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Capital

Família de professora morta por ex-guarda protesta pedindo celeridade à Justiça

Jovem foi morta há quase 2 anos; autor do crime segue detido, mas sem sentença definida

Liana Feitosa e Dayene Paz | 20/02/2022 16:23
Protesto teve a participação de familiares e amigos de Maxelline. (Foto: Dayene Paz)
Protesto teve a participação de familiares e amigos de Maxelline. (Foto: Dayene Paz)

A morte da professora Maxelline da Silva dos Santos completa 2 anos no próximo dia 29 de fevereiro e, até hoje, o assassino segue sem sentença. Ela foi morta aos 28 anos pelo ex-namorado Valtenir Pereira da Silva, que na época, era guarda municipal e tinha 36 anos. O autor ainda feriu uma amiga da vítima, que sobreviveu, e matou o esposo dessa amiga na mesma ocasião.

Indignados com a demora na resolução do caso, a família de Maxelline protestou na tarde deste domingo (20) em frente à Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, seguindo até a orla do aeroporto, na Avenida Duque de Caxias.

Demora - Marisa Rodrigues da Silva, de 51 anos, mãe da professora, disse ao Campo Grande News que o objetivo do protesto é pressionar o Poder Judiciário para que o acusado seja finalmente sentenciado. “São quase 2 anos. A gente quer uma resposta mais rápida. Quanto mais demora, mais prolonga nosso sofrimento. Está bastante difícil lidar com o fato de que ele continua preso sem a realização de nenhuma audiência, o processo está muito lento. Queremos que ele vá logo a julgamento”, desabafa a mãe.

Muito emocionada, a mãe conta que Maxelline era uma pessoa muito especial. “Era minha companheira, a gente fazia muita coisa juntas. Eu procuro não olhar as fotos da filha e as coisas dela, porque assim, eu não consigo ir pra frente e só choro”, compartilha. “Fico me perguntando por que tantos outros casos são resolvidos de maneira tão rápida e o dela só ficam protelando, caiu no esquecimento, não temos resposta", completa.

Família protestou em canteiro da Avenida Duque de Caxias, próximo à Casa da Mulher Brasileira. (Foto: Dayene Paz)
Família protestou em canteiro da Avenida Duque de Caxias, próximo à Casa da Mulher Brasileira. (Foto: Dayene Paz)

Doze dias antes de ser morta, a vítima chegou a denunciar o ex-namorado. “Mas ninguém fez nada. A polícia sabia que ela já havia denunciado e que ele tinha um histórico e, mesmo assim, deixaram ele usar arma. Se tivessem tirado a arma dele… Ela saiu de lá [da delegacia, quando registrou denúncia] com papéis, mas papéis não resolvem nada”, conta, chorando, Marisa.

Arma - A tia de Maxelline, Dulce Rodrigues, técnica de enfermagem de 45 anos, não consegue entender como foi permitido ao Valtenir usar arma de fogo, uma vez que ele já tinha registro de violência doméstica em seu nome anterior à denúncia feita por Maxelline. Por causa de seu trabalho como guarda municipal, “Ele até tinha feito curso de proteção à mulher na Casa da Mulher Brasileira”, disse a tia.

“Ela denunciou e não deram ouvido, não deram atenção e a gente sente o descaso que ficou. A gente não pode mudar o que aconteceu, mas pode lutar para que não aconteça mais com outras famílias. Nesse caso, foram três famílias derrotadas”, finaliza a tia.

Caso - Na noite de 29 de fevereiro, Maxelline participava de churrasco com os amigos, quando o ex-namorado, descumprindo medida protetiva, a procurou para conversar. Conforme testemunha, o diálogo começou calmo, mas a situação mudou quando a professora disse “eu não quero” ao convite do guarda municipal para os dois irem embora. A amiga tentou apaziguar os ânimos, mas Valtenir a baleou.

Imediatamente, Steferson se aproximou para ver o que estava acontecendo e foi morto. Por fim, a tragédia terminou com Valtenir atirando na cabeça da ex-namorada e fugindo de carro. O autor ficou seis dias foragido, mas localizado depois.

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) denunciou o ex-guarda pela morte da professora, qualificada por motivo torpe, feminicídio e violência doméstica, além do descumprimento de medida protetiva estabelecida na Lei Maria da Penha. No homicídio de Steferson, as qualificadoras foram motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima.

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