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Capital

Interminável, março deixou casal sem assunto e fez taxista pensar em parar

Em tempos de isolamento e restrições, mês parece ter durado mais do que o normal

Por Jones Mário e Lucas Mamédio | 31/03/2020 09:45
Taxista Fausto León cogitou deixar o volante de vez em meio à "paradeira" (Foto: Lucas Mamédio)
Taxista Fausto León cogitou deixar o volante de vez em meio à "paradeira" (Foto: Lucas Mamédio)

O calendário marca 31 dias, mas, em meio a isolamento social, restrições e crise econômica - provocados pela pandemia do novo coronavírus - pareceram muito mais. Pelas ruas de Campo Grande, os lamentos se acumulam em relatos de gente que, de tanto ficar em casa, ficou sem assunto com o próprio marido. Ou que, de tanto ficar sem trabalho, pensou em abandonar a profissão.

A sensação de prisão deixou Matilde Silva, 55 anos, com vontade de deixar de ser dona de casa. A relação com o esposo, que agora está o tempo todo ao seu lado, ficou mais difícil. “O assunto acaba, a gente fica brigando”, diz.

Ficar sem frequentar a academia, encontrar amigas e fazer compras incomodou Antônia Meire (Foto: Lucas Mamédio)
Ficar sem frequentar a academia, encontrar amigas e fazer compras incomodou Antônia Meire (Foto: Lucas Mamédio)

Para Antônia Meire Cavalcante, 61, “parece que o mês nunca acaba”. Entediada, ela passou a maior parte de março sem poder encontrar as amigas, impedida de ir na academia e de fazer compras no supermercado.

Taxista, Fausto León, 57, sabe há um tempo o que é “paradeira”. Com a chegada dos motoristas de aplicativo, seu ofício se torna cada vez mais obsoleto e as corridas ficam escassas.

Depois de levar a primeira cliente da semana ao Centro, na manhã desta terça-feira (31), León contou que 2019 já havia sido um “desastre”, mas março o fez pensar em largar o volante. “Esse mês tá quase pedindo para eu parar de ser taxista”.

A concorrência também não teve um mês fácil. Ao menos é o que narra o motorista de aplicativo Mauro de Oliveira, 50. “Março foi o novo agosto, que costuma ser um mês de paradeira geral. Não está rendendo nada”.

Mauro de Oliveira, motorista de aplicativo, comparou movimento de março com de agosto (Foto: Henrique Kawaminami)
Mauro de Oliveira, motorista de aplicativo, comparou movimento de março com de agosto (Foto: Henrique Kawaminami)

Abril - A folhinha vira amanhã, mas as restrições à circulação de pessoas e ao movimento econômico continuam, pelo menos, até a próxima segunda-feira (6).

As aulas das redes estadual e municipal estão suspensas até a data, bem como o atendimento ao público para a maior parcela do comércio.

Os ônibus do transporte coletivo operam apenas para transportar trabalhadores da Saúde e de outros serviços essenciais. As únicas obras em andamento têm menos de 20 operários no canteiro.

Bares e restaurantes podem funcionar com capacidade reduzida em 70%. Agências bancárias voltaram hoje, mas só podem atender pessoalmente serviços que não possam ser prestados nos caixas eletrônicos ou aplicativos.