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Capital

Fuga em massa liberou oito pistoleiros de narcotraficante "Minotauro"

Dos 12 pistoleiros brasileiros presos em fevereiro de 2019, 8 estavam no grupo que escapou do Presídio de Pedro Juan Caballero

Por Izabela Sanchez | 19/01/2020 12:35
Pistoleiros sendo levados pela polícia durante operação que desarticulou parte da quadrilha do narcotraficante Minotauro (Foto: 780AM)
Pistoleiros sendo levados pela polícia durante operação que desarticulou parte da quadrilha do narcotraficante Minotauro (Foto: 780AM)

Um ano após a operação desencadeada pela polícia paraguaia para prender a estrutura criminosa do narcotraficante Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, o Minotauro, 8 dos 12 pistoleiros presos estão agora em liberdade após fuga em massa de 75 presos do Presídio de Pedro Juan Caballero na madrugada deste domingo (19).

O Campo Grande News teve acesso a lista oficial dos presos. O grupo armado do narcotraficante do PCC (Primeiro Comando da Capital), hoje preso em Balneário Camboriú (SC), está ligado a mais de 150 mortes na região de fronteira, cenário de uma guerra aberta, com vítimas diárias.

Diversos grupos disputam a liderança do tráfico de drogas após a morte de Jorge Rafaat em 2016.
Fugiram do presídio nesta madrugada os pistoleiros brasileiros Ailton Botelho dos Santos, 34, Rodrigo Rocha de Araújo, 22, Renan Canteiro, 29, Wilson Carlos Torres Quadros, 37, Rafael de Souza, 24, Felipe Diogo Fernandes Dias, 24, Julio Cesar Gomes, 28 e Luciano De Souza Martinez, 25.

Além deles, também está livre o brasileiro Luciano Martinez e Marcos Paulo Valdez Pereira, que foi preso com documentos brasileiros e paraguaios, segundo o balanço da operação em fevereiro.

Minotauro – O narcotraficante é visto como um dos “reis” do tráfico na fronteira e liderança do PCC que despontou no domínio da região depois da morte Rafaat. Duas semanas antes de ser preso, em fevereiro, e com pessoas sendo executadas todos os dias em Pedro Juan Caballero, o traficante, com apoio do PCC, tentou retirar da fronteira uma grande carga de cocaína.

Os 940 quilos da droga em um utilitário da BMW foram apreendidos na BR-463. Pistas que surgiram após a apreensão ajudaram a polícia a localizar Minotauro no litoral catarinense. O tráfico movimenta uma fortuna todos os anos no Brasil. Estimativas apontam movimento de R$ 17 bilhões por ano no país.

Na operação que levou a prisão de Minotauro, a polícia desarticulou um centro onde Minotauro e os comparsas controlavam uma espécie de “Big Brother” com câmeras instaladas nas residências onde moravam membros de seu bando. Outras câmeras serviam para acompanhar a movimentação de outros pontos estratégicos da cidade.

Fuga em massa – Na madrugada deste domingo 75 presos do Presídio de Pedro Juan Caballero, na linha fronteira da cidade gêmea Ponta Porã, fugiram do complexo de duas celas do pavilhão B, para faccionados do PCC. Eles cavaram túnel, mas autoridades acreditam que a fuga tenha sido pelo portão principal, com ajuda de funcionários do presídio e até de policiais.

O jornal ABC Color fala em “celas destrancadas” e o ministro do interior no Paraguai, Euclides Acevedo declarou que “a maioria fugiu pelo portão principal” e que cerca de 15 presos já haviam fugido do presídio na semana passada.

O caso mobiliza por completo as forças de segurança paraguaias e as forças de segurança brasileiras em Mato Grosso do Sul, a exemplo de forças de elite da polícia militar e militares do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) que bloqueiam acessos a faixa de fronteira. A PRE (Polícia Rodoviária Estadual) também vistoria rodovias. Até um helicóptero da Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública) é utilizado nas buscas.

Os dirigentes da Penitenciária já foram destituídos do cargo pela ministra da Justiça do Paraguai Cecilia Pérez, como medida preliminar de investigação. Ela declarou, nesta manhã, que é "categórico" que houve corrupção para permitir a fuga dos presos.

Cecilia Pérez já havia declarado que as autoridades detectaram um plano de fuga de presos membros do PCC. Segundo as investigações, a organização oferecia cerca de 80 mil dólares para carcereiros ou policiais que facilitassem a fuga.