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Capital

Ex-funcionária, testemunha viu Adriano na balada e logo depois da morte

Mulher de 26 anos é a primeira a ser ouvida pela polícia, nesta terça-feira (3)

Por Amanda Bogo e Adriano Fernandes | 03/01/2017 14:44
Vítimas sendo atendidas após acidente na Ernesto Geisel; empresário morreu no local (Foto: Simão Nogueira)
Vítimas sendo atendidas após acidente na Ernesto Geisel; empresário morreu no local (Foto: Simão Nogueira)

A primeira testemunha do caso envolvendo a morte do empresário Adriano Correia do Nascimento, 33 anos, morto após briga de trânsito na avenida Ernesto Geisel pelo policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, 46, está sendo ouvida neste momento na 1ª DP (Delegacia de Polícia) de Campo Grande. Ela trabalha na boate em que a vítima estava momentos antes do acidente, foi funcionária das empresas de Adriano por dois anos e esteve no local, onde reconheceu o corpo.

Bruna Eduarda Silva, 26 anos, chegou à delegacia às 14 horas desta terça-feira (3). Ela estava acompanhada de Christian Queiroz, proprietário da boate em que Adriano, Agnaldo Espinosa da Silva de 48, e seu filho, de 17, comemoravam o aniversário do adolescente antes de ocorrer o acidente. Ela será ouvida pela delegada Daniella Kades, responsável pelo caso.

À imprensa, a testemunha relatou conhecer Adriano há dois anos, período em que trabalhou no Sushi Express e no Madalena Sushi, ambos de propriedade do empresário, e relatou tê-lo visto em três momentos naquela noite. “Ele agiu de forma espontânea e conversou com todo mundo como sempre fez. Vi ele na hora em que ele chegou, na hora em que saiu e depois no acidente”.

Após deixar a boate, onde trabalha há dois meses, foi levar o irmão na Avenida Ernesto Geisel, momento em que presenciou o acidente. Um amigo que também trabalhou com Adriano que confirmou que a placa da Hilux era a do empresário. “Cheguei mais próximo, vi o corpo e reconheci que era ele. Na hora fiquei sem reação”.

Crime - Ricardo Hyun Su Moon conduzia sua Mitsubishi Pajero prata na manhã do dia 31 de dezembro do ano passado em sentido à rodoviária, onde embarcaria para Corumbá (a 419km de Campo Grande), seu posto de trabalho na PRF. Após uma suposta briga de trânsito, ele fez pelo menos sete tiros contra a Hilux branca do empresário.

Nascimento, dono de dois restaurantes japoneses na cidade, foi atingido três vezes, duas no peito e uma no pescoço. Morreu na hora, perdeu o controle do veículo e bateu em um poste.

O policial ficou no local do crime e chegou até a discutir com uma das vítimas, mas não foi preso na ocasião, mesmo havendo policiais militares no local. Posteriormente, ele acabou sendo indiciado em flagrante ao comparecer na delegacia com um advogado e representante da PRF.

Em seu depoimento, Moon disse que agiu em legítima defesa. Afirmou que as vítimas não o obedeceram mesmo após ele se identificar como policial, que tentaram lhe atropelar ao fugir dele e que viu um objeto escuro que poderia ser uma arma na mão de uma das vítimas.

Liberdade - Apesar de indiciado pela Polícia Civil, Moon responderá o processo em liberdade após a Justiça negar neste domingo (1) o pedido de prisão preventiva por 30 dias. O policial está proibido de viajar e tem de passar as noites em casa.

A Corregedoria da PRF também investiga o caso. Afastou Moon de suas atividades, apreendeu sua arma de trabalho e fará uma perícia própria dos fatos.

A OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil) divulgou nota nesta segunda-feira (2) prometendo procurar o CNJ (Conselho nacional de Justiça) contra a decisão do judiciário de conceder a liberdade provisória ao policial, coreano naturalizado brasileiro, ex-policial civil em São Paulo e campeão em competições de tiro.

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