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Capital

Morto em abordagem próxima ao aeroporto executou taxista há 6 anos

Luciano Barbosa foi vítima de latrocínio em 2020; suspeito tinha 17 anos na data do crime

Por Gustavo Bonotto | 10/08/2026 22:13
Morto em abordagem próxima ao aeroporto executou taxista há 6 anos
Equipe retira corpo de taxista morto em área de mata no Santa Emília em abril de 2020; suspeito do crime morreu em abordagem do Choque nesta segunda (10). (Foto: Arquivo/Paulo Francis)

Jean Gabriel Rapini de Souza, de 24 anos, foi identificado como o homem morto durante confronto com o Batalhão de Choque da PM (Polícia Militar), durante o início da noite desta segunda-feira (10), na Avenida Manoel Ferreira, região do bairro Santo Antônio, em Campo Grande. Segundo informações preliminares da corporação, ele estava em um veículo considerado suspeito, desceu do carro em movimento com uma arma de fogo durante a abordagem e foi atingido. Jean recebeu socorro, mas morreu antes de chegar à unidade de saúde.

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Jean Gabriel Rapini de Souza, de 24 anos, morreu em confronto com o Batalhão de Choque da PM na Avenida Manoel Ferreira, em Campo Grande, na noite desta segunda-feira (10). Ele desceu de um veículo suspeito em movimento portando arma de fogo e foi atingido pelos agentes. Jean havia sido apreendido em 2020 por participar do roubo e morte do taxista Luciano Barbosa Franco. A morte é a 101ª por intervenção policial no Estado em 2025.

O nome dele já havia aparecido em outro caso de grande repercussão na Capital. Em abril de 2020, quando tinha 17 anos, Jean foi apreendido por participação no roubo que terminou com a morte do taxista Luciano Barbosa Franco, de 44 anos. A investigação da Polícia Civil apontou o adolescente como autor do disparo que atingiu a cabeça do motorista.

Luciano desapareceu na noite de 25 de abril daquele ano depois de aceitar uma corrida no Shopping Campo Grande com destino ao Jardim Carioca. O chamado ocorreu por volta das 23h30 e seria o último serviço do taxista naquele sábado. Como ele não voltou para casa, a família procurou a polícia ainda durante a madrugada.

O Campo Grande News acompanhou as buscas desde as primeiras horas. O rastreador do Volkswagen Virtus usado por Luciano emitiu o último sinal pouco depois da meia-noite. Na manhã seguinte, o carro foi encontrado no Santa Emília sem os quatro pneus.

Morto em abordagem próxima ao aeroporto executou taxista há 6 anos
Luciano foi vítima de latrocínio durante corrida de aplicativo; duas pessoas foram presas pelo crime. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Quase no mesmo horário, um ciclista avistou o corpo do taxista em um matagal às margens da BR-262, na região do Indubrasil, a cerca de 15 quilômetros de onde o automóvel apareceu. Luciano tinha um ferimento de tiro na cabeça.

A investigação reconstruiu os últimos minutos do motorista com imagens obtidas ao longo do trajeto. O Virtus deixou o Shopping Campo Grande às 23h40 e chegou ao Jardim Carioca às 23h58. O carro permaneceu parado por aproximadamente 40 segundos antes de fazer o caminho de volta.

Conforme a Polícia Civil informou na época, foi nesse intervalo que Luciano foi morto. Jean estava no banco traseiro, enquanto uma jovem ocupava o banco do passageiro. A apuração apontou que o adolescente efetuou o disparo depois do anúncio do roubo.

Uma segunda mulher também foi responsabilizada pelo crime. Ela não estava no veículo durante a corrida, mas, segundo a investigação, tinha conhecimento do plano e auxiliou os outros dois envolvidos.

O grupo pretendia ficar com o carro do taxista. Os depoimentos colhidos na ocasião indicaram que o Virtus havia sido negociado por R$ 12 mil com uma pessoa que faria a entrega do veículo no Paraguai. O automóvel, no entanto, acabou abandonado em Campo Grande.

Jean havia deixado uma Unei (Unidade Educacional de Internação) pouco mais de um mês antes da morte de Luciano. Conforme reportagem publicada pelo Campo Grande News em 2020, ele já havia cumprido medida por outros atos cometidos quando adolescente.

A arma apontada como usada para matar o taxista foi encontrada em uma casa no Bairro Tiradentes, onde os três envolvidos viviam. O revólver calibre 38 estava escondido em uma máquina de lavar. As equipes também recolheram quatro munições, uma cápsula deflagrada, documentos e o celular de Luciano.

O Batalhão de Choque participou daquela ação em apoio à investigação da Polícia Civil. As duas mulheres foram presas e Jean foi apreendido e encaminhado para atendimento na área da infância e juventude.

Nesta segunda, seis anos depois, uma equipe do Choque voltou a abordar Jean. A ocorrência começou na Avenida Manoel Ferreira, nas proximidades da Rua Taquari e do IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), e mobilizou várias viaturas na região do Aeroporto Internacional.

Segundo a versão preliminar divulgada pela PM, os agentes tentaram abordar um veículo considerado suspeito. Jean teria desembarcado do carro em movimento com uma arma de fogo, momento em que ocorreu o confronto. Ele foi atingido e socorrido pelos próprios militares.

A movimentação fechou a Avenida Manoel Ferreira nos dois sentidos. Motoristas ficaram sem passagem tanto em direção à Avenida Duque de Caxias quanto no sentido da Avenida Júlio de Castilho.

Em nota divulgada durante a ocorrência, a Polícia Militar confirmou o confronto, mas informou que a ação ainda estava em andamento e que outros detalhes seriam divulgados posteriormente. Até a publicação desta reportagem, a corporação não havia esclarecido quem estava no veículo com Jean nem apresentado a dinâmica completa da abordagem.

A morte de Jean é a 101ª decorrente de intervenção policial registrada em Mato Grosso do Sul neste ano.