Moradores improvisam para enfrentar 24 horas sem energia
Problema começou entre às 17h30 e 18h desta quinta-feira (10)

Evitar abrir a geladeira ao longo do dia e se preparar para mais uma noite à luz de velas. É na base do improviso que muitos campo-grandenses enfrentam 24 horas sem energia. O problema começou entre as 17h30 e 18h desta quinta-feira (10), depois da tempestade que atingiu Campo Grande, e segue em diversas regiões da cidade.
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Moradores de Campo Grande enfrentam mais de 24 horas sem energia após tempestade que atingiu a cidade na quinta-feira (10), com ventos de até 87 km/h. Bairros como Vila Olinda e Vila Bandeirantes seguem sem fornecimento. A Energisa ampliou quatro vezes o número de equipes e recebeu reforços de outros estados. Até sexta-feira, 82% dos clientes tiveram o serviço restabelecido, com previsão de até 100 postes danificados.
Entre os bairros em que a rede elétrica ainda não foi restabelecida estão Tiradentes, Maria Aparecida Pedrossian, Jardim Novos Estado, Sírio Libanês, Vila Bandeirantes, Jardim Paulista, Vila Olinda, Carandá Bosque, Jockey Club e Vila Eliane.
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A aposentada Rosangela Godoy, de 69 anos, mora no Bairro Vila Olinda, na região da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), e está sem energia desde as 18h de ontem. As primeiras horas sem energia foram à luz de vela.
Ela conta que passou o dia evitando abrir a geladeira. "Esperei até agora na esperança que a energia fosse restabelecida. Como não foi, comecei a cozinhar o que poderia estragar pela falta de refrigeração. E, continuando a situação, levarei o que estava congelado para casa de familiares".
A falta de energia afetou até a comunicação, sendo preciso recorrer a tecnologias consideradas ultrapassadas para enfrentar o dia. "Notícias só com o bom e velho rádio de pilha". Ela ainda relata que ao longo do dia não conseguiu entrar em contato com a concessionária para receber informações sobre o restabelecimento do serviço.
A pensionista Ana Rosa Monteiro da Silva, de 71 anos, mora na Vila Bandeirante. Com a falta de energia, ela perdeu um dia de trabalho. "Eu trabalho de casa também, e o dia foi perdido sem energia e internet. Hoje em dia somos totalmente dependente disso", conta. Ela ainda relata outros problemas causados pelo longo período sem energia. "As coisas da geladeira estragando, passando mal com calor, muito desconforto, fora o perigo de uma idosa no escuro", completa.
Equipes nas ruas – Em um boletim divulgado no início da tarde de hoje, a Energisa informou que ampliou em quatro vezes o número de equipes técnicas mobilizadas para atender os danos provocados pela tempestade. Profissionais de Minas Gerais, Tocantins, Paraíba, Sergipe, Acre e Rondônia também foram enviados para reforçar os trabalhos em Campo Grande.

Segundo a concessionária, objetos foram arremessados pelo vento em diversos pontos da cidade, mas a maior parte dos danos à rede elétrica foi provocada pela queda de árvores de grande porte.
Até o momento, cerca de 30 postes danificados já foram ou estão em processo de substituição. A previsão da empresa é de que o número chegue a 100 estruturas danificadas. Em alguns pontos, será necessário reconstruir completamente a rede elétrica.
A Energisa afirma que nenhum bairro teve o fornecimento de energia interrompido por completo, embora diversas áreas da cidade tenham sido afetadas. Às 13h desta sexta-feira, cerca de 82% dos clientes atingidos já haviam tido o serviço restabelecido.
Ainda conforme a concessionária, os serviços essenciais, incluindo hospitais, já foram normalizados. A empresa reforçou que segue trabalhando para normalizar o fornecimento para todos os clientes afetados pela tempestade.
Temporal – A tempestade atingiu Campo Grande por volta das 17h de quinta-feira e provocou queda de árvores, postes e fiação em diferentes regiões. O fenômeno também foi acompanhado de chuva intensa, granizo e ventos fortes.
Estações meteorológicas registraram rajadas de 87 km/h no Aeroporto Internacional de Campo Grande e de 84 km/h na Embrapa Gado de Corte. Segundo o meteorologista Vinícius Sperling, do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul), os ventos podem ter chegado próximo de 100 km/h em alguns pontos, considerando a dimensão dos estragos observados.
Imagens registradas durante a chegada da tempestade mostram uma grande formação de nuvens avançando sobre a Capital. Segundo Sperling, a estrutura pode estar relacionada a uma nuvem-prateleira, embora não seja possível descartar completamente a possibilidade de uma supercélula sem uma análise mais detalhada da rotação da formação.
O meteorologista explicou que o ambiente atmosférico estava favorável à formação de tempestades severas, com aquecimento durante a tarde e condições de abafamento antes da chegada do sistema.
Nesta sexta-feira, a Defesa Civil Municipal voltou a alertar para a possibilidade de novas tempestades, e o Cemtec também indicou que as condições atmosféricas poderiam favorecer novas formações de tempo severo durante a tarde.
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