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Capital

Mãe nega envolvimento de jovens assassinados no MT com facção e cobra respostas

Wilquison, Wagner e Breno saíram de MS para trabalhar em Campo Novo do Parecis

Por Ana Paula Chuva e Bruna Marques | 13/04/2026 09:13
Mãe nega envolvimento de jovens assassinados no MT com facção e cobra respostas
Camiseta com retrato dos irmãos Wilquison e Wagner feita pela família (Foto: Bruna Marques)

A confeiteira Rubineia Rocha dos Santos, de 46 anos, afirmou que os filhos Wagner Felipe Rocha Viana, de 20 anos, e Wilquison Eduardo Rocha Viana, de 23, não tinham qualquer envolvimento com facções criminosas. Os dois estão entre os três jovens encontrados mortos após desaparecerem durante uma viagem de trabalho, em Campo Novo do Parecis (MT).

RESUMO

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A confeiteira Rubineia Rocha dos Santos contesta o suposto envolvimento de seus filhos, Wagner e Wilquison Viana, com facções criminosas após serem mortos em Campo Novo do Parecis, Mato Grosso. Os irmãos e um amigo desapareceram durante uma viagem de trabalho e foram executados, segundo a polícia, por integrantes do Comando Vermelho após suspeitas de ligação com o grupo rival. Dois suspeitos foram detidos. A mãe nega antecedentes criminais dos jovens e clama por justiça diante da tragédia.

Em entrevista ao Campo Grande News, Rubineia disse nunca ter tido conhecimento de qualquer ligação dos filhos com o crime organizado. “Nunca, nada. Se eles tivessem feito algo errado, eu mesma falaria. Mas disso eu nunca soube”, declarou.

Segundo ela, Wagner não bebia nem fumava, enquanto Wilquison consumia bebida alcoólica e maconha, fato de que a mãe afirma sempre ter conhecimento. “Mas coisa de facção, isso não”, reforçou.

Sobre antecedentes, a mãe relatou apenas um episódio envolvendo Wilquison, que chegou a ser detido após comprar uma motocicleta sem saber que era roubada. “Foi um choque para a gente. Fora isso, não tem mais nada. O Wagner nunca teve passagem”, disse.

Desaparecimento 

O desaparecimento dos jovens foi comunicado à família no domingo(5), após o patrão entrar em contato perguntando se Rubineia havia falado com os filhos. Eles haviam saído no dia anterior para trabalhar e não retornaram.

A situação rapidamente gerou preocupação, já que, segundo a mãe, não era comum que eles ficassem sem dar notícias. “Eles sempre avisavam onde estavam. Nunca ficaram mais de um dia fora sem falar nada. Quando falaram para eu ser forte, eu já desabei”, relatou.

Segundo a confeiteira, os irmãos atuavam com montagem de estruturas e também faziam trabalhos em obras. Recentemente, haviam sido contratados para um serviço fora da cidade, o que os deixou animados.

Wilquison era pai de uma criança de um ano e três meses e morava com a mãe. Wagner também vivia na casa da família. “Eles estavam felizes, trabalhando juntos. Para mim, estava maravilhoso”, disse.

Rubineia afirma que ainda não conseguiu aceitar a morte dos filhos, especialmente por não ter feito o reconhecimento dos corpos. “Para mim, parece que eles vão chegar a qualquer momento”, desabafou.

Sem velório devido ao estado dos corpos, a despedida foi ainda mais difícil. Em casa, os pertences dos jovens permanecem guardados. “Não consegui mexer em nada ainda. Minha neta vê a foto e fala ‘papai’, encosta a cabecinha. É muito difícil”, disse.

Agora a mãe pede respostas das autoridades e questiona a associação dos nomes dos filhos a facções criminosas. “Estão dizendo uma coisa que eles não eram. Isso dói muito. Quero justiça. Disseram que foi por ‘diversão’. Como alguém faz isso por diversão? Cada dia é uma família chorando”, declarou.

Mãe nega envolvimento de jovens assassinados no MT com facção e cobra respostas
Frase colocada na camiseta em homenagem aos jovens assassinados (Foto: Bruna Marques)

Caso

Os corpos de Wilquison, Wagner e Breno Gabriel Soares Cabral, 21 anos, foram encontrados na tarde de terça-feira (7), enterrados em uma vala na zona rural do distrito Marechal Rondon, em Campo Novo do Parecis. Conforme o delegado responsável pelo caso, Guilherme Kaiper, o crime está ligado diretamente à atuação de facções criminosas.

Segundo o responsável pela investigação, os jovens foram chamados para jogar sinuca e, por serem de fora, despertaram desconfiança de integrantes do grupo que domina a região. O delegado explicou que analisou os celulares das vítimas e, supostamente, havia conteúdos que indicariam ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital), enquanto a região era dominada pelo Comando Vermelho.

Ainda conforme Kaiper, houve chamada de vídeo no contexto do tribunal do crime e os jovens foram “decretados”, quando se emite a ordem de execução. As vítimas teriam sido levadas para uma estrada vicinal, onde foram amarradas e amordaçadas. Elas foram asfixiadas com corda e sofreram golpes de faca no pescoço antes de serem enterradas juntas em uma cova com mais de um metro de profundidade.

A Polícia Civil identificou quatro pessoas como participantes diretas do crime. Duas já estão presas, sendo uma delas um adolescente de 16 anos. Os dois confessaram participação e outras pessoas ainda são investigadas, inclusive por terem ajudado no transporte das vítimas.

Mãe nega envolvimento de jovens assassinados no MT com facção e cobra respostas
Peritos escavam local onde corpos foram enterrados (Foto: Divulgação | PCMT)


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