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Minha Casa, Minha Vida: corretores relatam entraves com usados e renda informal

Liberação do recurso demora e critérios estão mais rígidos; Caixa não divulgou mudança nas políticas

Por Cassia Modena | 21/07/2026 12:45
Minha Casa, Minha Vida: corretores relatam entraves com usados e renda informal
Casa em condomínio em anúncio para venda, com possibilidade de financiamento (Foto: Divulgação)

Corretores de imóveis de Campo Grande relatam que o momento é de maior espera entre quem quer financiar um imóvel usado pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Outro entrave atual está na comprovação de renda dos trabalhadores informais, já que a análise estaria mais rigorosa. A Caixa Econômica Federal, responsável pelo aporte de recursos, não divulgou nenhuma mudança interna.

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Corretores de imóveis de Campo Grande relatam dificuldades no financiamento de imóveis usados pelo Minha Casa, Minha Vida. A liberação de recursos pela Caixa Econômica Federal tem levado de dois a três meses, e trabalhadores informais enfrentam análise de crédito mais rigorosa, com exigência do extrato do FGTS. A Caixa não confirmou mudanças nas políticas de financiamento até o fechamento da reportagem.

Na área há 12 anos, Paulo Nogueira tem explicado aos clientes da faixa 1 (renda familiar até R$ 3,2 mil) e da faixa 2 (renda de até R$ 5 mil) do programa que a liberação do valor financiado pela Caixa Econômica Federal está demorando de dois a três meses. “Isso acontece nos momentos em que se dá preferência aos imóveis novos, como agora”, avalia.

Ele cita um contrato já aprovado cujo tempo de espera pelo dinheiro ultrapassa 50 dias. Ultimamente a agilidade é mais difícil, mas ele cita como exceção a liberação em apenas 15 dias para um cliente.

O corretor acredita que questões políticas e econômicas influenciam nos prazos e no grau de facilidade de se financiar um imóvel. “Inadimplência, taxa de juros alta, número de fraudes e não estarmos mais no início de um governo, quando recursos são abundantes, influenciam e dão um direcionamento à Caixa”, resume.

Informal - Corretor há dois anos na Capital, Pablo Chaves tem percebido que clientes com renda informal andam enfrentando uma saga ainda maior para comprovar que podem honrar o financiamento. Essa mudança foi notada por ele há cerca de um mês e meio.

“A Caixa tem adotado critérios mais rigorosos na análise de crédito, principalmente para clientes com renda informal, que muitas vezes encontram mais dificuldade para comprovar sua capacidade de pagamento. As entrevistas e conferências de documentos estão mais detalhadas. O processo está mais demorado e criterioso”, afirma.

Além disso, para esse público, a Caixa está exigindo o extrato do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), o que antes não era solicitado, segundo Pablo. Segundo informações do site da Caixa, somente precisam apresentá-lo aqueles que pretendem financiar imóveis usando a reserva.

“A Caixa aumentou os requisitos. Antes, era mais tranquilo para o trabalhador com renda informal. Ficou muito difícil, estão muito rígidos nas entrevistas. A análise de documentos está muito mais detalhada”, reforça o corretor.

A reportagem ouviu um terceiro corretor, que pediu para não ser identificado. Para ele, que atua no setor há mais de 30 anos e não costuma atender trabalhadores autônomos, o maior problema tem sido mesmo a espera prolongada pela dotação. "Nunca demorou tanto. Está mais difícil liberarem R$ 150 mil para a faixa 1, mesmo com tudo em conformidade", falou.

Trabalhadores de aplicativo - Não houve anúncio oficial, mas sites do mercado imobiliário afirmam que o banco atualizou regras internas para facilitar o acesso de trabalhadores de aplicativos de mobilidade e entregas ao Minha Casa, Minha Vida. Segundo as especulações, a divulgação será feita em breve.

Paulo Nogueira acredita que a postura mais inflexível com relação aos trabalhadores informais tenha relação com a formalização de requisitos para atender o grupo que tira renda dos aplicativos.

A assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal foi questionada se houve ou haverá mudanças nas políticas de financiamento. Não houve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.

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