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Campo Grande, Domingo, 23 de Setembro de 2018

26/02/2018 18:48

HU interrompe atendimento de hemodinâmica e cirurgias cardíacas

Suspensão dos serviços aconteceu por conta da operação que investiga fraudes em licitações e superfaturamento de materiais hospitalares

Geisy Garnes
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão no hospital no dia 25 de janeiro (Foto: André Bittar)A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão no hospital no dia 25 de janeiro (Foto: André Bittar)

O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian interrompeu nesta segunda-feira (26) os serviços de hemodinâmica e cirurgias cardíacas por tempo indeterminado. Em ofício enviado a Prefeitura de Campo Grande, a alegação é de que a suspensão aconteceu em virtude a Operação Again, que investiga fraudes em licitações e superfaturamento de materiais hospitalares na unidade.

A decisão foi divulgada e passa a valer a partir desta segunda-feira (26). Em documento assinado pela gerente de Atenção à Saúde da unidade, Andréa de Siqueira Campos Lindenberg, a direção explica que o afastamento do médico Mércule Pedro Paulista Cavalcante, apontado pela polícia como o “cabeça” do esquema, deixou o setor de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista com apenas um profissional, o que restringiu o funcionamento da unidade.

Somado a isso, uma orientação da Justiça Federal, enviada no dia 22 de fevereiro, fez o hospital interromper o contrato com a empresa Amplimed, responsável pelo fornecimento de materiais para os serviços de hemodiálise e cirurgias cardíacas, até o fim das investigações.

“Portanto, como consequência da falta de profissionais médicos na hemodinâmica, mas, principalmente, pela restrição do uso de materiais das referidas empresas, informamos que o serviço de Hemodinâmica/ Cardiologia Intervencionista, de Cirurgia Cardíaca e de Unidade de Dor Torácica do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian serão temporariamente interrompidos”.

No documento, o hospital afirma ainda que um processo de compra de urgência para a aquisição de materiais e novas licitações, estão sendo feitos para que serviço seja restabelecido o mais breve possível.

Equipes da Polícia Federal no HU durante a Operação Again (Foto: André Bittar)Equipes da Polícia Federal no HU durante a Operação Again (Foto: André Bittar)

A operação - O cardiologista Mercule Pedro Paulista Cavalcante e o empresário Pablo Augusto de Souza Figueiredo, são considerados pela PF e pela CGU (Controladoria Geral da União) os líderes de organização criminosa que fraudava licitações e superfaturava materiais hospitalares para lucrar com recursos públicos desviados. Contratos com o Hospital Universitário e Hospital Regional eram usados no esquema.

Além dos principais alvos da força-tarefa deflagrada ontem, mais seis servidores dos hospitais são investigados. Em entrevista coletiva concedida à imprensa, o delegado Marcelo Botelho, que comanda o inquérito, explicou que licitações de ambos os hospitais eram direcionadas com cláusulas restritivas para beneficiar determinadas empresas, que pagavam propina ao cardiologista e outros profissionais envolvidos.

Em alguns casos, o Mercule atuou diretamente nos processos licitatórios. As próteses, que custam cerca de R$ 800 no mercado, chegaram a ser vendidas as unidades públicas de saúde por R$ 2 mil. Os equipamentos comprados pelos hospitais públicos também eram desviados pelo profissional para uso nas clínicas particulares e até próteses vencidas eram usadas.

As empresas Amplimed Distribuidora de Produtos Hospitalares Ltda., que pertence a Pablo Figueiredo, e QL Med são investigadas. As duas tiveram contratos, firmados em 2016 e 2017, que somam R$ 12 milhões com o HU e o HR.

É investigado ainda o pagamento de viagens e veículos de luxo (com valor acima de R$ 200 mil) pela empresa de Pablo ao médico. Durante as investigações, as equipes encontraram pagamentos de viagens nacionais, com possibilidade de ser congresso médico e até uma viagem dos dois, acompanhados das famílias, para Miami.

A PF e a CGU se debruçaram sobre R$ 6 milhões em contratos e identificaram R$ 3,2 milhões em prejuízos aos cofres públicos.



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