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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

28/10/2015 10:35

Força-tarefa ajuda motorista a encontrar carteira perdida há 30 anos

Flávia Lima
Funcionários do MPT realizam ação nesta quarta-feira,mas continuarão atendendo trabalhadores ao longo da semana. (Foto:Marcos Ermínio)Funcionários do MPT realizam ação nesta quarta-feira,mas continuarão atendendo trabalhadores ao longo da semana. (Foto:Marcos Ermínio)
Carteiras estão distribuídas em 80 caixas e aguardam donos, algumas, há mais de 20 anos. (Foto:Marcos Ermínio)Carteiras estão distribuídas em 80 caixas e aguardam donos, algumas, há mais de 20 anos. (Foto:Marcos Ermínio)

A esperança de localizar a carteira de trabalho perdida e agilizar a aposentadoria, levou várias pessoas a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, mesmo antes do início do expediente. Atraídos pela força-tarefa que o órgão está realizando nesta quarta-feira (28) para localizar os donos das 6,8 mil carteiras de trabalho extraviadas, os trabalhadores que foram logo cedo ao MPT (Ministério Público do Trabalho) buscavam o documento na tentativa de resolver pendências com o INSS mas, principalmente de concluir o processo de aposentadoria.

De acordo com a chefe de Políticas Públicas de Emprego, Lucineide Miranda de Souza, o maior empecilho para quem perdeu o principal documento trabalhista é não conseguir receber os benefícios, como auxílio doença e enfrentar entraves no momento de ingressar com o pedido de aposentadoria. A situação fica mais complicada quando as empresas registradas no documento perdido, já não existem mais. “Daí fica impossível localizar algum responsável para fazer um novo registro no documento atual”, explica.

A expectativa é de localizar a maior parte dos donos das carteiras guardadas nas 80 caixas do MPT, mas Lucineide sabe que é missão quase impossível, já que muitos trabalhadores faleceram ou nem residem mais em Campo Grande. Ela explica que quando um documento é encontrado pro alguém, geralmente é encaminhado para as agências dos Correios, que após 90 dias encaminha para a Superintendência do Trabalho, localizada na Rua 13 de Maio.

Quando o trabalhador vai ao órgão, o funcionário busca a carteira através do número de seu PIS, que nunca muda, mesmo se a pessoa perder o documento. O problema é que o órgão dispõe de registros de carteiras apenas de 1976 em diante. Nesse caso, se o trabalhador perdeu algum documento que tenha registros de empresas anteriores a esse ano, deverá procurar a Justiça do Trabalho, levando algum documento que comprove seu vínculo empregatício para obter a aposentadoria.

Sorte - Esse era justamente o problema que o motorista Ademir Caramalac Greffe queria evitar, já que começou a trabalhar em 1974, aos 13 anos, porém, não tinha mais a carteira, até a manhã desta segunda-feira, quando por “milagre”, como ele mesmo disse, conseguiu encontrar em meio às caixas empoeiradas, o documento perdido no pátio de uma concessionária de caminhões, entre o final da década de 1970 e início de 1980, em Campo Grande.

“Não costumava andar com a carteira no bolso, mas era recém-contratado de uma empresa e estava com ela no bolso porque ainda ia passar no RH. Acontece que pediram para buscar um caminhão nessa concessionária e a carteira acabou caindo no pátio”, lembra. A emoção de reencontrar o documento foi tão grande que contagiou até os funcionárias do MPT. “Isso acontece só com 1% das pessoas que vem aqui”, diz Lucineide.

Ademir conta que tem três carteiras de trabalho, todas preenchidas, mas faltava apenas essa, encontrada hoje, para dar entrada em sua aposentadoria. “Aqui estão todas as primeiras empresas que trabalhei. A maioria já nem existe”, afirma. O motorista diz que a demora em buscar o documento perdido foi devido a rotina de trabalho que sempre teve. Minha vida é no mundo. Nunca saí da estrada, então era difícil vir aqui para procurar. Só estou chateado porque trabalhei em muitos lugares sem registro e já poderia ter me aposentado”, ressalta.

A mesma sorte não teve a auxiliar de limpeza Aparecida Silva, que foi em busca da carteira da filha, que mora em São Paulo. Mesmo que localizasse o documento, Lucineide diz que ela só poderia retirá-lo mediante procuração do responsável. “Não entregamos nenhuma carteira para terceiros, mesmo que sejam parentes”, diz.

Aparecida explica que a filha perdeu a carteira há quase dez anos e hoje encontra dificuldade para receber benefícios, já que o INSS exige que ela dê baixa no documento extraviado.

Mesma situação do marido da dona de casa Percília Padilha. Ela também tinha esperanças de encontrar a carteira dele durante a ação, mas não obteve sucesso na busca. Perdido há pelo menos 20 anos, o documento está fazendo falta na contagem de tempo para a aposentadoria. “Ele já deu entrada no processo e lá tem mais de dez empresas registradas”, lamenta.

Lucineide alerta que o trabalhador que perder a carteira deve imediatamente registrar um boletim de ocorrência, mesmo que ela tenha sido extraviada dentro de casa. Do contrário, não conseguira tirar a segunda via. Se o documento for localizado, é preciso ir até o Ministério Público do Trabalho dar baixa no documento encontrado. Isso, se a pessoa já tiver em mãos, a nova carteira.

“As pessoas precisam dar mais valor a carteira de trabalho. Tem gente que chega a arrancar a foto para utilizar em outro documento, tornando-a inútil. Nunca se deve andar com ela no bolso porque a sua perda pode significar dor de cabeça no futuro”, lembra.

Quem perder as ação desta segunda-feira, poderá ir nos próximos dias a Superintendência Regional do Trabalho, na Rua 13 de Maio, 3214, Centro. As carteiras ficarão disponíveis no local. As últimas campanhas para resgate do documento foram feitas em 2011 e 2012, mas por falta de interessados, o órgão decidiu não realizar novas edições. “Agora consideramos importante devido ao grande número reunido”, conclui Lucineide.

O motorista Ademir Grefe ficou aliviado ao encontrar sua carteira de trabalho, pedida há pelo menos 30 anos. (foto:Marcos Ermínio)O motorista Ademir Grefe ficou aliviado ao encontrar sua carteira de trabalho, pedida há pelo menos 30 anos. (foto:Marcos Ermínio)
A dona de casa Percília Padilha buscava a carteira da filha. (Foto:Marcos Ermínio)A dona de casa Percília Padilha buscava a carteira da filha. (Foto:Marcos Ermínio)


Eu acho incrivel nos dias de hoje o trabalhador perder a carteira de trabalho e o governo não ter um registro decente e o coitado do trabalhador perder a aposentadoria por causa de um documento fisico, o governo deveria, se não tem, ter um registro de tudo isso, afinal o trabalhador paga para trabalhar e o governo na hora de fazer sua parte faz de tudo para dificultar um direito do trabalhador.
 
Max em 28/10/2015 12:43:32
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