Mais de 50% da malha viária asfaltada de Campo Grande tem 30 anos ou mais
André Brandão, titular da Sisep, foi à Câmara e anunciou que recapeamento de vias começará até o fim deste ano
Mais da metade do asfalto de Campo Grande já ultrapassou 30 anos de uso e está com a vida útil comprometida. O dado foi apresentado pelo titular da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), André de Moura Brandão, durante sabatina na Câmara Municipal nesta terça-feira (27), convocada para cobrar explicações sobre a operação tapa-buracos na Capital.
RESUMO
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O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande, André de Moura Brandão, disse à Câmara Municipal que 53,6% dos 3,1 mil quilômetros de asfalto da cidade têm mais de 30 anos e estão com a vida útil comprometida. Segundo ele, o tapa-buracos é paliativo. A Prefeitura tem contratos de recapeamento vigentes, com início previsto até o fim de 2026, e ampliou as frentes de reparo de duas para 12. Vereadores também pedem a abertura de uma CPI sobre o serviço.
Segundo ele, 53,6% dos mais de 3,1 mil quilômetros de pavimento asfáltico da cidade têm mais de três décadas, cenário que exige investimentos em recapeamento para reduzir a repetição dos reparos nas ruas.
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Na apresentação aos vereadores, Brandão afirmou que a vida útil prevista para o pavimento é de aproximadamente dez anos e que a malha viária da Capital já deveria ter recebido intervenções mais amplas há bastante tempo. De acordo com o secretário, a situação atual exige planejamento para substituir o modelo baseado em reparos pontuais por uma recuperação mais duradoura das vias.
“Hoje nós falamos de uma malha asfáltica que já está com seu ciclo de vida ultrapassado e que nós já tínhamos que estar falando de recapeamento há muito tempo, como uma forma de planejamento, para que pudéssemos avançar e solucionar, de fato, essa questão”, declarou.
O secretário citou as avenidas Gury Marques e Costa e Silva como exemplos de vias que, mesmo após receberem intervenções, voltam a apresentar buracos. Segundo ele, desde que assumiu a Sisep, foram realizadas três operações completas de tapa-buracos nesses corredores, mas a recuperação não impede o reaparecimento dos problemas quando há chuvas volumosas.
Brandão explicou que, nesses casos, o comprometimento da base do pavimento dificulta a manutenção dos resultados. Fissuras e o desgaste conhecido como “couro de jacaré”, caracterizado por rachaduras que formam desenhos semelhantes à pele do animal, indicam a deterioração da pista. Com a combinação de umidade, chuva intensa e tráfego elevado, o asfalto pode voltar a ceder.
“Na próxima chuva, se tiver um volume alto de água acumulada, vai abrir novamente o buraco. Porque a base da pista está comprometida”, afirmou.

Recapeamento deve começar até o fim do ano - Para enfrentar o problema, o secretário informou que a Prefeitura já tem contratos de recapeamento celebrados e vigentes, contemplando as sete regiões urbanas de Campo Grande. Segundo ele, a previsão é iniciar os trabalhos em algumas vias até o fim de 2026, com prioridade para corredores de maior fluxo de veículos e, posteriormente, ruas dos bairros que já não comportam novos reparos pontuais.
O planejamento foi elaborado no primeiro semestre deste ano, por determinação da prefeita Adriane Lopes. Brandão afirmou que as equipes já estão selecionando tecnicamente os trechos que deverão receber as intervenções.
Antes da aplicação de uma nova camada de asfalto, no entanto, é necessário recuperar a estrutura da pista. O secretário explicou que o procedimento começa com o fechamento dos buracos e a correção da base do pavimento, etapas consideradas necessárias para preparar a via para o recapeamento.
“Não tem como. Tem que recuperar primeiro a base do pavimento para que, na sequência, possamos preparar a via, corrigir a base e, depois, executar o recapeamento”, disse.
A estratégia, segundo Brandão, é normalizar primeiro a operação tapa-buracos e, paralelamente, avançar na preparação das ruas que receberão uma recuperação mais ampla. Ele ressaltou que a manutenção pontual é necessária, mas não resolve de forma definitiva o desgaste de uma malha viária antiga.
Prefeitura ampliou operação de duas para 12 frentes - Enquanto prepara o recapeamento, a Sisep tenta ampliar a capacidade de atendimento da operação tapa-buracos. Brandão afirmou que, quando assumiu a secretaria, havia duas frentes de trabalho aptas para atuar no serviço. Atualmente, são 12, distribuídas entre as sete regiões de Campo Grande.
Desse total, duas são formadas por equipes próprias da secretaria. Segundo o secretário, essas equipes já executaram mais de 150 mil metros quadrados em reparos na cidade.
Entre as medidas adotadas estão a ampliação das equipes, a reorganização dos contratos e a adoção de expediente integral na secretaria. Para os próximos meses, a intenção é manter as 12 frentes em funcionamento regular, intensificar os trabalhos nos períodos de estiagem e organizar mutirões aos sábados.
Brandão afirmou que as chuvas registradas em 2026 têm prejudicado a execução dos serviços. A umidade compromete as condições para os reparos e, ao mesmo tempo, contribui para o surgimento de novos buracos, aumentando a demanda sobre as equipes.
O plano de ação inclui ainda assegurar o fornecimento de concreto betuminoso usinado a quente, material utilizado na pavimentação, intensificar os atendimentos e reduzir o volume de solicitações acumuladas.
Mais recursos podem ampliar equipes - Durante a sabatina, Brandão também afirmou que a capacidade de atendimento depende dos recursos disponíveis para a contratação de empresas. Segundo ele, o modelo de credenciamento permite convocar novas prestadoras de serviço conforme a necessidade e a disponibilidade financeira.
Atualmente, cinco empresas credenciadas aguardam convocação e emissão de ordens de serviço. O secretário explicou que a ampliação dos recursos permitiria colocar mais equipes nas ruas e aumentar a quantidade de reparos realizados.
“Qualquer recurso adicional que nós tenhamos possibilita a convocação de mais empresas credenciadas e habilitadas, mais frentes de serviço e maior capacidade de atendimento”, declarou.
O secretário dividiu as medidas em três etapas. No curto prazo, a prioridade é estabilizar a operação tapa-buracos e manter as 12 frentes em atividade. No médio prazo, a meta é aproveitar os períodos favoráveis para intensificar os reparos, promover mutirões e preparar as vias para intervenções maiores. Já no longo prazo, o objetivo é dar continuidade à recuperação da malha asfáltica e executar os recapeamentos programados.
Para Brandão, a mudança é necessária para reduzir a repetição dos serviços e o desperdício de recursos públicos com reparos em trechos que voltam a apresentar problemas.
“Os serviços de tapa-buracos são paliativos, são um remédio, mas não podem ser continuados. Nós não podemos seguir apenas com essa operação”, afirmou.
Convocação foi motivada por reclamações sobre as ruas - A ida do secretário à Câmara foi aprovada na semana passada, por meio do Requerimento 84, apresentado pelos vereadores Riverton (PP), Lívio Viana (União), Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), e Epaminondas Neto, o Papy (PSDB). A convocação havia sido prevista inicialmente para 20 de outubro, mas foi transferida para esta terça-feira em razão de problemas de segurança no plenário.
A iniciativa ocorre em meio às reclamações recorrentes sobre as condições das ruas da Capital. Segundo informações apresentadas anteriormente pelo presidente da Câmara, Papy, os vereadores registraram mais de 9 mil indicações relacionadas a pedidos de tapa-buracos somente no primeiro semestre de 2026.
Além da convocação, os 29 vereadores assinaram o requerimento de abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a execução do serviço na cidade. A proposta, de autoria da vereadora Luiza Ribeiro, está em análise na Procuradoria Jurídica da Câmara, que deverá emitir parecer sobre o pedido.
A sabatina e a proposta de CPI são iniciativas distintas de fiscalização do Executivo. Enquanto os vereadores cobram explicações sobre a execução dos serviços e os recursos empregados, a eventual comissão deverá seguir os trâmites necessários antes de ser instalada.
Ao apresentar o diagnóstico da malha viária e o planejamento da secretaria, Brandão reconheceu que o tapa-buracos, sozinho, não é suficiente para solucionar o problema. A expectativa da Sisep é combinar a manutenção emergencial com o recapeamento de trechos desgastados, em uma tentativa de reduzir a reincidência dos buracos e melhorar as condições de tráfego em Campo Grande.



