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Capital

Investigado por estupro, monitor de escola usava Roblox para atrair alunas

Homem tratava duas como “namoradas”; após denunciarem caso, diretoras são ameaçadas de morte

Por Gabi Cenciarelli | 19/03/2026 15:35
Investigado por estupro, monitor de escola usava Roblox para atrair alunas
Monitor suspeito de manter relações com crianças (Foto: Direto das Ruas)

Um monitor de 26 anos, investigado por abuso contra pelo menos três alunas de 12  e 13 anos em uma escola municipal da Vila Serradinho, em Campo Grande, teria criado um grupo com três adolescentes, iniciado contato por meio do jogo Roblox e passado a tratá-las como namoradas, inclusive simultaneamente e chegando a frequentar a casa de uma das vítimas, segundo investigação.

RESUMO

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Um monitor de 26 anos, investigado por abuso sexual contra três alunas de 12 e 13 anos em Campo Grande, usou o jogo Roblox para se aproximar das vítimas. Ele mantinha contato por redes sociais e WhatsApp, tratando-as como namoradas e até frequentando a casa de uma delas. O caso foi denunciado à polícia, levando ao seu desligamento da escola. As diretoras da instituição relataram que só souberam do caso após denúncia e agiram conforme os protocolos, notificando as autoridades. No entanto, elas passaram a receber ameaças de pais e moradores, acusadas de omissão. A Defensoria destacou que a escola seguiu os procedimentos legais, incluindo comunicação ao Conselho Tutelar e à polícia.

O caso veio à tona após denúncia registrada na DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) na última quarta-feira (17) e levou ao desligamento do servidor. A Polícia Civil apura os fatos.

De acordo com informações repassadas pela Dra. Ana Laura Nunes da Cunha Ribeiro,  defesa das diretoras da Escola Municipal Sebastião Lima, o monitor utilizava plataformas digitais para se aproximar das estudantes. O contato começou no Roblox, se estendeu para Instagram e, depois, para um grupo de WhatsApp, onde ele mantinha conversas frequentes com as três adolescentes.

Investigado por estupro, monitor de escola usava Roblox para atrair alunas
Fachada da escola onde o monitor trabalhava (Foto: Renan Kubota)

Segundo os relatos, o grupo existia desde julho de 2025 e uma das meninas passou a ser tratada por ele como namorada. Em outro momento, uma segunda adolescente também teria recebido o mesmo tipo de tratamento. Conforme a denúncia, o servidor chegou a convidar as três para um encontro sexual dentro da escola.

Conforme as diretoras da escola, que pediram para não serem identificadas por causa das represálias que já estão sofrendo, só tiveram conhecimento da relação no final da última segunda-feira (16) e imediatamente notificaram a secretaria responsável e chamaram o monitor para conversar. Segundo elas, ele admitiu que namorava a menina e sabia que a relação com menor de 14 anos se tratava de estupro de vulnerável, mas que estava “apaixonado”.

Ainda conforme a apuração, o monitor teria desenvolvido maior proximidade com uma das adolescentes, considerada mais vulnerável, e passou a frequentar a casa dela no período da manhã, antes do horário de trabalho dos responsáveis. De acordo com relato feito à escola, ele orientava a menina a desligar as câmeras de segurança da residência para evitar ser visto.

A investigação considera que, mesmo que não haja confirmação de conjunção carnal, qualquer envolvimento de natureza íntima com menores de 14 anos pode configurar crime de estupro de vulnerável, conforme previsto na legislação penal.

Investigado por estupro, monitor de escola usava Roblox para atrair alunas
Mensagens onde diretoras são ofendidas (Foto: Divulgação)

Segundo a advogada das diretoras, Dra. Ana Laura Nunes da Cunha Ribeiro, o comportamento do monitor não havia sido previamente denunciado à escola, apesar de ele já trabalhar na unidade há cerca de um ano.

“Ele era visto como alguém próximo dos alunos, brincava, conversava, tinha acesso fácil às crianças. Esse tipo de perfil facilita a aproximação e dificulta a identificação inicial do problema”, afirmou.

Semed (Secretaria Municipal de Educação) foi acionada e orientou as providências.

Investigado por estupro, monitor de escola usava Roblox para atrair alunas

No mesmo dia, os responsáveis pelas alunas foram convocados à escola. Durante a reunião, conforme apurado, uma das mães informou que já tinha conhecimento da situação, mas não havia comunicado à unidade nem procurado a polícia. Outra responsável relatou que a filha mantinha contato com o monitor e que ele frequentava a residência da adolescente.

A Guarda Civil Metropolitana foi acionada e uma ata circunstanciada foi lavrada, com assinatura dos presentes. Os pais foram orientados a procurar a DEPCA para registro de ocorrência e realização de exame de corpo de delito. A escola também solicitou apoio psicológico à Semed e comunicou o caso ao Conselho Tutelar.

Linchamento e ataques a servidoras - Após a divulgação do caso, no entanto, a situação se agravou fora da sala de aula. Em grupos de WhatsApp, pais e moradores passaram a acusar a direção de omissão e a incitar violência contra as gestoras.

Segundo a defesa, as diretoras passaram a receber ameaças de morte e de linchamento. “Há mensagens dizendo que elas devem apanhar, que precisam ser mortas. Isso coloca em risco não só as profissionais, mas toda a comunidade escolar”, afirmou a advogada.

Diante da escalada de ameaças, as diretoras registraram boletim de ocorrência nesta quinta-feira (19), temendo pela própria segurança, de familiares e de alunos. O clima de tensão chegou a impactar o funcionamento da unidade, com receio de invasões ou ataques.

Na nota encaminhada à reportagem, a defesa sustenta que todas as medidas foram adotadas de forma imediata e conforme orientação da Semed, com comunicação no mesmo dia em que o caso foi conhecido, desligamento do servidor em menos de 24 horas e encaminhamento aos órgãos competentes.

A advogada Maria Isabela Saldanha, presidente da comissão da OAB que trata dos direitos das crianças e adolescentes, afirmou que as diretoras agiram conforme o protocolo.

"Diante do relato de crimes sexuais envolvendo alunos ou alunas, é imprescindível cumprir o dever legal de comunicação, realizando a notificação aos órgãos competentes, como o Conselho Tutelar e a autoridade policial, mesmo que o agressor seja um agente externo da família, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. A escola não deve investigar o caso por conta própria, mas sim preservar as informações, colaborar com as autoridades e assegurar apoio à vítima. Mesmo quando o estupro não é intrafamiliar, a escola deve chamar o Conselho Tutelar ou a polícia porque o fato de o agressor não ser da família não significa que a família não está cometendo outro crime contra a criança, como a exploração sexual", explica.

A Prefeitura de Campo Grande informou anteriormente que o profissional foi desligado de forma preventiva e que o caso foi encaminhado às autoridades, incluindo a DEPCA.

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