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Capital

Grupo de 23 pessoas é detido por fraude durante vestibular de Medicina

Por Helton Verão | 10/11/2013 20:45
Os detidos foram encaminhados a Depac Centro e esconderam o rosto ao entrar na delegacia
Os detidos foram encaminhados a Depac Centro e esconderam o rosto ao entrar na delegacia

Um grupo de 23 pessoas foi detido na manhã deste domingo (10), suspeito de tentar fraudar a prova do vestibular para o curso de Medicina da Universidade Anhanguera/Uniderp. Eles estavam com pontos eletrônicos, entre outros dispositivos escondidos pela roupa. Entre os detidos, um adolescente de 17 anos. Os outros 22 têm idades entre 18 e 27 anos.

Professores e alunos do curso de Medicina da faculdade participaram da fiscalização. Após duas horas de prova, quando as primeiras pessoas começaram a sair, os portões foram fechados o que obrigou todos a passarem pelo exame de otoscopia, que avalia visualmente o canal auditivo externo e do tímpano, teste efetuado com a ajuda de instrumentos específicos, como os usados para detectar doenças auditivas.

De acordo com o coordenador de planejamento de curso, Antônio Carlos Carbonaro Salles, o esquema de fiscalização foi proposto por professores que vêm ao longo dos anos questionando o rendimento dos alunos no curso.

“Muitos alunos não apresentavam um bom desempenho depois que ingressavam. Então propusemos um sistema de fiscalização para saber se as pessoas que faziam as provas eram as mesmas que ingressavam no curso ou se utilizavam esquema. Ele foi aceito pela faculdade, tanto que um segundo edital foi publicado”, revelou.

Através de uma foto tirada de cada candidato ao entrar na sala, também será possível comparar depois, durante a matrícula, se o aluno é o mesmo que fez a prova. Isso evita que pessoas pagas realizem o vestibular no lugar de futuros acadêmicos.

Hoje mesmo, essa medida já fez muita gente desistir da prova, diz o professor. "Alguns participantes do esquema chegaram ao local da prova, viam a fiscalização e antes mesmo de começar iam embora”, ressalta Carbonaro.

Sobre o uso de ponto eletrônico, o professor explica que os fraudadores utilizam pontos impossíveis de serem vistos a olho nu. "Então fechamos os portões e fizemos 100% dos candidatos passarem pelo exame de otoscopia", reforça.

O professor cita que alguns teriam pago antecipadamente até R$ 12 mil para participar do esquema. “Eles contratam pessoas que são boas em cada área. Elas entram, fazem a parte deles rapidamente e quando marcam as duas horas, saem e repassam o gabarito a um central que redistribui aos candidatos”, explica o Antônio Carlos.

Em depoimento, os alunos informaram que pagaram pelos pontos eletrônicos valores entre R$ 1,8 mil e R$ 5 mil. Os suspeitos foram levados a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Centro, onde o caso será investigado.

Eles serão enquadrados por utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem ou de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso como de concursos públicos; avaliação ou exames públicos; processo seletivo para ingresso no ensino superior ou exame ou processo seletivo previsto em lei. A pena pode variar de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

Há pouco, a faculdade divulgou nota sobre o ocorrido, confira ela na íntegra:

A Universidade Anhanguera-Uniderp esclarece que durante o processo seletivo 2014/01, realizado na manhã deste domingo (10/11), foram identificados candidatos tentando fraudar a prova para o curso de Medicina. A Polícia Militar foi acionada e os suspeitos encaminhados para a delegacia.

Primando pela segurança e confiabilidade do processo seletivo, a Universidade utiliza vários procedimentos para evitar qualquer tipo de fraude, do início ao fim do vestibular. Entre os meios utilizados estão detectores de metais e registro fotográfico de cada candidato com o seu documento de identificação; fiscais treinados para monitoramento (incluindo médicos professores e acadêmicos do curso de Medicina), proibição de qualquer tipo de acessório durante toda a duração do vestibular, além da realização de exame de otoscopia (exame do canal auditivo externo e do tímpano efetuado com a ajuda de instrumentos específicos), com o intuito de identificar pontos eletrônicos.

A Universidade repudia qualquer ato criminoso e está à disposição das autoridades para contribuir com o processo de investigação.

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