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Campo Grande, Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018

23/10/2017 13:45

Famílias que invadiram terreno temem despejo e dizem não ter para onde ir

Ricardo Campos Jr.
Famílias construíram casas de alvenaria no local (Foto: Ricardo Campos Jr.)Famílias construíram casas de alvenaria no local (Foto: Ricardo Campos Jr.)

Famílias que invadiram uma área particular na Avenida Guaicurus estão apreensivas diante de uma ordem de reintegração de posse determinada pelo juiz Paulo Afonso de Oliveira, da 2ª Vara Cível de Campo Grande. Os moradores foram intimados a deixar o local até domingo (22), de modo que a qualquer momento as forças policiais designadas para cumprir a decisão podem chegar ao local.

O mestre de obras Weder Corrêa do Carmo, 47 anos, é um dos coordenadores do movimento e diz que o local era tomado pelo mato alto e usado por criminosos. Segundo ele, quando a vegetação começou a ser retirada para dar lugar às moradias, carcaças de motos e carros roubados foram encontradas.

Além disso, conforme o morador, vizinhos assinaram declarações enviadas à Justiça alegando que vários assaltos já foram cometidos nas imediações do terreno, quando os bandidos se escondiam em meio às plantas para surpreender as vítimas.

Hoje vivem no local 216 famílias, segundo cadastro feito pelo próprio grupo. As casas que estão sendo erguidas são de alvenaria. Pela manhã eles fizeram um protesto na avenida contra o despejo.

O dono do local é identificado na ação como João Pereira da Rosa, que segundo Weder já esteve no local e participou de uma conversa amigável com os invasores, ocasião em que disse ter interesse, caso a prefeitura quisesse, em vender a área ao município para ser usada no programa Minha Casa, Minha Vida.

Famílias fizeram protesto pela manhã contra a reintegração de posse (Foto: Ricardo Campos Jr.)Famílias fizeram protesto pela manhã contra a reintegração de posse (Foto: Ricardo Campos Jr.)

Essa declaração, segundo o coordenador, foi filmada e anexada na ação, mas a informação é contestada pela defesa do proprietário. As famílias cobram providências do poder público no sentido de ajudá-los a regularizar a situação para que eles possam viver no terreno. 

Weder afirma que o grupo não se importa em pagar pelos lotes, se os valores forem parcelados de modo a caber no bolso deles. Porém, eles dizem que atualmente não têm para onde ir. Se a reintegração for concretizada, eles terão que morar na rua.

A decisão do juiz Paulo Afonso determinando a reintegração foi tomada no dia 5 de outubro, mas o oficial de Justiça foi ao local somente na quarta-feira (18), segundo os moradores.

Outro lado – Antônio Rivaldo Menezes de Araújo, um dos advogados de João Pereira da Rosa, disse ao Campo Grande News que o cliente está em vias de negociação para vender o terreno a uma empresa.

Ele contesta a alegação dos invasores de que o proprietário teria demonstrado interesse em se desfazer dela para o município em razão da burocracia envolvida neste processo.

Sobre o desuso do local antes da ocupação, o advogado afirma que não existe qualquer registro de ocorrência policial que mencione o uso do local como desmanche ou esconderijo de ladrões e alega que a defesa dos moradores não conseguiu provar isso na ação.

O lote chegou a ter uma pendência fiscal com o município, que foi regularizada quando a própria prefeitura fez o desmembramento para abrir uma avenida no local. Atualmente, segundo Araújo, não existe qualquer tipo de dívida envolvendo a área.



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