ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
MAIO, DOMINGO  31    CAMPO GRANDE 25º

Capital

Indígenas negam invasão e afirmam lutar por retomada de direitos na Capital

Grupo deixou a área após negociação com a polícia e disse que vai procurar a Funai nesta segunda-feira

Por Bruna Marques e Mileny Barros | 31/05/2026 11:53

Cerca de 50 indígenas que foram vistos tentando entrar na chácara Água Bonita, na manhã deste domingo (31), no Bairro Tarsila do Amaral, em Campo Grande, deixaram o local após negociação com as forças de segurança. A ocorrência, inicialmente registrada como tentativa de invasão, terminou sem agravamento.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Cerca de 50 indígenas tentaram entrar em uma chácara no bairro Tarsila do Amaral, em Campo Grande, na manhã deste domingo, mas deixaram o local após negociação com a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana. A liderança Suzy Guarani afirmou que a ação era uma reivindicação por moradia e direitos territoriais. O grupo foi orientado a buscar a Funai na segunda-feira para tratar o caso pela via adequada.

A liderança Suzy Guarani, que se apresentou como representante da comissão do grupo, afirmou que a ação não se tratava de invasão, mas de uma reivindicação por moradia e por direitos sobre a área.

“Não é uma ocupação, é a retomada dos nossos direitos, de onde nós queremos que nossos filhos vivam, que nossos netos vivam, porque todos que estão aqui não têm onde morar. Não têm mais como pagar aluguel. As famílias são vulneráveis. As comunidades indígenas de Campo Grande são vulneráveis e precisam de moradia digna”, declarou.

Segundo Suzy, o grupo reivindica o território com base em documentos ligados à Associação Kaguateca Marçal de Souza. Ela afirmou ainda que a área teria relação histórica com a liderança Marta Guarani.

Indígenas negam invasão e afirmam lutar por retomada de direitos na Capital
Liderança indígena conversa com policiais militares durante tentativa de entrada na chácara Água Bonita (Foto: Juliano Almeida)

“Nós somos abandonados. Os nossos direitos são abandonados tanto pelo governo do Estado quanto pelo município. Há anos a gente está cuidando disso aqui e hoje resolvemos resgatar o que é nosso”, disse.

Ainda conforme a liderança, os indígenas tentaram uma entrada pacífica no local e alegam ter documentação sobre a área. O responsável pelo imóvel também apresentou documentos às equipes de segurança. Nenhuma das partes, porém, apresentou decisão judicial que autorizasse imissão na posse, reintegração de posse ou qualquer determinação direta sobre a área.

Questionada sobre o que ficou decidido após a conversa no local, Suzy afirmou que o grupo vai formalizar a reivindicação e procurar os órgãos competentes.

Indígenas negam invasão e afirmam lutar por retomada de direitos na Capital
Integrante do grupo segura ferramenta usada, segundo liderança, para marcar terrenos e colocar estacas (Foto: Juliano Almeida)

“Ficou decidido que vamos fazer o documento. Como falamos, não queremos conflito com ele. Como vocês podem ver aqui, falaram que nós estávamos armados, mas o pessoal só estava com facão para marcar os terrenos e colocar as estacas. Flecha não é arma. Maracá não é arma. A gente veio em paz para resgatar o que é nosso. A gente não tem arma. A nossa arma é o nosso documento e os nossos direitos”, afirmou.

De acordo com o tenente Falcão, da Polícia Militar, a equipe foi acionada após a informação de que indígenas tentavam entrar em uma propriedade ocupada por outro cidadão. Ao chegar ao local, os policiais conversaram com o responsável pela área e com a liderança indígena.

O policial explicou que os documentos apresentados não tinham força de decisão judicial. Segundo ele, a equipe orientou o grupo a procurar a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) para que o caso seja encaminhado pela via adequada.

Indígenas negam invasão e afirmam lutar por retomada de direitos na Capital
Grupo indígena se reúne em estrada de terra durante negociação acompanhada pela polícia (Foto: Juliano Almeida)

Após conversarem entre si, os indígenas se comprometeram a deixar o local e procurar a Funai nesta segunda-feira (1º). O tenente também explicou que, caso exista uma decisão judicial reconhecendo o direito reivindicado, não seria necessário manter todo o grupo na área. Bastaria a presença de representantes para que a decisão fosse comunicada com apoio das forças de segurança.

Ainda conforme a PM, a equipe não tinha legitimidade para definir a quem pertence a área. Por isso, as partes foram orientadas e o impasse foi encerrado no diálogo.

Indígenas negam invasão e afirmam lutar por retomada de direitos na Capital
Indígenas permanecem reunidos na área antes de deixarem o local após acordo com a polícia (Foto: Juliano Almeida)

Além da PM, equipes da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e do GOI (Grupo de Operações e Investigações) estiveram no local. O responsável pela área foi à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol para registrar a ocorrência.

A documentação mencionada pelos indígenas não seria uma decisão judicial, mas um estudo da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) sobre a área.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.