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Capital

Integrante do PCC era homem de Marcola na expansão das casas de apostas em MS

PF no CE identificou casa de apostas online em MS, "diversificação" da facção para lavagem de dinheiro

Por Silvia Frias | 14/05/2024 14:04
Policial federal cumpre mandado expedido na Operação Primma Migratio (Foto/Divulgação)
Policial federal cumpre mandado expedido na Operação Primma Migratio (Foto/Divulgação)

Preso em Campo Grande, Henrique Abraão Gonçalves da Silva, 27 anos, era responsável pela expansão do PCC (Primeiro Comando da Capital) na exploração de jogos de azar em Mato Grosso do Sul, mais especificamente, em casas de apostas. Esse é mais um "ramo" das atividades da facção, para facilitar a lavagem de dinheiro.

Henrique foi preso em condomínio no Bairro Monte Castelo, no dia 24 de abril. Além do mandado de prisão, expedido pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas de Fortaleza (CE), também houve flagrante por posse de munição de arma de fogo. Atualmente, esta detido no Presídio de Segurança Máxima Harry Amorin Costa.

O Ficco/CE desencadeou a investigação há dois anos, rastreando a atuação de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, ou “Marcolinha”, líder da facção no Nordeste, na condição de subordinado direto do irmão, Marco Williams Herbas Camacho, o “Marcola”.

O grupo também passou investigar a ligação do PCC em jogos de azar no Ceará: depois de descobrir que o CV (Comando Vermelho), facção rival, emitiu nota determinando que, em suas áreas territoriais, fosse proibido ter algum estabelecimento da Loteria Forte, Fourbets e 888 Bets, casas de apostas esportivas. “A suspeita, evidentemente, passou a ser de que referidas empresas pertencessem ao PCC, comandado por Marcola, como é de conhecimento público”.

“O PCC está usando novo ramo para diversificar atuação da organização”, disse o delegado Igor Conti, coordenador do Ficco/CE, ao Campo Grande News, explicando que as atividades tinham como principal objetivo a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas e armas.

Munição encontrada com Henrique em condomínio no Bairro Monte Castelo (Foto/Divulgação)
Munição encontrada com Henrique em condomínio no Bairro Monte Castelo (Foto/Divulgação)

Henrique era o integrante do PCC ligado às operações de jogos de azar. Aqui, segundo o delegado, o rapaz instalou e administrava a FourBet em MS, casa online de apostas esportivas, que pertence à facção. A vinda para MS é justificada pela ampliação dos negócios do PCC, ampliando as estratégias usadas para lavagem de capitais.

Segundo o delegado, um dos “garotos-propaganda” da FourBet, com sede no Paraná, é Leonardo Alejander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marco Williams Herbas Camacho, o Marcola, liderança máxima do PCC. Leonardo também foi preso na operação, em Itajaí (SC). De acordo com Conti, o rapaz divulgava nas redes sociais a página da FourBets.

A investigação aponta que, sem renda fixa, Leonardo ostentava alto padrão social. “Sem lastro societário nem vínculo trabalhista, a pesquisa em redes sociais identificou uma fonte de renda de LEONARDO CAMACHO: exatamente a FOURBET apostas Esportivas."

“Henrique é muito próximo de Leonardo, os dois estiveram juntos em Campo Grande”, disse o delegado, acrescentando que o sobrinho de  Marcola era subordinado ao amigo.

A investigação apontou, ainda, que a mãe de Henrique, Cíntia Chaves Gonçalves era a principal gestora da Loterias Fort, também pertencente ao PCC, baseada no Ceará. O vínculo foi demonstrado por meio da apuração em campo, investigação de dados, demonstrando a ligação com a família de Marcola.

Igor Conti diz que a investigação entrou na fase de análise do material coletado. Sendo encontrado mais indícios da ação do PCC em Mato Grosso do Sul, esse material será compartilhado com a PF de MS.

O delegado explica que MS é importante para a estrutura operacional do PCC, com base fortemente instalada, por conta da posição estratégica para o tráfico internacional.

Coordenador do Ficco/CE, delegado Igor Conti, falou sobre investigação sobre PCC (Foto/Reprodução)
Coordenador do Ficco/CE, delegado Igor Conti, falou sobre investigação sobre PCC (Foto/Reprodução)

Milhões - Os “empreendimentos” da facção foram alvo de operação da Ficco/CE (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado/Ceará), que cumpriu 22 mandados de prisão e 36 de busca e apreensão em MS e mais três estados, além do sequestro de 42 veículos, no dia 24 de abril.

Os indícios apontam que a organização movimentou R$ 301.813.629,00 de forma suspeita nos últimos dois anos.

Em Campo Grande, durante as buscas, foram encontradas no guarda-roupa da casa de Henrique duas cases, acessórios destinados ao acondicionamento de armas de fogo. Em uma delas, havia dois carregadores de pistola 9 mm e munições .380.

Indagado sobre as munições, Henrique disse à polícia que havia iniciado processo para emissão do certificado de registro para ser CAC (Caçador, Atirador e Colecionador). Segundo ele, chegou a adquirir uma pistola 9 mm e as munições encontradas em seu apartamento, mas como não concluiu o processo, acabou devolvendo a arma. Ele foi preso em flagrante por posse de munição de arma de fogo.

A Ficco/CE é composta pela Polícia Federal, Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, Polícia Militar do Ceará, Polícia Civil do Estado do Ceará, Polícia Rodoviária Federal, Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), Pefoce (Perícia Forense do Estado do Ceará) e SAP (Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado do Ceará).

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