluf)

Também não foi permitido levar alimentos aos presos e, ao invés de visita até 16h30, ela está limitada até às 11h. "Queria muito abraçar e ter pelo menos uma visita íntima no mês, até porque nem vamos poder ficar o dia todo", disse a jovem, que não quis comentar qual foi a condenação do esposo.

Aos 46 anos, a cuidadora de idosos faz visitas ao marido, da mesma idade, há pelo menos 20 anos, tempo que ele está preso, por homicídio. Eles estão juntos há 27 anos e têm uma filha de 26. Nesse tempo, apesar dos obstáculos, ela afirma que o relacionamento permaneceu firme e que, assim que ele sair da prisão, no ano que vem, se mudarão para uma casa própria.

"Eu estava com muita vontade de vir, um desejo grande de encontrar porque tem muito tempo que não nos vemos, já vai pra oito meses", disse, ao comentar que o viu por cerca de duas horas em dezembro. Antes disso, nem mesmo por videoconferência, já que devido ao trabalho, ela não teve tempo de agendar o encontro virtual.

"Eu espero uma vida nova quando ele sair. Conseguimos nossa casa própria e espero também que ele mude, porque o sofrimento é muito grande", lamentou, dizendo ainda que, se pudesse, teria levado charque com abóbora e frutas para que o marido comesse.

Mãe de um rapaz de 22 anos preso por suspeita de homicídio, a serviços gerais de 45 anos era uma das únicas genitoras no IPCG. O filho está recluso há um ano e oito meses e durante todo esse período ela não o vê. "Não consegui falar com ele por vídeo", disse.

Para ela, ficar distante é ruim e com a visita liberada agora, para todos que já tenham sido totalmente imunizados contra a covid-19, haverá a possibilidade de ver como o filho dela realmente está. "Não sabemos como eles estão ou o que está acontecendo e mesmo a visita de hoje sendo pouco tempo, só ver que ele está bem dá um alívio".

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