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Campo Grande, Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019

02/12/2019 18:39

Exigência de assinatura torna público quem contratou outdoor contra milícia

Placa publicitária convocando famílias de vítimas de grupo de extermínio agora está na Afonso Pena

Marta Ferreira
Outdoor está em terreno na Afonso Pena, ao lado de outro sobre corrida Polícia Militar, em frente ao Aquário do Pantanal. (Fotos: Kísie Ainoã)Outdoor está em terreno na Afonso Pena, ao lado de outro sobre corrida Polícia Militar, em frente ao Aquário do Pantanal. (Fotos: Kísie Ainoã)

Veiculado sem assinatura no dia 16 de novembro, outdoor convocando vítimas de milícia armada investigada pela Operação Omertà a fazer denúncias apareceu neste fim de semana na Avenida Afonso Pena, ponto nobre de Campo Grande, com o nome do responsável: trata-se do capitão reformado da Polícia Militar Paulo Roberto Teixeira Xavier, 42 anos. O filho do PM, o estudante de Direito Matheus da Costa Xavier, de 20 anos, foi executado por engano no dia 9 de abril deste ano, no lugar dele, segundo as investigações.

Na semana passada, a força-tarefa da Polícia Civil criada para investigar esse e outros três  de pistolagem atribuiu formalmente a encomenda do assassinato a tiros de fuzil aos empresários Jamil Name, 80 anos, e Jamil Name Filho, 42, presos desde 27 de setembro, como chefes de grupo de extermínio.

Ao Campo Grande News, Xavier disse que teve de assinar o outdoor, agora, por exigência da empresa responsável. O nome dele já era citado como provável responsável nos bastidores das investigações. 

Só que na primeira contratação, afirmou, isso não foi exigido. Além do nome do contratante, foi publicado ainda o número do CPF.

Xavier disse ter contratado a veiculação da peça por três meses e, inicialmente, não foi exigida a assinatura. Na semana passada, de acordo com ele, veio essa solicitação e chegou a ser sugerido pela empresa a devolução de valores.

Placa agora tem o nome do capitão reformado da PM e o CPF, que foi preservado na imagem. Placa agora tem o nome do capitão reformado da PM e o CPF, que foi preservado na imagem.

“Acordo” - A diretora comercial da empresa, Miriã Avanci, disse que na primeira veiculação, quando a placa foi colocada no cruzamento das Avenidas Hiroshima com Mato Grosso, os donos da Total Mídia não estavam na cidade e não viram. Quando retornaram, informou, foi solicitada a inclusão do nome do contratante, prática incomum em casos de pessoa física, como foi apurado pela reportagem.

De acordo com Miriã, essas seriam regras próprias da empresa. A proposta de devolução do valor envolvido, diz, foi em razão da crença de que, por segurança, Paulo Roberto Teixeira Xavier não iria querer aparecer. Antes do outdoor, logo após a operação, surgiram faixas na entrada do Parque dos Poderes, também em alusão à milícia, também sem responsável identificado.

O militar, porém, fez questão de que a peça fosse afixada e diz que chegou a ameaçar ir à Justiça. De acordo com ele, a intenção com a colocação da placa publicitária é “não deixar o assunto cair no esquecimento”.

Teor - O outdoor convoca famílias de vítimas a fazer denúncias ao Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado) e ao Batalhão de Choque da PM (Polícia Militar), que fizeram juntos a Omertà. São divulgados, ainda, os números de telefones dessas unidades no painel, colocado em frente ao Aquário do Pantanal, ao lado de outro fazendo propaganda de corrida da Polícia Militar.

Na placa, está escrito “Operação Omertà: Salve a vida de seus filhos e limpe o Estado”.  Abaixo disso, a frase em latim “lux and veritas”, que significa luz e verdade. Polícia Civil, PM e Gaeco afirmaram não terem sido consultados ou autorizado o material.

Na quinta-feira (28), em entrevista ao Campo Grande News, o militar havia dito que o assassinato de seu filho não pode ter sido em vão e que o engano cometido pode ter salvado vidas de desafetos na lista da organização criminosa. 

O Sinapro (Sindicato das Agências de Propaganda do Estado de Mato Grosso do Sul) foi procurado para responder se a exigência de responsabilização da peça está prevista em alguma normativa e ainda não se manifestou. 

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